Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 28 de abril de 2013

Cavalo-de-Vento ou Lung Ta

No início, quando comecei com o blogue, escrevi sobre um dos significados do "cavalo-de-vento"  (Khiimori). O cavalo de vento é um símbolo forte em muitas tradições, mas talvez a aparência mais conhecida é o Lung Ta, bandeira tibetana de orações. Nas bandeiras estão impressas preces, mantras e as figuras de cinco animais.
No centro encontramos um desenho de um cavalo e nos quatro cantos estão quatro animais misticos que representam as nossas forças interiores.

A bandeira do Cavalo de Vento ou Lung ta representa nossa capacidade de realização, nossa força motivadora que reúne e harmoniza todas as outras forças.
O Garuda significa a nossa coragem, sabedoria e capacidade para enfrentar obstáculos como doenças e situações difíceis.
O Dragão representa a nossa capacidade para aprender e magnetizar através do som e da fala, nosso poder e boa reputação.
O Tigre é a nossa confiança, nossa bondade e modéstia.
O Leão das Neves representa a nossa alegria, nosso contentamento, nossa beleza e nossa mente clara e precisa.

Quando os cavalos de vento tremulam com a brisa, suas preces e mantras são enviadas na direçao do céu com a intençao de beneficiar todos os seres sencientes.
O acto de pendurar bandeiras de oração, é um acto de serviço ao Grande Conjunto. Manifestamos o nosso desejo que todos os seres possam ser livres, e entregamos ao Vento as orações e mantras. Todos que precisam, têm assim a possibilidade de sentir a empatia que lhes enviamos, de sentir que não estão sozinhos; os mantras e as orações lembram que para todos é possivel livrar-se do sofrimento e da causa do sofrimento.
É uma acto livre de apego ao ego: quem recebe a bênção do cavalo-de-vento, fica sem saber de onde originou..

terça-feira, 23 de abril de 2013

Wesak 2013 - Sol em Touro, Lua Cheia em Escorpião... e Eclipse Lunar

No próximo dia 25 de Abril, celebramos Wesak, a festa do Buda. A primeira festa do ano astrológico foi a Páscoa, festa do Renascimento. Foi uma altura de iniciar um novo ciclo, num degrau mais elevado do que o ano anterior, mais perto do nosso propósito: viver em União de corpo, alma e espirito.

Nicholas Roerich, Song of Shambhala (1943)
 Por altura da festa de Wesak, a energia da Páscoa será interligado com a energia da inteligência da Humanidade - tanto intelectual como emocional. A inteligência humana tem a capacidade de ligar o passado com o presente: as ideias e os objectivos que motivaram o re-nascimento, surgem agora claramente delineados perante a mente. As forças da Iluminação chegam nesta Lua Cheia, quando as portas energéticas se encontram o mais aberto possível, directamente da Fonte-que-Tudo-criou para a Terra. Trazem para a Humanidade a sabedoria divina, o entendimento e a compaixão.... é a Lua do Buda!

No momento da Lua Cheia, o Sol estará em Touro e a Lua em Escorpião. É a segunda Lua do ano astrológico, o segundo momento de reflexão sobre o ciclo espiritual. O primeiro momento era a Lua Cheia enquanto o Sol estava em Aries -Carneiro- e referia ao plano mental. O segundo momento tem a ver com o plano do desejo e a força de vontade humana (ver texto mais detalhado aqui).

Eclipse Lunar parcial
Nesta Lua Cheia podemos observar um eclipse lunar parcial, em Escorpião. O eclipse solar associado acontecerá em Maio. No período entre os dois, vamos sentir que os problemas e assuntos que nos occuparam desde o último ciclo de eclipses (Novembro 2012) vão intensificar, e começam a ser resolvidos.

O que podemos esperar? Um periodo de grande determinação e produtividade. Mudanças ao nível pessoal e no trabalho ficam mais nítidas. Escorpião pede que enfrentamos a dualidade... o que não é necessáriamente uma coisa ruim! Sabendo que a Lua Cheia influencia as emoções, podemos estar mais alerta para jogos e estrategias emocionais vindo de pessoas que resistem à mudança...
Se estivermos numa situação onde temos tido um papel de submissão, ou estivemos a resolver problemas causados por outros, podemos sentir a desigualdade mais do que nunca, procurando activamente reconhecimento e melhoria da nossa posição. Não haverá conflictos em situações onde os limites estão bem definidos e onde as intenções são claras. Mas se houver alguém que joga um jogo ou estratégia emocional, as segundas intenções hão-de vir ao de cima!
A Lua Cheia em Escorpião é iluminada pelo Sol em Touro... um convite para sermos directos e compassivos na maneira em que lidamos com os outros.

Cerimónia e Meditação da Lua Cheia
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Quinta Feira, 25 de Abril, às 20h

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos! 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Páscoa

Pertencendo à Natureza, o nosso organismo acompanha os ciclos naturais, e são vários, a escala pequena ou a escala grande, de curta ou longa duração.
De uma maneira ou outra, e embora de duração e intensidade diferente, são todos ciclos que representem o ciclo da vida: nasce-se, vive-se e morre-se para poder renascer e recomeçar o ciclo.

Nó tibetano
Ciclos dentro de ciclos dentro de ciclos... numa escala diária; a acompanhar o ciclo da Lua; o volver das estações; a viagem da Terra no sistema solar e em relação às constelações...
Por muito que gostaríamos de ter controlo sobre a nossa evolução, por muito que gostaríamos que o nosso caminho fosse um de sempre a subir, a verdade é que o nosso crescimento está sujeito a ciclos de renovação. A Natureza dá nos assim a oportunidade de rever os objectivos, de rever as lições e aprendizagens, de fazer ajustamentos e novas escolhas. Podemos recomeçar, todos os dias!
(Imagem: g'tong len, o nó enterno tibetano. Representa o ciclo sem fim da vida: nascimento, morte, sofrimento, renascimento. É a interligação de sabedoria e compaixão, o signo de amor eterno e amizade.)


Desde cedo, o Ser Humano celebrou a dádiva da vida, honrando os ciclos da vida em festas e cerimónias regulares. Profundamente consciente que a Natureza não nos pertence, mas que pertencemos à Natureza, o Homem lembrava nas suas cerimónias a Força Maior que tudo criou, e que continua a criar, todos os dias, todas as estações, todos os anos - mas também através de cada vida singular e individual. A Força Maior (conhecida por muitos nomes e em muitas formas) exprima a vida, continuamente.

Na verdade, temos uma necessidade muito grande de nos lembrarmos que viemos da Fonte e à ela havemos de voltar. A nossa experiência da vida como seres humanos, é uma experiência da dualidade: reconhecemo-nos como individualizados e separados dos outros. O nascimento é uma separação física, que nos manda para um mundo diferente, longe da protecção do ventre materno. A partir daí, o amor é algo que podemos ou não receber... e que muitos, devido ao seu karma, escolhem disputar em vez de partilhar.
O desejo de evolução espiritual pode bem ser o desejo de entender, a partir da dualidade que vivemos, que tudo faz sentido e que de facto, pertencemos todos um grande conjunto que respira, que vive, que se exprime - e que acolhe a cada parte, naturalmente, como valoroso e amado.

Rituais de morte e renascimento fazem parte de muitas culturas. Práticas filosóficas e religiosas integram meditações sobre a morte e a passagem para uma vida nova. Dizem que dá esperança e perspectiva sobre os valores reais da vida. Iniciações espirituais muitas vezes tomam a forma de uma morte encenada. Sejam elas rituais de passagem para a vida adulta, em que os jovens precisam de deixar para trás a infância, ou iniciações no caminho espiritual, a morte iniciática tem como objectivo de ir de encontro ao momento em que se deixa a vida física e há uma visão sobre a Origem e o Fim. Após este encontro, há um renascimento para uma nova vida, agora com entendimento do aspecto espiritual. Renasce-se com uma visão dos objectivos a realizar, as tarefas a executar, o lugar a preencher.

Celebramos no próximo fim-de-semana a Páscoa, festa da Primavera. Novamente, uma festa de morte e renascimento, em que é celebrada a nova vida que rebenta à nossa volta!
As sociedades modernas meteram para segundo plano, os rituais em que todos os elementos da comunidade tiveram que passar pela morte iniciática. No entanto, a necessidade de viver os ciclos continua...
Páscoa, uma das festas religiosas principais, tem lugar no 1º domingo depois da primeira Lua Cheia após o Equinócio da Primavera. Celebramos o nosso nascimento como ser humano, ciclicamente separado da Fonte para perfazer uma nova etapa. O último ciclo lunar foi percorrido em Peixes, signo propício para sentir de onde viemos, e sentir a grande ligação com o Universo. Agora neste ciclo, uma primeira separação - que pode ser experimentada como dolorosa porque precedida pela morte - mas também uma  nova vida. Altura de fazer planos, altura de energias em alta, altura de esperança!

Boa Páscoa!




terça-feira, 26 de março de 2013

A Lua Cheia de 27 de Março: Agarrar os ventos da mudança

No dia 27 de Março, às 9.28 de manhã, a Lua chega ao seu ponto mais cheio. O Sol estará em Carneiro, a Lua em Balança.
A energia da Primavera chegou (falta o bom tempo, mas também há de vir) e com a Primavera, a esperança e o optimismo. Um novo início, um novo despertar: vida nova começa.

imagem: Josephine Wall
Como primeiro signo do Zodíaco, Carneiro é o signo referente à cabeça. Signo do pensador, tem como força principal a força mental. Há quem diz que a raça humana nasceu quando surgiu a capacidade de pensar - quando ganhou a capacidade de escolher, conscientemente, o seu caminho.
Ciclo após ciclo, encontramos no signo de Carneiro um período de orientação, o início de mais uma etapa de experiência de vida. Percebemos que (re)nascemos como individualidades, com um caminho próprio, e com a nossa força renovada para tomar consciência, cada vez mais profunda, de quem SOMOS.

Tudo que acontece agora, acontece sob o signo do pensar e dos pensamentos que dão origem às acções.
Os pensamentos, só por si, geram energia. Provocam um campo electromagnético que começa a funcionar como um iman e a lei da atracção entre em funcionamento: o que geramos, virá ao nosso encontro. Os processos que começam com o pensamento, geram o reflexo no mundo à volta e tornam-se realidade.
Ainda bem que Carneiro permite uma focagem óptima e um nível alto da concentração. Também precisamos focagem e concentração para poder ver as oportunidades que vão poder surgir a todo o momento.

A Lua em Balança alerta para o nosso estado de dualidade e a necessidade encontrar o ponto de equilíbrio. É preciso manter o equilíbrio entre pensamentos racionais e ideias intuitivas, instintivas e criativas - e podemos ficar neste ponto recorrendo à nossa observação, à nossa presença de espírito, e a uma visão muito clara sobre o nosso objectivo. Grandes mudanças estão em curso, e podem começar a fazer-se sentir como se houvesse uma tempestade à nossa volta. Carneiro e Balança permitem uma preparação boa e oferecem uma oportunidade de clarificar onde estamos e onde vamos. Os ventos da mudança começaram a soprar...

A celebração /meditação da Lua Cheia terá lugar na quarta feira, 27 de Março, às 19h no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequado para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!  

domingo, 17 de março de 2013

Equinócio da Primavera: Celebração do Início da Vida

Em Dezembro de 2012, o nosso sistema solar passou por um alinhamento com o centro da galáxia a que pertence. O sistema solar entrou assim em "novo" terreno, uma era diferente começou. A Terra parece a mesma, fisicamente, no entanto estamos imersos numa nova energia que flui para a Terra.  Desde o Solstício de Inverno (21-12-2012) , estivemos sob a influência de forças muito além das vindo dos planetas do nosso sistema solar, e progressivamente enfrentamos o novo paradigma em que vivemos.

Desde o Solstício do Inverno, temos acesso à chamada "ascensão" - um estado de consciência em que a nossa Alma Superior forma uma união com o corpo e a mente. É um estado em que podemos usufruir em pleno de todos os talentos e capacidades do nosso Ser, incluindo a capacidade da Criação, que até há bem pouco tempo foi considerada um exclusivo divino.
Passamos do tempo em que lidamos com a realidade tal como nos era apresentada, para um tempo em que tomamos consciência que somos nós que podemos criar a realidade.
Passou o tempo em que procurámos a nossa identidade como se fosse um efeito do passado. Entramos na era em que as portas estão abertas à criação de quem somos, aqui e agora.

Na verdade, é um conceito completamente novo do nosso papel como seres humanos. É uma evolução que talvez pode ser comparada à altura em que os peixes saíram da água para começar a viver em terra firme!
Dois aspectos fundamentais desta mudança de paradigma merecem a nossa atenção: a necessidade de libertarmos do passado e a descoberta de onde estamos agora.
Para que a nossa evolução segue o seu percurso natural, é preciso libertar-nos dos conceitos ligados à energia do passado. Os comportamentos e pensamentos que aprendemos e repetimos no passado, como uma estratégia de sobrevivência, não nos servem no mundo de hoje. O que aprendemos num mundo em que nos ensinaram que era preciso defender-nos, preparar-nos para enfrentar a concorrência, serviu num mundo dividido entre "nós" e "os outros". Mas avançamos para uma era em que apercebemos que esta divisão é ilusório. Somos todos aspectos da grande União - somos UM.
Agora mais do que nunca, precisamos de nos interrogar o que está por detrás das nossas palavras e dos nossos gestos. O que é, que, nos move? O que queremos criar? Qual é a nossa Visão? Qual é a narrativa em que gostaríamos de ter um papel?
Desde o Solstício, tudo parece acontecer numa velocidade acelerada. Dá a sensação que uma revolução está em curso... A receita para atravessar este período de adaptação à nova energia universal, inclui com certeza uma grande medida de paciência connosco, uma mão-cheia de perdão, uma boa dose de compaixão, e uma pitada de humor!


Quando tomamos consciência que toda a bagagem do passado é pouco útil para o meio em que vivemos agora, estamos prontos para podermos perceber o ambiente em que vivemos agora. Com a mente aberta, em atenção plena para o momento, a graça da Mãe Terra envolve-nos como um banho de imersão, omnipresente, ligando todos os elementos, sustentando a nossa existência e permitindo a nossa expressão em forma biológica. Ela está em todo o lado - caminhamos e fluímos no seu campo gravitacional, elevados e acariciados pela sua canção, o som da natureza. Na medida que nos familiarizamos com a União que existe neste campo energético, teremos acesso à força da Criação...

No Equinócio da Primavera, no dia 20 de Março, celebramos a nossa ligação à Natureza e o início deste ciclo de Criação. Celebramos o volver das estações, a mudança contínua da Vida que nos permite renascer após cada período escuro do Inverno. Saímos da era do medo e da concorrência, para entrar na era do amor e da colaboração.

O momento do Equinócio é especial: dia e noite têm a mesma duração, o Sol nasce exactamente a Leste e põe-se com precisão no Oeste. É a altura por excelência para nos orientarmos, dá para perceber o equilíbrio do momento. Agora, neste Equinócio, é altura de reconhecer que estamos a fazer o salto quântico na nossa evolução - tomamos consciência que somos UM, para assim perceber que quando servimos o bem comum, e o bem superior de todos, nós também ficaremos bem. 

Vamos nos reunir na quarta feira, dia 20 de Março, no Cromeleque dos Almendres em Guadalupe, Évora.
A meditação começa às 6.20h de manhã, a cerimónia inicia-se um pouco mais tarde, ao nascer do Sol.

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequado para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!  
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