Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Curar a Criança Interior - Ouvir a voz do passado

Quem lê esse texto,  provavelmente vê-se como sendo uma pessoa adulta. Maior de idade, livre para tomar as suas decisões, independente. Pode ser uma pessoa que procura a harmonia, com a intenção de tratar o próximo com compaixão. Alguém que procura amar - e ser amado.
E isso até pode ser verdade, se olhamos para o presente em que vivemos conscientemente. Mas quantas vezes não acontece que, numa determinada situação, surgem reacções emocionais que impedem respostas conscientes, compassivas e com respeito?
Todos conhecemos estas situações, em que o nosso "calcanhar de Aquiles" nos faz escorregar... Quando somos confrontados com o nosso "ponto fraco" pode acontecer que, instintivamente, temos uma determinada reacção que por sua vez impede um olhar aberto e imparcial.
Querem exemplos? Que tal de: Medos irracionais; ataques de fúria quando confrontado com situações de injustiça; ataques de pânico; retirar em silêncio quando confrontado com crítica ou a possibilidade de haver crítica; sentir-se atacado quando questionado; ataques de ansiedade ao pensar que alguém pode ter um julgamento.... a lista é enorme. São padrões de comportamento que inconscientemente podem surgir e se repetir.
Se vemos este fenómeno pelo prisma do Karma, podemos dizer: o padrão vai se repetindo até aprendermos a lição.
Se olharmos para o fenómeno recorrendo ao modelo da Criança Interior, podemos ver que o padrão se vai repetindo, até entender a sua origem e a ferida emocional ser curado.

A Criança Interior

Nesta visão sobre o desenvolvimento humano, a personalidade é formada à volta de um núcleo inicial: a nossa forma pura. Podemos entender esta forma pura como a nossa energia original em todo o seu potencial. Não se trata de classificar o núcleo como bom nem mal: é a nossa forma original.
Começamos a vida como um ser puro: inocente, natural, confiando no ambiente em que nasceu mas inadaptado a este e completamente dependente.
Este ser puro, esta forma pura, ainda existe em cada um de nós, embora escondido e pressionado por uma camada crescente de emoções dolorosas. No decorrer dos anos, aquele ser encontre dor e sofrimento ao ser confrontado com emoções e comportamentos das pessoas à sua volta. Pais e irmãos, a família e amigos, professores e colegas de turma: pessoas iguais a todas as outras, à procura da felicidade, não sabendo como a conseguir...  Podemos chamar a este aspecto da criança interior a criança magoada.

Para amenizar o drama e evitar um drama maior, a criança desenvolve estratégias de protecção. Por exemplo: para não sentir medo, esconde-se. Ou: para não sentir-se inferior, torna-se agressivo. As estratégias emocionais são tantas quanto há feridas emocionais; a armadura que é desenvolvida para se proteger contra a dor e o sofrimento é pessoal e única. A estratégia emocional de protecção ajuda a sobreviver quando o mundo é sentido como ameaça.
É óbvio que as estratégias são necessárias ao desenvolvimento da criança, no sentido q ueajudam a encontrar um lugar no mundo. Infelizmente, por terem sido desenvolvidas no passado, podem ser completamente desadequadas em situações novas. No entanto esta avaliação não tem lugar, há um reagir instintivo, muitas vezes mesmo imparável. O ego que se formou à base das experiências pode tornar-se incómodo para o próprio, podendo limitar mesmo o verdadeiro amadurecimento.

Mas certo momento percebemos que "sobreviver" não pode ser tudo que a vida tem para oferecer. Percebemos que faz falta amor-próprio: uma instância interior que guia - com amor e bondade. Faz falta uma força interior que conduz para um desenvolvimento pleno, em que é possível desfrutar da vida, experimentar liberdade, alegria, auto-estima: o adulto gentil e carinhoso.

Ao encontrar este adulto gentil e carinhoso, a criança interior que está no modo de sobrevivência pode começar a relaxar. A criança magoada pode voltar a sentir se ouvida, entendida, amada. A criança pura pode voltar a mostrar o seu potencial e reencontrar a sua confiança e fé original.

As relações com o mundo mudam, se voltamos a encontrar a pessoa adulta gentil e carinhosa. Abre-se o caminho para uma vida livre, em que a pessoa pode amar, e ser amada.
Esse é o propósito da cura interna da criança – parar de permitir que as nossas experiências do passado ditem como hoje respondemos à vida. 

A cura não pode ser feita sem revisitar a nossa infância. Precisamos de aumentar a nossa consciência e criar um outro nível de consciência que nos permita observar-nos, abraçar-nos e educar-nos novamente, como se de uma mãe/pai interior se tratasse. Numa terapia de Cura da Criança Interior, recorremos a diversas formas de meditação para resolver os assuntos do passado. A prática de mindfulness é importante, mas também a prática do perdão através de Ho'oponopono. Depois haverá a meditação de cura propriamente dito - mas também pode ser necessário uma preparação para ganhar coragem em enfrentar a emoção....São aproximações que promovem o relaxamento e o entendimento de como a dor e a mente interagem. Outras práticas podem ser necessárias, cada pessoa precisa e merece um percurso individualizado. Quer mais informação ou falar sobre o seu caso? Contacta me através do email!

O workshop da Cura da Criança Interior que terá lugar este fim de semana, em Moura, funciona como uma introdução ao tema.
Veja o evento na página da Zen Atitude !


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