Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Lua Cheia em Sagitário - Serás aquilo que pensas

No sábado 21 de Maio, quando o Sol está em Gémeos, a Lua Cheia aparecerá em Sagitário. A próxima Lua Cheia terá lugar no mesmo signo - como se fossem dois parágrafos na mesma história, a história do herói numa busca espiritual, tão bem retratado pela imagem do arqueiro-cavalo que é o Sagitário.

 No decorrer do ano o Sol e a Lua passam pelo Zodíaco, acompanhando a nossa alma na sua evolução natural. A Lua Cheia marca picos energéticos, iluminando realizações, manifestações, o auge de um ciclo - mas se tivermos duas luas no mesmo signo, aquilo que descobrimos na primeira Lua Cheia pode só ser completamente exposto e entendido por altura da segunda Lua. De qualquer modo, esta primeira Lua Cheia é importante no sentido de ser um ponto de viragem, um avanço importante para a consciência.

E do que se trata esta Lua, que aspecto da nossa evolução espiritual é tocado?

O Sol encontra-se em Gémeos, que simboliza a nossa natureza dual - humano e divino. Através da experiência da vida tornamos gradualmente consciente dessa dualidade interior - entre espírito e matéria, corpo e alma, o Eu Superior e o Ego. O desafio como alma encarnada neste mundo, é caminhar desta dualidade até a consciência da União, quando podemos "pensar com o coração", indo além da ilusão de estarmos separados do Divino.
A Lua estará em Sagitário, signo da aventura que começa (e se perfaz) no interior. A aventura que começa na mente, no coração, na alma! Sagitário, idealista, visionário, é irrequieto e deseja seguir as suas visões em liberdade. Mas qual é a direcção desta jornada?
No período entre as duas Luas Cheias, ambas no par Gémeos-Sagitário, somos chamados para reconectar com a nossa fé, renovar através das nossas acções, a esperança. É uma viagem para um significado mais elevado para a vida.
No lado escuro do Sagitário encontramos o fanático, o fundamentalista. Mas neste momento, com Marte retrógrado ainda, talvez não seja boa ideia de reagir às situações com o instinto... mais vale ficar conectado com o coração e agir a partir da sabedoria interior.

A sabedoria interior é uma "voz", um guia, que aprendemos a escutar quando ficamos em silêncio.

Um silêncio diferente do silêncio exterior, que procuramos para poder meditar naquele lugar e naquele momento onde não há sons que incomodam. Este será sempre apenas uma circunstância, em que podemos apoiar-nos na procura do silêncio interior.
O silêncio interior também não é quando "deixamos de pensar"- porque a mente há de pensar sempre...
Acontece quando a alma encontra aquele plano em que pode observar sem impulso automático de reagir, julgar, opinar. Quando podemos ouvir os sons que estão à nossa volta (independentemente da sua origem ou da qualidade) sem sair do plano de atenção, de observação. Quando podemos sentir o calor do sol na pele, cheirar o perfume da natureza, sentir o andar da formiga; e ficar.
Podemos ter a sensação que conseguimos inclusivo observar os próprios pensamentos sem sentir atracção a um ou aversão a outro. Se isso acontece, e quando podemos repousar nesta observação, abrimos a consciência para uma realidade diferente, uma vivência diferente, um contacto mais profundo com a nossa natureza.

A meditação feita na natureza, como fazemos no Cromeleque na altura da Lua Cheia, pode lembrar que a natureza do nosso Ser não está limitada à nossa forma física. No contacto com a Terra, o Céu, a Lua, com os Seres da natureza e do cosmos, sentimos que existe uma ligação directa e sem limites com tudo que É.

A armadilha maior que encontramos quando encarnamos como Ser Humano, é identificar o Eu com o corpo e basear o nosso pensamento e a nossa experiência no pressuposto ilusório que vivemos separados daquilo que nos rodeia. No entanto, não hesitamos em afirmar que "temos um corpo"...temos todos a noção que temos uma Alma.
No dia-a-dia, nos pensamentos e atitudes correntes, temos a tendência de esquecer que somos "Filhos de Deus" - criados a semelhança d'Ele. Somos Seres de Luz que passam por uma experiência humana.
A instância em que podemos sentir esta centelha divina, é quando começamos a ter consciência de quem somos. Quando surge um pensamento e podemos observar como se manifesta, provocando reacções no corpo, como desaparece a seguir se não nos apegamos através de um julgamento.
Quando a Luz da nossa Presença se apercebe que pode também criar pensamentos intencionalmente e que não precisa de ser levada pela corrente de pensamentos criada por hábito, por ser ensinado assim, ou simplesmente por preguiça, ignorância ou insegurança.
Aí podemos surgir como um Ser livre - que pode sentir tudo que é, ouvir e ver e perceber tudo que acontece , tudo que vem ao seu caminho, sem se sentir coagido de ser algo diferentes do que si próprio.

Ao fazer a cerimónia da Lua Cheia, não estamos a "adorar" o Sol ou a Lua ou a Terra ou as pedras. A cerimónia serve para criar, como Seres livres que somos, a energia da gratidão, da aceitação, e da compaixão. Ao escolher estar nesta energia, e sabendo que não só estamos ligados à Natureza, mas que verdadeiramente Somos a Natureza, contribuímos para a criação de uma realidade em que a gratidão, a compaixão e a aceitação se manifestam.


Meditação e Cerimónia da Lua Cheia
Sábado, 21 de Maio, 20h00
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.

Estão todos bem-vindos!





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