Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os desafios do momento: eclipse lunar de 25 de Maio

Some people think their blockages are working against their mission.
That this keeps them from contributing, but it is not so. You are exactly at the point you have to be. You have the responsibility to open it up and not to pass it on. (Gregg Braden)

Como referi no último post, estamos a passar por um período em que Urano se encontra frequentemente em quadratura com Plutão. Ao nível da nossa vida pessoal, isso posso significar um tempo de grande turbulência interior. Sentindo a motivação para enfrentar uma mudança de fundo, ao nível da maneira em que encaramos o nosso lugar no mundo, podemos ter ao mesmo tempo uma profunda consciência da nossa insignificância perante o Universo. A última sensação sublinha uma condição de dualidade, enquanto lá no fundo, sabemos que a mudança que precisamos de enfrentar, requer que estamos em União com o Tudo-Que-É.

Como cereja em cima do bolo, estamos ainda a passar por uma série de eclipses. A Lua Cheia de 25 de Abril já conheceu um eclipse; houve um eclipse solar a 9 de Maio, e na próxima Lua Cheia, no 25 de Maio, haverá novamente um eclipse lunar.


Ao passar por um alinhamento tão poderoso como este, em que três eclipses se seguem, experimentamos grandes mudanças ao nivel da nossa consciência. Momentos de entendimento profundo de onde estamos e para onde estamos a ir; processos de transformação intensa; emoções agitadas e perturbadas, e muita limpeza e purga!
No próximo sábado à noite, a trindade de eclipses ficará completa. Com a energia da Lua Cheia podemos ver onde estamos, e reconhecer sem julgamento todos os aspectos do nosso Ser que vieram à superfície no periodo que se vai fechar. Havendo um eclipse, haverá ao mesmo tempo uma energia semelhanta à Lua Nova, que nos permite a libertação e a entrega, para que a semente para um novo período seja plantada. Agora podemos entregar-nos: à Vida que respiramos, à Terra que nos acolhe, ao Caminho que trilhamos.

É altura para perceber que os bloqueios e conturbações que experimentamos, não são o que parecem. O que podemos ver como impedimento para avançar, é na verdade uma oportunidade para perceber a nossa verdadeira natureza, e uma fase essencial no caminho para encontrar o propósito desta vida.
Cada luta interior, todas as dúvidas, todos os receios, são memórias de um passado doloroso e expectativas sobre um futuro que não sabemos qual será. Influenciam a nossa mente de tal modo, que acabamos por retrair-nos - ficando presos ao passado e reféns do futuro. E confirmamos que existem impedimentos, criando-os de novo.
Não é de admirar, que ficamos separados do fluxo da vida propriamente dito, que acontece no presente!
Por outro lado, podemos optar por sintonizar-nos com a Vida que nos rodeia. Perceber que tudo está ligado, que todos nós fazemos parte integrante da Terra e do Universo, e o nosso contributo para o bem maior de todos, consiste em aceitar esta União.
Deste modo, tudo que nos acontece, é exactamente o que precisamos. Precisamos de descobrir os bloqueios... e sabendo que existem, podemos abri-los como se fosse uma mala, para ver o que carregámos do passado para o presente, e libertar. Esta é a nossa responsabilidade: limpar e esvaziar a mala do karma. É o nosso propósito voltar à essência, simplesmente aceitando que somos, igual a nós próprios, perfeitos no estado em que nos encontramos agora. Em mudança contínua... tal como a Natureza.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Urano e Plutão : 3a quadratura

Urano e Plutão estão a passar por um ciclo de sete posições em quadratura, que iniciou em Junho de 2012 e vai durar até final de Março de 2015. Hoje, 20 de Maio, é a terceira vez que os planetas da revolução, Urano, e da transformação, Plutão, se encontram numa quadratura exacta.
No seu todo, o ciclo representa um período de transformações inesperadas e de impacto profundo. Ao nível planetário, a influência pode atingir governos, sistemas políticos... também escândalos ou outras revelações podem surgir para surpreender.

É claro que sentimos isso também ao nível pessoal - são anos em que os acontecimentos podem dar a sensação que os fundamentos da nossa vida desaparecem. A tensão que esta quadratura provoca, parece indicar que grandes mudanças estão prestes a acontecer. Estamos a sentir um desejo de mudar e de seguir uma nova direcção (Urano) enquanto ao mesmo tempo encontramos os nossos bloqueios psicológicos (Plutão) que nos fazem sentir pequenos e incapazes. Nestes anos, é importante ter uma atitude tão flexivel quanto possível. É altura de permitir que somos levados no fluxo cósmico... altura de permitir que somos apoiados pela Energia Universal no salto evolutivo que estamos a fazer.

A conjunctura sublinha a importância de termos a capacidade de observar, sem julgamentos, o que está a passar. Quando começamos a julgar os acontecimentos e etiquetar, fazemos isso sempre com base nas nossas experiências do passado - e podemos esquecer que o salto evolutivo está a levar a Humanidade para dimensões energéticas que ainda não conhecemos!

Pode ser difícil ficar em observação compassiva, enquanto tudo parece dar voltas e voltas. Às vezes parece que estamos a voltar à situações e padrões que já pensamos pertencer ao passado; às vezes sentimos que nada acontece, que não evoluimos... O Oneness que procuramos parece estar em "hold" enquanto estamos virados para dentro, lidando com a limpeza emocional.
Saber que estamos a passar por um ciclo em que Urano e Plutão estão envolvidos, talvez torne mais fácil manter uma atitude compassiva para connosco próprios. Paciência, gentileza e o contacto com o nosso centro, são agora as ferramentas para manter o rumo. É preciso sentir o Coração e ter fé que a mudança está acontecer. Tudo o que é preciso é aceitar que somos quem somos e que isso mesmo, é tudo que há de propósito.





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Partilha de uma experiência: Retiro de Meditação


Em Abril de 2013, foi organizado o primeiro retiro de meditação no Monte das Bardeiras. Foi um fim-de-semana de esperança! Muitas vezes vamos a um retiro porque sentimos que estamos a sofrer o peso do nosso passado. Em meditação, na tranquilidade interior, podemos descobrir que a vida nos sempre oferece a possibilidade de recomeçar!

Um dos participantes deixou o seu testemunho,  de como o ambiente e o grupo foram um apoio para se encontrar consigo novamente.
Obrigada Rodrigo!
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Retiro no Monte das Bardeiras, Abril de 2013

No final de 2012 a minha vida mudou profundamente ao ser confrontado com o divórcio. Ainda em choque comecei a tentar perceber o porquê para constatar que tudo já me tinha sido apontado ao longo dos últimos anos. Depois de longos dias de sofrimento e introspecção, aceitei a culpa e procurei dar uma volta na minha vida. Conclui que tinha de trabalhar a minha auto-estima para melhorar o relacionamento humano. Sei agora o quão distante estava de compreender verdadeiramente a realidade do que se passava comigo e do caminho que começava a trilhar.

O caminho que escolhi não se alterou mas está muito mais iluminado. O retiro teve um papel fundamental nessa tomada de consciência. Este representou a minha iniciação ao estudo de mim e do que andamos por cá a fazer. Senti que posso e devo desenvolver o amor-próprio sem ser egocêntrico desprezando os outros. E que este é um passo fundamental para ser feliz. E sendo feliz serei capaz de amar incondicionalmente, ter compaixão, saber perdoar os outros.

Foi tudo novo para mim mas fez tudo sentido. Desde a ligação que temos com a Terra até à Luz que me trará uma visão dum mundo melhor. Absorvi sentimentos, ensinamentos, energias positivas. Estava ávido por aprender porque o caminho que anteriormente escolhi começou a ter outro sentido, um propósito, uma razão de ser. Agora sei o que fazer para ser feliz. Pode até levar algum tempo, mas a motivação de compreender que estou no caminho certo é grande.

Tudo o que senti foi ampliado por uma envolvente de grande conforto, tranquilidade e beleza natural, com uma orientação tão amável e reconfortante da nossa guia espiritual, que facilitou a ligação ao mundo que me rodeia, e a compreender o caminho que tinha de seguir até me encontrar.

Não posso deixar de referir que conheci um grupo pessoas espectacular de quem, tenho de confessar, senti uma saudade profunda, a roçar a tristeza, no dia seguinte ao retiro... Não me perguntem porquê… Tinha-vos conhecido apenas ali, em dois dias! …Porquê este sentimento tão forte não sei explicar. Mas que muito contribuíram para o estado emocional em que me encontrei.

Durante o retiro – contaram-me – passei o tempo com um sorriso estampado na cara. Só dei conta quando me chamaram à atenção nas despedidas. O que sei dizer é que estive sem me preocupar se estava a fazer falta a alguém, sem me julgar constantemente, sem me sentir culpado. E talvez por isso exteriorizei, de forma inconsciente, aquele sorriso permanente.

Fico profundamente grato a todas mas em especial à minha querida amiga, que me desafiou a participar neste retiro, porque sem ela não teria esta experiência tão enriquecedora.
Uma experiência a repetir sem dúvida alguma.

Encontrem a felicidade que há em vós e até breve!

Rodrigo Jorge Santos
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 O segundo retiro terá lugar nos dias 24,25 e 26 de Maio, novamente no Monte das Bardeiras, Vimieiro. Desta vez, a temática será: como levar o estado meditativo para o dia-a-dia: meditação em andamento.
Uma particularidade: a sessão de sons no campo, com as Taças Tibetanas, didgeridoos e tambores, terá lugar no início da noite, porque vamos poder assistir ao nascer da Lua Cheia!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A lenda do Cavalo de Vento dos Choctaw

Também em tradições occidentais existem histórias sobre o Cavalo de Vento.
Da tradição nativa Norte-Americana, mais especificamente da tribo Choctaw, vem esta lenda:

No tempo em que dia e noite ainda estavam a decidir quem vem primeiro, vivia um Cavalo que nunca há de ser visto novamente. O Cavalo não era um que seria como o Buffalo moribundo, porque este Cavalo não tinha inimigos.
A razão porque este Cavalo jamais será visto, é por causa do amor.
É uma história que começa assim.

O Cavalo, que era chamado o Cavalo de Vento, era o mais rápido e mais gentil de todos os póneis índios. Ele não sentia medo, não havia quem o prejudicaria. Se houvesse um índio ferido ou que precisava quem o levasse, Cavalo de Vento estaria lá para cuidar e levar o índio. Por causa da bondade do Cavalo de Vento, não existe mais.

Um dia, enquanto Cavalo de Vento sentia a boa sensação de ser livre, ele ouvia um grito de socorro. Correu para a margem da floresta e viu um Rapaz índio preso numa armadilha destinada ao Urso. O pé do rapaz estava cortado e o Rapaz não conseguia mexer. Cavalo de Vento movia-se para o lado do Rapaz e logo que o Rapaz se encostou, ele curvou para que o Rapaz pudesse montá-lo.

O Rapaz, que não tinha nome, não conseguiu acreditar que este Cavalo tão bonito viesse ao encontro dele como amigo. Toda a sua vida tinha vivido sozinho - com a sua perna coxa, ninguém o queria por perto. Enquanto ele cavalgou o vento, ele sentia a boa sensação que Cavalo de Vento sentia. Era como ser inteiro e como estar com família.

Cavalo de Vento sabia que a ferida do Rapaz era uma que não podia ser curada ou emendada. Ele levou o Rapaz para o sítio dos Campos de Caça dos Índios. Era o sítio onde todos eram curados e não tinham medo ou necessidade. Cavalo de Vento sentia tristeza que alguém tão jovem como o Rapaz tinha que ir aos Campos, mas ele sabia que era o melhor.

Viajando, o Rapaz notava que o trilho estava sempre a mudar. No início era como foi quando o Rapaz foi ferido, depois era como foi quando ele estava feliz. Depois era como no tempo quando ele ainda não tinha nascido. Rapidamente ele estava a ver coisas que não reconhecia. O Rapaz juntava se mais ao Cavalo de Vento, porque começou a ter medo.

Cavalo de Vento tinha visto os tempos e tinha visto o Rapaz e a sua vida. Ele tinha sentido as sensações do Rapaz. Cavalo de Vento sabia que, caso continuava a jornada, ele não seria mais livre. Porque os sentimentos do Rapaz estavam a tornar-se os sentimentos do Cavalo de Vento. Porque Cavalo de Vento era o último da sua raça, a raça dos Cavalos que sentiriam os sentimentos de quem montava.

Shikoba - Choktaw Native American Horse, by Shanina Conway

Se o que montava ficasse no Cavalo de Vento, este partilharia o seu destino, porque uma ligação seria feita que não podia nem seria quebrada. Cavalo de Vento sabia desta união, e em consequência, sempre atirava o cavaleiro antes que qualquer ligação pudesse ser feita. Desta vez, o Cavalo de Vento sabia que o Rapaz seria o último a montar.

Enquanto viajavam, o Rapaz começou falar ao Cavalo de Vento e Cavalo de Vento escutava. Escutava as esperanças do Rapaz, que um dia ia correr com as folhas que esvoaçavam pelo chão. Escutava enquanto o Rapaz desejava alguém que acarinhasse e amasse o Rapaz que tinha a perna má. Enquanto escutava, Cavalo de Vento começou a sentir o amor pelo Rapaz que o Rapaz teria gostado de dar a um amigo.

Sim, pensou Cavalo de Vento, este é a minha última viagem porque encontrei aquele que precisa os sentimentos que eu sou capaz de dar. Sendo o último da minha raça, vou passar o tempo que me resta com aquele que pode dar e dará os sentimentos que eu preciso.

Cavalo de Vento virou a sua cabeça e aninhou-a junto à cabeça do Rapaz. Ele começou a abrandar, porque o fim da viagem estava perto. O Rapaz olhou e viu a casa dos que tinham ido antes. Realizou-se que a viagem era a última que alguma vez fazia. Começou a sentir medo. Mas quando Cavalo de Vento parou para o Rapaz poder desmontar, Rapaz notou que as duas pernas estavam sãs, e que todas as feridas, fome, necessidade e dor tinham ido embora. Cavalo de Vento não se mexeu para partir e o Rapaz sabia que o Cavalo também tinha feito a sua última viagem.

Cavalo de Vento nunca tinha levado os que o montavam até os Campos de Caça, por isso não estava familiarizado com o lugar. Tinha um mundo novo para explorar, e tinha um amigo com quem explorar. Enquanto o Cavalo de Vento e o Rapaz entravam no seu novo mundo, o Povo Índio sentia uma tristeza grande. Mesmo não sabendo o que estava a acontecer, o sentimento de uma perda grande e de infelicidade era comum. Cavalo de Vento ouvia os gritos de desespero, mas sabia que, com o passar dos sóis e das luas, eles acabavam por esquecer-se dele e da sua raça.

Cavalo de Vento tinha feito a sua última jornada. Ele ia sentir falta das viagens e dos amigos que ele fez e ajudou ao longo do tempo. Rezava ao Espírito Grande para que enviasse uma lembrança para o Póvo dos Índios da amizade que ele tinha partilhada como o Povo Índio. E em resposta às rezas de Cavalo de Vento, o Cavalo foi oferecido ao Povo Índio como amigo.

Nós somos como Povo, tal como Somos a nossa Herança. Temos que lembrar sempre e permitir-nos a ser lembrados por Os que Vieram Antes e Aindo nos Vigiam.

Copyright Teresa Janice Pittman - Choctaw Nation. Fonte: http://www.firstpeople.us/.

domingo, 28 de abril de 2013

Cavalo-de-Vento ou Lung Ta

No início, quando comecei com o blogue, escrevi sobre um dos significados do "cavalo-de-vento"  (Khiimori). O cavalo de vento é um símbolo forte em muitas tradições, mas talvez a aparência mais conhecida é o Lung Ta, bandeira tibetana de orações. Nas bandeiras estão impressas preces, mantras e as figuras de cinco animais.
No centro encontramos um desenho de um cavalo e nos quatro cantos estão quatro animais misticos que representam as nossas forças interiores.

A bandeira do Cavalo de Vento ou Lung ta representa nossa capacidade de realização, nossa força motivadora que reúne e harmoniza todas as outras forças.
O Garuda significa a nossa coragem, sabedoria e capacidade para enfrentar obstáculos como doenças e situações difíceis.
O Dragão representa a nossa capacidade para aprender e magnetizar através do som e da fala, nosso poder e boa reputação.
O Tigre é a nossa confiança, nossa bondade e modéstia.
O Leão das Neves representa a nossa alegria, nosso contentamento, nossa beleza e nossa mente clara e precisa.

Quando os cavalos de vento tremulam com a brisa, suas preces e mantras são enviadas na direçao do céu com a intençao de beneficiar todos os seres sencientes.
O acto de pendurar bandeiras de oração, é um acto de serviço ao Grande Conjunto. Manifestamos o nosso desejo que todos os seres possam ser livres, e entregamos ao Vento as orações e mantras. Todos que precisam, têm assim a possibilidade de sentir a empatia que lhes enviamos, de sentir que não estão sozinhos; os mantras e as orações lembram que para todos é possivel livrar-se do sofrimento e da causa do sofrimento.
É uma acto livre de apego ao ego: quem recebe a bênção do cavalo-de-vento, fica sem saber de onde originou..
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