Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Olhar o Céu - celebração da Lua Ceia

Neste fim de semana, a Lua Cheia vai aparecer em Capricórnio, oposta ao Sol em Carangueijo.
Em vez de elaborar os temas desta Lua, queria escrever sobre os ciclos e como os movimentos ciclicos dos corpos celestes podem contribuir para uma maior consciencialização e melhor compreensão da nossa vida e da nossa evolução como ser Humano. Muito se tenha escrita sobre a importância desta Lua, como sendo um momento energetico que vai provocar mudança profunda no nosso ser. (mais acerca disso no final deste texto)

A celebração /meditação da Lua Cheia terá lugar no domingo, 9 de Julho, às 20.30h
no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.


Olhando para o céu é difícil não ficar maravilhado pelo mistério dos corpos celestes. O céu não é estático ou fixo: as estrelas mudam de posição ao longo do ano e todos os dias o Sol e a Lua aparecem em posições diferentes, como se estivessem numa dança cósmica, seguindo ciclos e padrões...

Estamos habituados a pensar no ciclo da Lua como uma dança a solo, em que ela cresce, muda de forma, diminua e desaparece para renascer. O ciclo da Lua na verdade é uma dança em que o par é o Sol: a forma da Lua muda com a quantidade de luz refletida do Sol, observável a partir da Terra. A medida que a Lua dá a sua volta à Terra vemos mais ou menos luz reflectida, o que se relaciona com a quantidade de energia lunar que está conscientemente disponível.

Do ponto de vista astrológico, a Lua representa a parte emocional e sentimental da psique, bem como a intuição e criatividade. Ela liga-nos ao subconsciente e é nossa primeira ligação com os aspectos não físicos. A Lua representa os aspectos mais pessoais de quem somos, incluindo a nossa necessidade primordial de estarmos ligados aos outros. A raíz desta necessidade está no relacionamento com a nossa mãe e família de origem - simbolizando a nossa necessidade de receber nutrição. Ela indica o que nos faz sentir nutridos, bem como a forma como gostamos de nutrir os outros. A Lua abre caminho para o nosso sentimento mais primitivo, a Criança Interior, frágil e gloriosa. A energia da Lua representa o elemento Água, movendo se com fluidez de uma intuição para outra...

O Sol, por outro lado, simboliza a mente e o rácio, o nosso propósito e a nossa identidade. É a força motriz fundamental da vida, que fomenta o nosso crescimento. O Sol faz nos expandir, dá forma a quem somos, como a vegetação que se desenvolve, formando plantas e árvores sob a luz e o calor do Sol. É o sentido primordial de nós próprios. O Sol mostra como nos vemos a nós, o que muitas vezes é diferente daquilo que os outros vêm de fora! Alimenta a nossa força de vontade e intenção consciente.
A energia do Sol representa o elemento Fogo, inspirando-nos a irradiar o espírito de quem somos, partilhando com todos o nosso brilho.

O signo em que está o Sol no dia do nascimento, transmite as características com que mais facilmente transmitimos o nosso sentido de identidade e propósito. O signo em que se encontra a Lua no momento do nascimento mostra o que nos faz sentir realizados ao nível de segurança interior, de sentimento de pertença e como nos sentimos apoiados.Também mostra como acedemos e exprimimos a nossa criatividade e intuição: é o portal principal para o lado místico, oculto, não-racional do nosso ser.

Independentemente do signo astrológico, respondemos às energias de todos os signos. Ter o Sol num certo signo significa que há mais ênfase nas características desse signo - mas dentro de nós encontramos as energias de todos os outros signos, já que o zodíaco reflecte todo o espectro da experiência que o Ser Humano atravessa. Assim, à medida que os ciclos lunares se sucedem ao longo do ano, temos a oportunidade de crescer e expandir-nos nas áreas relacionadas com o signo de cada Lua Nova - que coincida com o signo em que o Sol se encontra.

O Casamento da Lua e do Sol
Olhando para o céu, e seguindo a dança da Lua e do Sol pelo Zodíaco, podemos acompanhar conscientemente a nossa evolução emocional e espiritual.

Lua Nova - Intenção


A Lua Nova é altura de plantar a semente para o próximo ciclo. Que temas de aprendizagem e crescimento foram iniciados na Lua Nova? As qualidades do signo em que se encontra a Lua Nova influenciam os eventos que se desenvolvem enquanto a Lua vai crescendo. A manifestação dos temas acontece no período da Lua Cheia, e podemos aplicar e integrar esses mesmos temas na nossa vida no período da Lua Minguante. Quando a Lua mergulha novamente na escuridão da Lua Nova, é altura de libertar para na Lua Nova seguinte colocar nova intenção na semente do próximo ciclo. Como queremos cultivar a energia resultante do ciclo passado? Plantamos nova semente... para colher o fruto da nossa intenção na Lua Cheia.

Lua cheia - Manifestação e Colheita
Quando chega a Lua Cheia, tudo o que tem vindo a desenvolver-se, atinge agora a abertura total. O Sol e a Lua estão agora opostos um ao outro no céu, a Terra no seu meio. A energia lunar emergiu completamente, vindo da escuridão do inconsciente, iluminado pela luz da consciência do Sol. As possibilidades, ocultas na altura da Lua Nova, manifestam-se agora como realidades.

Psicologicamente, a experiência do domínio interno está no auge - sentimos e temos consciência das emoções e necessidades, da intuição e da nossa ligação com o subconsciente. Se não temos consciência de nossa dinâmica interna, ou se ainda não aprendemos a separar nosso drama emocional interno do nosso comportamento externo, corremos o risco de impulsos primitivos explodirem antes de percebermos o que está acontecendo. Por outro lado, se cultivamos alguma autoconsciência e adoptamos maneiras construtivas de lidar com paixões e sentimentos, a Lua Cheia pode ser um momento de energia poderosa.

Nos dias de Lua Cheia há magia no ar. Com a energia dela podemos usufruir daquilo que nasce nas profundezas dos nossos desejos e impulsos. O Sol e a Lua estão em harmonia, num casamento perfeito de vontade consciente e intuição mística. Importa manter agora em mente que as energias para a totalidade do nosso ser: é fulcral procurar equilibrio entre os sentimentos, necessidades e impulsos por um lado e a autoconsciencia e realismo no outro lado, para não ficar "aluado". Se cuidamos do equilibrio, podemos aceder à "sabedoria lunática", em que o Grande Mistério e o eu Superior falam connosco.

Lua Cheia no Cromeleque dos Almendres

As noites da Lua Cheia são celebrações do Casamento Celestial: a força masculina do Sol une-se com a força feminina da Lua. A Terra está no meio, como a filha que tomou a sua forma neste encontro.
Nós, seres humanos, somos na profundeza do nosso Ser, resultado da interacção de forças semelhantes. Olhando para a Natureza, podemos perceber que a nosso vida física, bem como as condições em que a nossa vida se desenvolve, resultam de uma relação entre a Mente e a Alma. No contacto com a Natureza, podemos chegar à reflexão sobre o equilíbrio que estabelecemos em nós, e entender que uma vida saudável e harmonioso resulta de uma relação saudável e equilibrado entre o que vai no nosso coração e na nossa alma, por um lado, e a nossa mente racional e lógica por outro lado.

Há milénios que o Cromeleque existe como monumento aos ciclos da natureza. Muitas gerações já celebraram aqui a União com a Terra - cada um à sua maneira, com os seus próprios rituais. E mesmo para o Homem moderno, continua importante a celebração. Também para nós continua a ser fulcral perceber que não Somos em vão. Que a nossa vida faz sentido.

A ritual is the enactment of a myth. And, by participating in the ritual, you are participating in the myth. And since myth is a projection of the depth wisdom of the psyche, by participating in a ritual, participating in the myth, you are being, as it were, put in accord with that wisdom, which is the wisdom that is inherent within you anyhow. Your consciousness is being re-minded of the wisdom of your own life. I think ritual is terribly important.
Joseph Campbell, "The Wisdom of Joseph Campbell," New Dimensions Radio Interview with Michael Toms, Tape I, Side 2


Um ritual é a encenação de um mito. E, ao participar no ritual, você está participando no mito. E já que o mito é uma projecção da sabedoria profunda da psique, participando num ritual, participando no mito, você está sendo, por assim dizer, colocado em sintonia com essa sabedoria, que é a sabedoria que lhe é inerente de qualquer maneira. A sua consciência está sendo lembrado da sabedoria na sua própria vida. Eu acho que o ritual é muito importante.
Joseph Campbell, "A Sabedoria de Joseph Campbell"

A celebração /meditação da Lua Cheia terá lugar no
Domingo, 9 de Julho, às 20.30h no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora


Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequado para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!


Acerca dos temas desta Lua Cheia, em Capricórnio, oposta ao Sol em Caranguejo, reproduzo aqui as palavras de Ana Carrilho (Círculo da Deusa)Ç
Capricórnio simboliza a nossa segurança no mundo, a nossa estabilidade física, material, financeira, as estruturas sociais que são o palco em que vivemos; as nossas conquistas exteriores, aquilo que materializamos...
Caranguejo, o signo oposto, onde está o Sol, simboliza as nossas emoções, sentimentos, a forma como nos sentimos seguros emocionalmente, a forma como cuidamos de nós, aquilo a que chamamos lar (que nem sempre é uma casa)...
Em Capricórnio, a Lua vai encontrar-se com Plutão, o senhor do «submundo». Nestes últimos dias, já sentimos Mercúrio a fazer oposição a Plutão, sendo que agora é a vez de Marte... Temos pessoas e circunstâncias a pressionar «botões proibidos», mostrando-nos a nossa «sombra», o nosso «submundo»: Tudo o que não queremos ver em nós, que acreditamos que é causado por este, por aquela, porque aconteceu ou deixou de acontecer assim e assado. Levantam-se irritações, culpas, vergonhas, desejos, medos, ciúmes, invejas, tristezas, …
Parece-me que a lição raiz é acerca do controlo e da perda ou ausência de controlo. Colocamos o nosso poder e a nossa segurança no exterior: nas coisas, nas pessoas e nas circunstâncias que nos rodeiam. Como não queremos assumir a responsabilidade pela nossa infelicidade, abdicamos do poder que temos sobre a nossa felicidade.
Habituamo-nos a que tudo seja de um certo modo e esperamos arrogantemente que esteja sol e calor só porque é Verão; esperamos que as outras pessoas ajam como nós achamos que elas deveriam agir; temos uma super-aversão a deixar partir aquilo que tomámos como nosso – desde formas de (re)agir e pensar, a empregos, a estados de saúde (e doença), a relações e pessoas. Pensamos «Isto é meu e isto é assim. Sempre foi assim e sempre há-de ser.»
E eis que Plutão entra em acção, como nesta semana, e nos diz: «Vou-te levar isto. Desenrasca-te.»
A tendência é sentirmo-nos impotentes. Dependendo do que a Vida leva, a nossa reacção pode ir desde a irritação à profunda depressão...
O segredo é (re)descobrir o verdadeiro poder, a verdadeira segurança – é trabalhar os alicerces internos, torná-los simultaneamente mais resistentes e mais flexíveis.
Porque quando a Vida nos tira algo, está a querer lembrar-nos da nossa capacidade de Criar.
Somos levados a pensar que a felicidade é algo que sentimos se a Vida nos der as condições certas, quando, na verdade, a felicidade é responsabilidade de cada um, a cada momento. É algo que temos de criar interiormente para conseguirmos conquistar as «circunstâncias» que nos são mais adequadas.
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