Quando falamos sobre a entrega, do que é que falamos em concreto? Na meditação, a entrega acontece quando permitimos a mente de fazer um passo para trás. Quando a mente passa para uma postura de observação pura, e permite que a consciência mais abrangente surge.
Encontramos a chave para poder chegar à sensação de entrega total, quando estamos pronto de deixar de querer controlar o que está acontecer. Abrir mão do controlo sobre os acontecimentos, é um passo significativo que requer confiança! Mas é um passo indispensável para quem realmente deseja conhecer-se a si e à sua verdadeira natureza.
O ser humano tem várias maneiras de ter um "sentimento de si". O que chamamos a nossa "mente" acaba por ser o resultado de tudo que processamos no cérebro. São pensamentos, memórias, expectativas, em sumo, é actividade cerebral. Não é algo identificável, e o seu funcionamento - e existência - depende da maneira que o sistema físico (as células do sistema nervoso) foram condicionados por experiências no passado. Assim, é algo criado ao longo da vida - o que leva a concluir que não somos a nossa mente.
Pode ser tentador identificarmos com a actividade mental, principalmente quando esta está muito presente e activa. Encontramos na actividade mental a nossa personalidade, o passado, as expectativas sobre o futuro, mas também o lado emocional.
Mas ás vezes há um vislumbre do que há atrás disso, uma outra presença. É aquele elemento que faz nos entender que os pensamentos ocorrem, aquela "vozinha" que nos lembra que o que sentimos está acontecer a nós. É a nossa consciência.
A consciência existe - sempre. A descoberta desta realidade atrás da actividade mental, é a porta para novas dimensões que a mente nem sonha que existem - porque a mente baseia-se na existência física do corpo.
A consciência por sua vez, está ligada à essência da vida: é o sentimento de Ser, a sensação de Vida, é um vislumbre do Significado. Nas palavras de António Damásio: É através da consciência que conhecemos a Vida.
A consciência também funciona como a porta para o contacto com outros mundos, que são "invisíveis" no dia-a-dia, e aos quais acedemos em estados alterados de consciência - ou em meditação.
Podemos encontrar essa porta quando aceitamos ir além da actividade mental. Basta abrimos mão da ideia que são os nossos processos mentais que nos definem! Basta aceitar que estes são apenas o revestimento, o Ego, que mantém coberto o Eu. Além das nossas emoções, reacções, padrões de comportamento, para além do nosso Ego: somos Alma, Espírito, Consciência...
A maior barreira que encontramos no contacto com a consciência alargada, talvez seja o medo de perder o controlo. Os acontecimentos no passado, gravados pela mente, lembram-nos da dor que já experimentamos e que se quer evitar no futuro. O receio de perder o controlo, é um voto de desconfiança perante a própria vida... e mantém-nos separado do nosso verdadeiro Ser - que vive no Momento. Através da entrega, acedemos à vivência do momento!
A entrega é um pouco parecida com a Morte... é uma libertação de todas as ideias feitas sobre quem somos. Indo para além da zona de conforto, além da falsa segurança que a mente oferece, podemos descobrir o mundo, feito de mudança, onde a perda não existe, onde cada momento é a Vida. É o reino da aceitação, do perdão, da mudança e da descoberta da Verdade.
Talvez seja mesmo um pouco como morrer... para poder descobrir quando perdemos o medo da Morte, temos acesso a vida sem fim, ao eterno começo.
Para poder descobrir que a entrega, afinal, leva à liberdade.
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| surrender.... |
Letting go of the image
of how life 'should' be
Sinking into the vast mystery
of the present moment
Embracing change and loss
as misunderstood friends
Falling in love with where you are
This is the path
for those who know there is no path
Only endless destinations
and never-ending beginnings
- Jeff Foster



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