Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Urano e Plutão : 3a quadratura

Urano e Plutão estão a passar por um ciclo de sete posições em quadratura, que iniciou em Junho de 2012 e vai durar até final de Março de 2015. Hoje, 20 de Maio, é a terceira vez que os planetas da revolução, Urano, e da transformação, Plutão, se encontram numa quadratura exacta.
No seu todo, o ciclo representa um período de transformações inesperadas e de impacto profundo. Ao nível planetário, a influência pode atingir governos, sistemas políticos... também escândalos ou outras revelações podem surgir para surpreender.

É claro que sentimos isso também ao nível pessoal - são anos em que os acontecimentos podem dar a sensação que os fundamentos da nossa vida desaparecem. A tensão que esta quadratura provoca, parece indicar que grandes mudanças estão prestes a acontecer. Estamos a sentir um desejo de mudar e de seguir uma nova direcção (Urano) enquanto ao mesmo tempo encontramos os nossos bloqueios psicológicos (Plutão) que nos fazem sentir pequenos e incapazes. Nestes anos, é importante ter uma atitude tão flexivel quanto possível. É altura de permitir que somos levados no fluxo cósmico... altura de permitir que somos apoiados pela Energia Universal no salto evolutivo que estamos a fazer.

A conjunctura sublinha a importância de termos a capacidade de observar, sem julgamentos, o que está a passar. Quando começamos a julgar os acontecimentos e etiquetar, fazemos isso sempre com base nas nossas experiências do passado - e podemos esquecer que o salto evolutivo está a levar a Humanidade para dimensões energéticas que ainda não conhecemos!

Pode ser difícil ficar em observação compassiva, enquanto tudo parece dar voltas e voltas. Às vezes parece que estamos a voltar à situações e padrões que já pensamos pertencer ao passado; às vezes sentimos que nada acontece, que não evoluimos... O Oneness que procuramos parece estar em "hold" enquanto estamos virados para dentro, lidando com a limpeza emocional.
Saber que estamos a passar por um ciclo em que Urano e Plutão estão envolvidos, talvez torne mais fácil manter uma atitude compassiva para connosco próprios. Paciência, gentileza e o contacto com o nosso centro, são agora as ferramentas para manter o rumo. É preciso sentir o Coração e ter fé que a mudança está acontecer. Tudo o que é preciso é aceitar que somos quem somos e que isso mesmo, é tudo que há de propósito.





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Partilha de uma experiência: Retiro de Meditação


Em Abril de 2013, foi organizado o primeiro retiro de meditação no Monte das Bardeiras. Foi um fim-de-semana de esperança! Muitas vezes vamos a um retiro porque sentimos que estamos a sofrer o peso do nosso passado. Em meditação, na tranquilidade interior, podemos descobrir que a vida nos sempre oferece a possibilidade de recomeçar!

Um dos participantes deixou o seu testemunho,  de como o ambiente e o grupo foram um apoio para se encontrar consigo novamente.
Obrigada Rodrigo!
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Retiro no Monte das Bardeiras, Abril de 2013

No final de 2012 a minha vida mudou profundamente ao ser confrontado com o divórcio. Ainda em choque comecei a tentar perceber o porquê para constatar que tudo já me tinha sido apontado ao longo dos últimos anos. Depois de longos dias de sofrimento e introspecção, aceitei a culpa e procurei dar uma volta na minha vida. Conclui que tinha de trabalhar a minha auto-estima para melhorar o relacionamento humano. Sei agora o quão distante estava de compreender verdadeiramente a realidade do que se passava comigo e do caminho que começava a trilhar.

O caminho que escolhi não se alterou mas está muito mais iluminado. O retiro teve um papel fundamental nessa tomada de consciência. Este representou a minha iniciação ao estudo de mim e do que andamos por cá a fazer. Senti que posso e devo desenvolver o amor-próprio sem ser egocêntrico desprezando os outros. E que este é um passo fundamental para ser feliz. E sendo feliz serei capaz de amar incondicionalmente, ter compaixão, saber perdoar os outros.

Foi tudo novo para mim mas fez tudo sentido. Desde a ligação que temos com a Terra até à Luz que me trará uma visão dum mundo melhor. Absorvi sentimentos, ensinamentos, energias positivas. Estava ávido por aprender porque o caminho que anteriormente escolhi começou a ter outro sentido, um propósito, uma razão de ser. Agora sei o que fazer para ser feliz. Pode até levar algum tempo, mas a motivação de compreender que estou no caminho certo é grande.

Tudo o que senti foi ampliado por uma envolvente de grande conforto, tranquilidade e beleza natural, com uma orientação tão amável e reconfortante da nossa guia espiritual, que facilitou a ligação ao mundo que me rodeia, e a compreender o caminho que tinha de seguir até me encontrar.

Não posso deixar de referir que conheci um grupo pessoas espectacular de quem, tenho de confessar, senti uma saudade profunda, a roçar a tristeza, no dia seguinte ao retiro... Não me perguntem porquê… Tinha-vos conhecido apenas ali, em dois dias! …Porquê este sentimento tão forte não sei explicar. Mas que muito contribuíram para o estado emocional em que me encontrei.

Durante o retiro – contaram-me – passei o tempo com um sorriso estampado na cara. Só dei conta quando me chamaram à atenção nas despedidas. O que sei dizer é que estive sem me preocupar se estava a fazer falta a alguém, sem me julgar constantemente, sem me sentir culpado. E talvez por isso exteriorizei, de forma inconsciente, aquele sorriso permanente.

Fico profundamente grato a todas mas em especial à minha querida amiga, que me desafiou a participar neste retiro, porque sem ela não teria esta experiência tão enriquecedora.
Uma experiência a repetir sem dúvida alguma.

Encontrem a felicidade que há em vós e até breve!

Rodrigo Jorge Santos
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 O segundo retiro terá lugar nos dias 24,25 e 26 de Maio, novamente no Monte das Bardeiras, Vimieiro. Desta vez, a temática será: como levar o estado meditativo para o dia-a-dia: meditação em andamento.
Uma particularidade: a sessão de sons no campo, com as Taças Tibetanas, didgeridoos e tambores, terá lugar no início da noite, porque vamos poder assistir ao nascer da Lua Cheia!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A lenda do Cavalo de Vento dos Choctaw

Também em tradições occidentais existem histórias sobre o Cavalo de Vento.
Da tradição nativa Norte-Americana, mais especificamente da tribo Choctaw, vem esta lenda:

No tempo em que dia e noite ainda estavam a decidir quem vem primeiro, vivia um Cavalo que nunca há de ser visto novamente. O Cavalo não era um que seria como o Buffalo moribundo, porque este Cavalo não tinha inimigos.
A razão porque este Cavalo jamais será visto, é por causa do amor.
É uma história que começa assim.

O Cavalo, que era chamado o Cavalo de Vento, era o mais rápido e mais gentil de todos os póneis índios. Ele não sentia medo, não havia quem o prejudicaria. Se houvesse um índio ferido ou que precisava quem o levasse, Cavalo de Vento estaria lá para cuidar e levar o índio. Por causa da bondade do Cavalo de Vento, não existe mais.

Um dia, enquanto Cavalo de Vento sentia a boa sensação de ser livre, ele ouvia um grito de socorro. Correu para a margem da floresta e viu um Rapaz índio preso numa armadilha destinada ao Urso. O pé do rapaz estava cortado e o Rapaz não conseguia mexer. Cavalo de Vento movia-se para o lado do Rapaz e logo que o Rapaz se encostou, ele curvou para que o Rapaz pudesse montá-lo.

O Rapaz, que não tinha nome, não conseguiu acreditar que este Cavalo tão bonito viesse ao encontro dele como amigo. Toda a sua vida tinha vivido sozinho - com a sua perna coxa, ninguém o queria por perto. Enquanto ele cavalgou o vento, ele sentia a boa sensação que Cavalo de Vento sentia. Era como ser inteiro e como estar com família.

Cavalo de Vento sabia que a ferida do Rapaz era uma que não podia ser curada ou emendada. Ele levou o Rapaz para o sítio dos Campos de Caça dos Índios. Era o sítio onde todos eram curados e não tinham medo ou necessidade. Cavalo de Vento sentia tristeza que alguém tão jovem como o Rapaz tinha que ir aos Campos, mas ele sabia que era o melhor.

Viajando, o Rapaz notava que o trilho estava sempre a mudar. No início era como foi quando o Rapaz foi ferido, depois era como foi quando ele estava feliz. Depois era como no tempo quando ele ainda não tinha nascido. Rapidamente ele estava a ver coisas que não reconhecia. O Rapaz juntava se mais ao Cavalo de Vento, porque começou a ter medo.

Cavalo de Vento tinha visto os tempos e tinha visto o Rapaz e a sua vida. Ele tinha sentido as sensações do Rapaz. Cavalo de Vento sabia que, caso continuava a jornada, ele não seria mais livre. Porque os sentimentos do Rapaz estavam a tornar-se os sentimentos do Cavalo de Vento. Porque Cavalo de Vento era o último da sua raça, a raça dos Cavalos que sentiriam os sentimentos de quem montava.

Shikoba - Choktaw Native American Horse, by Shanina Conway

Se o que montava ficasse no Cavalo de Vento, este partilharia o seu destino, porque uma ligação seria feita que não podia nem seria quebrada. Cavalo de Vento sabia desta união, e em consequência, sempre atirava o cavaleiro antes que qualquer ligação pudesse ser feita. Desta vez, o Cavalo de Vento sabia que o Rapaz seria o último a montar.

Enquanto viajavam, o Rapaz começou falar ao Cavalo de Vento e Cavalo de Vento escutava. Escutava as esperanças do Rapaz, que um dia ia correr com as folhas que esvoaçavam pelo chão. Escutava enquanto o Rapaz desejava alguém que acarinhasse e amasse o Rapaz que tinha a perna má. Enquanto escutava, Cavalo de Vento começou a sentir o amor pelo Rapaz que o Rapaz teria gostado de dar a um amigo.

Sim, pensou Cavalo de Vento, este é a minha última viagem porque encontrei aquele que precisa os sentimentos que eu sou capaz de dar. Sendo o último da minha raça, vou passar o tempo que me resta com aquele que pode dar e dará os sentimentos que eu preciso.

Cavalo de Vento virou a sua cabeça e aninhou-a junto à cabeça do Rapaz. Ele começou a abrandar, porque o fim da viagem estava perto. O Rapaz olhou e viu a casa dos que tinham ido antes. Realizou-se que a viagem era a última que alguma vez fazia. Começou a sentir medo. Mas quando Cavalo de Vento parou para o Rapaz poder desmontar, Rapaz notou que as duas pernas estavam sãs, e que todas as feridas, fome, necessidade e dor tinham ido embora. Cavalo de Vento não se mexeu para partir e o Rapaz sabia que o Cavalo também tinha feito a sua última viagem.

Cavalo de Vento nunca tinha levado os que o montavam até os Campos de Caça, por isso não estava familiarizado com o lugar. Tinha um mundo novo para explorar, e tinha um amigo com quem explorar. Enquanto o Cavalo de Vento e o Rapaz entravam no seu novo mundo, o Povo Índio sentia uma tristeza grande. Mesmo não sabendo o que estava a acontecer, o sentimento de uma perda grande e de infelicidade era comum. Cavalo de Vento ouvia os gritos de desespero, mas sabia que, com o passar dos sóis e das luas, eles acabavam por esquecer-se dele e da sua raça.

Cavalo de Vento tinha feito a sua última jornada. Ele ia sentir falta das viagens e dos amigos que ele fez e ajudou ao longo do tempo. Rezava ao Espírito Grande para que enviasse uma lembrança para o Póvo dos Índios da amizade que ele tinha partilhada como o Povo Índio. E em resposta às rezas de Cavalo de Vento, o Cavalo foi oferecido ao Povo Índio como amigo.

Nós somos como Povo, tal como Somos a nossa Herança. Temos que lembrar sempre e permitir-nos a ser lembrados por Os que Vieram Antes e Aindo nos Vigiam.

Copyright Teresa Janice Pittman - Choctaw Nation. Fonte: http://www.firstpeople.us/.

domingo, 28 de abril de 2013

Cavalo-de-Vento ou Lung Ta

No início, quando comecei com o blogue, escrevi sobre um dos significados do "cavalo-de-vento"  (Khiimori). O cavalo de vento é um símbolo forte em muitas tradições, mas talvez a aparência mais conhecida é o Lung Ta, bandeira tibetana de orações. Nas bandeiras estão impressas preces, mantras e as figuras de cinco animais.
No centro encontramos um desenho de um cavalo e nos quatro cantos estão quatro animais misticos que representam as nossas forças interiores.

A bandeira do Cavalo de Vento ou Lung ta representa nossa capacidade de realização, nossa força motivadora que reúne e harmoniza todas as outras forças.
O Garuda significa a nossa coragem, sabedoria e capacidade para enfrentar obstáculos como doenças e situações difíceis.
O Dragão representa a nossa capacidade para aprender e magnetizar através do som e da fala, nosso poder e boa reputação.
O Tigre é a nossa confiança, nossa bondade e modéstia.
O Leão das Neves representa a nossa alegria, nosso contentamento, nossa beleza e nossa mente clara e precisa.

Quando os cavalos de vento tremulam com a brisa, suas preces e mantras são enviadas na direçao do céu com a intençao de beneficiar todos os seres sencientes.
O acto de pendurar bandeiras de oração, é um acto de serviço ao Grande Conjunto. Manifestamos o nosso desejo que todos os seres possam ser livres, e entregamos ao Vento as orações e mantras. Todos que precisam, têm assim a possibilidade de sentir a empatia que lhes enviamos, de sentir que não estão sozinhos; os mantras e as orações lembram que para todos é possivel livrar-se do sofrimento e da causa do sofrimento.
É uma acto livre de apego ao ego: quem recebe a bênção do cavalo-de-vento, fica sem saber de onde originou..

terça-feira, 23 de abril de 2013

Wesak 2013 - Sol em Touro, Lua Cheia em Escorpião... e Eclipse Lunar

No próximo dia 25 de Abril, celebramos Wesak, a festa do Buda. A primeira festa do ano astrológico foi a Páscoa, festa do Renascimento. Foi uma altura de iniciar um novo ciclo, num degrau mais elevado do que o ano anterior, mais perto do nosso propósito: viver em União de corpo, alma e espirito.

Nicholas Roerich, Song of Shambhala (1943)
 Por altura da festa de Wesak, a energia da Páscoa será interligado com a energia da inteligência da Humanidade - tanto intelectual como emocional. A inteligência humana tem a capacidade de ligar o passado com o presente: as ideias e os objectivos que motivaram o re-nascimento, surgem agora claramente delineados perante a mente. As forças da Iluminação chegam nesta Lua Cheia, quando as portas energéticas se encontram o mais aberto possível, directamente da Fonte-que-Tudo-criou para a Terra. Trazem para a Humanidade a sabedoria divina, o entendimento e a compaixão.... é a Lua do Buda!

No momento da Lua Cheia, o Sol estará em Touro e a Lua em Escorpião. É a segunda Lua do ano astrológico, o segundo momento de reflexão sobre o ciclo espiritual. O primeiro momento era a Lua Cheia enquanto o Sol estava em Aries -Carneiro- e referia ao plano mental. O segundo momento tem a ver com o plano do desejo e a força de vontade humana (ver texto mais detalhado aqui).

Eclipse Lunar parcial
Nesta Lua Cheia podemos observar um eclipse lunar parcial, em Escorpião. O eclipse solar associado acontecerá em Maio. No período entre os dois, vamos sentir que os problemas e assuntos que nos occuparam desde o último ciclo de eclipses (Novembro 2012) vão intensificar, e começam a ser resolvidos.

O que podemos esperar? Um periodo de grande determinação e produtividade. Mudanças ao nível pessoal e no trabalho ficam mais nítidas. Escorpião pede que enfrentamos a dualidade... o que não é necessáriamente uma coisa ruim! Sabendo que a Lua Cheia influencia as emoções, podemos estar mais alerta para jogos e estrategias emocionais vindo de pessoas que resistem à mudança...
Se estivermos numa situação onde temos tido um papel de submissão, ou estivemos a resolver problemas causados por outros, podemos sentir a desigualdade mais do que nunca, procurando activamente reconhecimento e melhoria da nossa posição. Não haverá conflictos em situações onde os limites estão bem definidos e onde as intenções são claras. Mas se houver alguém que joga um jogo ou estratégia emocional, as segundas intenções hão-de vir ao de cima!
A Lua Cheia em Escorpião é iluminada pelo Sol em Touro... um convite para sermos directos e compassivos na maneira em que lidamos com os outros.

Cerimónia e Meditação da Lua Cheia
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Quinta Feira, 25 de Abril, às 20h

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos! 
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