Nota-se em geral uma vontade crescente de deixar para trás um passado que nos levou a um estado de destruição maciça, não só da natureza, mas também em termos de relações humanas e entre nações.
A consciência que já passamos por um período de preparação está presente em muitos. Cada vez mais pessoas empenham-se nalguma forma de trabalho espiritual, de modo que se possam adaptar à mudança energética e dimensional que se avizinha.
Enquanto as crises nacionais e internacionais se agudizam - e conhecemos a elas sob muitas formas: financeiras, de confiança, da democracia, de identidade religiosa, ou de alimentação - a Verdade também se mostra cada vez mais nítida: Estamos aqui e agora, para mostrar, partilhar, sentir e experimentar quem SOMOS.
A nossa Vida é, em si, uma homenagem à Criação, e o caminho de cada um, uma manifestação da força primordial - as nossas Almas são como raios que partiram da Fonte da Luz que criou tudo que é.
Mas parece haver em nós uma barreira que à vezes parece intransponível. Parece que é difícil chegar à nossa essência, ao sentido da nossa vida. O que pode impedir o nosso conhecimento de quem Somos, é a nossa mente.
A nossa mente sabe como criar hábitos e padrões de pensamento e de comportamento. Como se fosse automatizada, ela liga acontecimentos a reacções emocionais. Ela cria cenários sobre acontecimentos que ainda não chegaram, onde já estão previstas as cadeias de comportamento padronizadas. Faz-nos duvidar se alguma vez podemos ser livres, se alguma vez podemos sentir dentro de nós a força de fazer com a nossa vida aquilo pelo que o nosso coração anseia.
Todos os seres são Budas.
Mas isso está encoberto por impurezas adventícias.
Uma vez purificadas, a sua Budeidade é revelada.
~Hevajra Tantra
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| Padmasambhava (Nicholas Roerich 1927) Nicholas Roerich Museum |
O momento que vivemos e um convite para deixar para trás o julgamento sobre o passado e as expectativas acerca do futuro. Se fizemos bem ou mal, não interesse. Não sabemos como será o que ainda não aconteceu. O que é, é. Tudo o resto, tudo o que a mente projecta, é uma ilusão que já não é preciso alimentar. É Agora que podemos libertar-nos.
Podemos integrar a mente lógica na experiência do Aqui e Agora, deixando que ela faz o que melhor sabe: observar. A mente, com as suas múltiplas ligações e sensores, pode observar e o que recebe, sabe traduzir para a consciência humana. Assim, pode tornar acessível a sabedoria que está presente no fundo da nossa consciência alargada.
Estamos a preparar-nos para a mudança a que os Maias, nas suas profecias, chamaram: a União do Homem com o Universo.
A experiência da união (Oneness) eleva, ilumina, facilita, faz com que o sofrimento - tanto o mais profundo como o sofrimento do dia-a-dia - dissipa.
Uma vez que somos capaz de aceitar o momento, sem sentir a necessidade de viver noutro lugar, noutro momento, podemos começar a ver as possibilidades que existem aqui e agora.
Podemos começar a ver o outro, tal e qual como é, incluindo as suas qualidades e o seu sofrimento.
Teremos facilidade de adaptação, flexibilidade, sem medo que não haverá o suficiente ou que não somos aceites.
Uma vez que aceitamos quem Somos, tal e qual como nos encontrámos no Aqui e Agora, podemos descobrir que tudo o que procuramos, já existe em nós...
"We already have what we need. The wisdom, the strength, the confidence, the awakened heart and mind are always accessible here and now. A process of uncovering our natural openness, uncovering our natural intelligence and warmth.
That’s why when we feel caught in darkness, suddenly the clouds can part. Out of nowhere we cheer up or relax or experience the vastness of our minds. No one else gives this to you."
~ Pema Chodron








