Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A dedicação e a disciplina fazem parte do caminho

A Lua Cheia é sempre bela e forte
Às vezes surge a pergunta: mas como sei que vai haver ou não meditação da Lua Cheia, se o tempo estiver mal? A resposta é fácil: a meditação da Lua Cheia realiza-se à hora que foi anunciada, faça chuva ou faça sol.
Já escrevi aqui acerca da importância dos rituais (click para ver post) e também sobre como os nossos rituais pessoais possam ser vistos na luz da tradição (click para ver post).
No caso das meditações de Lua Cheia no Cromeleque há ainda um outro elemento, que me leva a ir vez após vez ao Cromeleque - o compromisso que assumi de manter viva a tradição de marcar os ciclos da Natureza no sítio do Cromeleque, este monumento ao tempo e ao Universo. O círculo das pedras guarda a memória dos povos que sentiram a necessidade de marcar os ciclos anuais para poder orientar a sua existência. Assim, o Cromeleque é, ainda hoje, uma homenagem à procura do Ser Humano do seu lugar no Universo. Celebrar os ciclos, presencialmente, com intenções, palavras e gestos, mantém vivo e re-afirma que estamos conscientes que precisamos, agora como outrora, de nos conectar com o "grande conjunto". O Ser Humano não mudou tanto quanto a sociedade possa querer que acreditamos. Precisamos de marcas, faróis, guias para nos orientarmos.

Celebrando os ciclos nos lugares onde os nossos antepassados celebraram igualmente a sua ligação à Natureza, seguimos a tradição e juntamos à consciência colectiva. Juntamos a nossa à energia que foi criada por todas as mentes que já rezaram no mesmo sítio (ler mais) . Manter a energia viva, dedicando o nosso coração e meditando no espaço onde tantos outros já meditaram, é assim um serviço para o Bem Comum. Os rituais e cerimónias ligados à Natureza servem um propósito maior!
Para todos que participam nestas meditações, há naturalmente também algo pessoal - tudo o que se faz para o Bem Comum, acaba por ser construtivo e positivo para o individuo. Para além deste retorno natural e automático, há o aproveitamento imediato da energia harmoniosa do lugar... Mas talvez não seja este o "ganho" maior.
O simples facto de ir, de dedicarmos um pouco do nosso tempo e esforço, de comprometermos com algo, e consequentemente a disciplina que precisamos para mantermos ligados aos ciclos, torna-se um contributo muito importante para o caminho espiritual.
O próprio ritual acaba por ser uma preparação e um treino para a mente ter mais facilidade de se entregar. A mente é treinada para aceitar que pertence à União, ao Aqui e Agora, em vez de seguir a sua tendência natural de se centrar no ego e de se separar no tempo.

E isso é de facto uma libertação! A mente começa a se habituar que não existe para girar a volta de si própria, mas sim para perceber o seu lugar no conjunto. Assim pode entregar-se e aceitar a União que existe e perceber que só existe o Eterno Agora. Nesta entrega, a consciência pode realmente juntar-se à Consciência Universal, onde tudo tem um lugar próprio, onde tudo tem uma função, onde tudo é preciso para todo o resto poder funcionar. As limitações, restrições e apertos do dia-a-dia perdem as proporções inflacionadas pelo ego.
Na entrega ao Eterno Agora, a distinção entre o Bom e o Mal perde importância: há energia harmoniosa ou desharmoniosa, e fluímos constantemente entre os dois polos. Nada é estática, tudo muda, continuamente. Não existe algo como "dependência" mas sim "interdependência" - há igualdade, mesmo quando o nosso ego quer fazer-nos crer que as circunstâncias exteriores dominam a nossa vida. Na interdependência somos co-criadores da realidade, participantes activos. Somos a vida - todos juntos.
Os rituais treinam a mente, ajudam a criar condições para que o ego aceita fazer um passo para trás para a energia universal poder entrar. Para isso é preciso disciplina, dedicação, e algum esforço... caminhar é assim mesmo.

A celebração dos ciclos da natureza é um ritual antigo, mas o que funciona para uns, pode não funcionar para outros. Há quem faça peregrinações; há quem faça prosternações. Há quem vai à missa; há quem se disciplina com yoga ou tai-chi. Cada um vai criando os seus próprios rituais. Quem já encontro a sua maneira sabe, que o método não é o mais importante - o mais importante é o caminhar em si. Não caminhamos para a felicidade - a felicidade é o caminho.


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