Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sábado, 24 de outubro de 2015

Aceitar o momento, ou a viagem além do Ego

Os grandes mestres ensinam: "O momento de Agora é o único momento que existe."

Dão a entender que o passado e o futuro são feitos de pensamentos e conceitos, construidos pela mente... o que em si é razão suficiente para dizer que futuro ou passado não são "reais". Passado e futuro estão entre as orelhas. Se os mandar fora, o que resta? Algo a que chamamos Agora.

Uma ideia muito reconfortante, esta de não existir nada além do que aquilo que experimentamos no momento. O que há é a sensação do corpo, a situação em que este se encontra, e mais do que aquilo não existe realmente. Em constante mudança, todos os momentos do Agora são perfeitamente únicos e imprevisíveis.

Aceitar a ideia que não existe nada além do Agora, é um método eficaz para ir além do Ego - que é aquela parte da mente que se preocupa com o futuro e com o passado; que sofre de emoções e que trabalha com (pre-)conceitos.

Ao treinar a mente observar o momento e sentir o Agora, estamos a desenvolver uma ferramenta muito forte que nos pode ajudar lidar com o Ego. Quando começamos a limitar a experiência ao Agora, deixa de haver a necessidade de sentir culpa ou dúvidas acerca do passado. Também deixa de haver necessidade de alimentar ansiedades acerca do futuro.

O que é o Agora?

Encontro bastante pessoas que parecem ter dificuldade de se entregar ao Momento. Nas meditações, têm dificuldade em se relaxar, quando notam que a mente continua activa, distraíndo do Aqui-e-Agora, para puxar para acontecimentos do dia-a-dia. Por isso, parece ser útil reflectir um pouco acerca do "Agora". O que é o Agora e como nos relacionamos com este momento?

Em cada momento da existência, a mente vai criando (através do sistema nervosa e o cérebro) uma imagem daquilo que encontra no corpo e aquilo que lhe chega do ambiente através dos órgão sensoriais.

A sucessão das imagens criadas é tão rápida que parece existir um fluxo contínuo, sem que se toma consciência que afinal é uma sequência de imagens individuais. Comparamos com o cinema em que a ilusão de uma imagem contínua é criada pela passagem de 24 imagens por segundo. E também na nossa mente é disso que se trata: a ilusão de uma realidade contínua, que se desenrola separadamente do "eu" que observe.

Só que há aqui um pormenor importante: quem julga estar no filme/ilusão da realidade, é o Ego...não o "eu".

"Ego" acaba por ser uma ideia de um "eu" que existe separadamente daquilo que é observado no exterior. É o actor no filme. É o pensador - o corpo - o actor na ilusão de uma realidade continua.

É uma "entidade" com características únicas, tais como uma personalidade, um passado, competências e preferências, uma aparência e características físicas. É algo apegado à ilusão, às suas crenças e convicções e acredite que é realidade o que sente e pensa. Ego apega-se, procura estabilidade, acredita que há um status-quo que pode e deve ser mantido. Assim, também não tem espaço para experiências fora do enquadramento das suas crenças, da sua educação e cultura, acabando por ser preconceituoso, rejeitando o que é diferente do seu ideal.

O sofrimento do Ego

O Ego sofre, e acredita que é necessário impor condições para que não haja mais sofrimento. Acredita que a maneira mais certa de viver sem sofrimento, é seguir normas e aceitar verdades vindo da sociedade em que vive. Basicamente, quer seguir regras de vida para que a vida seja vivida como deve ser. Se olharmos à nossa volta, vemos que isso acontece em muitas formas: pessoas que pensam que não são suficientemente bons; pessoas que pensam que precisam de crescer e aprender para poder ser feliz; pessoas que tem um baixo auto-estima e amor-próprio, e procuram aprovação vindo do exterior

Mas paradoxalmente, a procura para viver de maneira certa, é uma negação de si próprio, porque o "eu" é muito mais do que o ego alguma vez imaginou que podia ser.

O momento de viragem acontece quando perdemos o norte, quando sentimos que não temos rumo. Quando há um pressentimento que não estamos a viver a Verdade.

Mas que Verdade? A única instância em nós que tem experiência de uma realidade, ou verdade, é o Ego. Também é a única instância em nós que tem noção de uma não-verdade.... é o Ego. Porque o Ego aprendeu não só ter em consideração o que pode acontecer no futuro, como também se habituou considerar verdade ou realidade o que aconteceu no passado.

São crenças que impedem ver as possibilidades infinitas do Agora. Podemos até afirmar que para o Ego é impossível ver no Agora outras coisas do que aquilo que aprendeu. E mais ainda: o Ego procura manter a sua posição, agarra-se às suas crenças...

É bastante curioso como tudo isso funciona. Sabemos que o conjunto das nossas crenças, características pessoais e personalidade é único e irrepetível. Sería absurdo considerar as experiências de alguém como verdade - não podemos saber o que é a experiência desta pessoa. Mas achamos que sim, que entendemos a experiência de alguém, e se esta não está em conformidade com as nossas próprias crenças, somos capazes de as rejeitar. Somos capazes de "negar" as experiências de outros, de não acreditar numa verdade diferente da nossa. O que resulta numa espécie de desumanização do outro, por assim dizer.

Por muito "iluminados" que somos, este é uma armadilha que está sempre à espera que caímos. Em que verdades acredita? Que imagem, que conceito tem de si, dos seus valores, das suas normas, das suas verdades?

O Ego está sempre a tentar manter as suas crenças vivas - até haver uma consciencialização que todas as percepções não são mais do que isso mesmo: são imagens percepcionadas. O único constante, a única verdade nesta equação é o observador: a Consciência.

O Caminho para o Eu, além do Ego 

No nosso caminho para a Verdade Interior, o processo de desapego ajuda libertar-nos da ilusão, e ajuda-nos a entender que objectivamente não há uma verdade ou não verdade. Vamos observando os nossos pensamentos, reacções, comportamentos e apercebendo que não há verdade ou não verdade neles, até poder aceitar a situação e sentir tranquilidade com cada uma destas percepções. Fazendo isso, gradualmente vamos recebendo a resposta à questão: Quem sou Eu?

 Estamos a falar sobre o processo de aceitação da nossa vida, a aceitação de quem somos. Importa não confundir aceitação com resignação - a aceitação liberta a carga emocional de uma memória ou situação, enquanto a resignação significa aceitar ter que carregar com a carga emocional.
Uma vez chegado à aceitação, podemos sentir gratidão: aquilo que aceitamos, faz parte de quem somos. E ser quem Somos é o que queremos. Só por isso já vale sentir gratidão por tudo que nos aconteceu.

Quando estamos no caminho da descoberta quem Somos, o Ego aprende observar e perceber que não há "verdade" na percepção. Não vale a pena julgar o que encontramos - nem sequer quando observamos algo desagradável. Tudo é tão "verdade" como é "não-verdade"... Podemos treinar a mente de pensar, cada vez que observe algo desagradável (como frustração, indignação, ira ou fúria, tristeza, solidão....) que não há "verdade" naquilo que observe. Mais ainda, podemos treinar a mente de sentir gratidão - porque no fundo, tudo que acontece é algo que te ajuda ser quem És.
É claro que no início pode parecer uma gratidão falsa - por ser criada de propósito. Mas gradualmente vai poder notar que assim o poder das emoções negativas, desaparece. Vai poder viver a sua vida, em vez de se sentir sujeito às más ondas.
O Caminho da Alma não é só um caminho de entender com a cabeça, é um caminho de aprender através da experiência. Basta começar a aplicar! Dizer "ah mas é tudo tão difícil" ou "estou ainda no início" são julgamentos a partir de uma ideia préfabricada que há uma norma ideal. Pensar "vou tentando, ainda não consigo" também é um pensamento vindo do Ego, que anseia fazer aquilo que é certo. Mas não, não há uma verdade única ou situação ideal que é preciso atingir. Existe somente o Momento em que estamos Agora.


(cont...)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Lua Cheia em Touro... um momento de calma

Na altura do Equinócio do Outono, estava no ar a promessa de uma onda energética forte. Os eclipses do Sol e da Lua trouxeram turbulência, e se já sentiamos os mêses anteriores agitados e caóticos, a intensidade só parecia aumentar. Um período de transformação profunda - que coincidiu com o início do período da introspecção do Outono. Foi um tempo de mexer com todo o que estava guardado no lodo das nossas águas profundas.

Agora, quando a Lua estará cheia no signo de Touro, a 27 de Outubro, chegamos a um momento de calma, em que reina a sensação de força e sabedoria. Um momento de sentir consolidação após a reviravolta, em que vemos mais claro os nossos valores, objectivos e verdades.

Como em todas as Luas Cheias, chegamos a um ponto alto, e a luz da lua ilumina o que conseguimos, realizámos, manifestámos. A Lua estará no signo de Touro que traz estabilidade e enraizamento, conectando-nos com a doçura genuína da Terra. A ligação Terra-Lua é mais forte neste signo, fornecendo um ambiente em que sentimos que há estabilidade e firmeza na Terra, que temos aqui um lugar seguro para pôr os nossos pés e fazer o nosso caminho.
Altura de celebrar a Natureza, portanto. Um convite para fazer uma pausa nas actividades frenéticas do dia-a-dia. Reina uma vontade de serenar, acalmar e repousar na confiança calma da nossa verdade pessoal.
O Sol encontra-se em Escorpião, signo da verdade emocional. Escorpião trata daquilo que está escondido por baixo da superfície - e não é só Luz que encontramos aí. Somos feitos de opostos:  luz e sombra, positivo e negativo, morte e renascimento. Escorpião é o signo dos mistérios, da paixão, sensualidade, obsessão, e é altura de mergulhar nestas profundezas também. Há aspectos em cada um de nós que experimenciamos como negativo, que não gostamos de exprimir, e Escorpião convida-nos de amar incondicionalmente quem somos - o que inclui a luz e a sombra - para criar equilíbrio e plenitude.
Terá mais energia se perdoar as suas imperfeições, sem julgamento, sem crítica, observando apenas o que se passe por dentro. Deixa para trás o drama e a dor que a mente se habituou criar à volta da sombra. É hora de se libertar.

Meditação e Cerimónia da Lua Cheia
Terça feira, 27 de Outubro, 17h45
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...