Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Lua Cheia - 30 de Janeiro 2010

Hoje celebramos mais uma vez a Vida ao ritmo da Natureza - desta vez por ocasião da Lua Cheia. Qualquer altura é boa para celebrações, mas no período da Lua Cheia sentimos com mais intensidade que a força da Natureza nos corra pelas veias.
A Lua, a Terra e o Sol encontram-se alinhados, de modo que o Sol ilumina por completo a face da Lua que está virada para a Terra. A Lua recebe, sem interferências, toda a Luz do Sol.... partilhando a Luz connosco, faz com que mesmo durante a noite conseguimos ver!
É uma altura boa para pensar no nosso equilíbrio espiritual.
Somos um espelho do Universo, o que há em cima há em baixo, como se costuma dizer.
E dentro de todos nós há uma Lua, uma parte que sabe receber, que entende as necessidades dos outros, porque sabe e sente que todos temos as mesmas necessidades a um ponto ou outro da nossa vida. Há um lado que sabe partilhar este entendimento intuitivo, olhando para o outro tal e qual como ele é. Aceitando que todos nós somos quem somos, com todos as qualidades e fraquezas inerentes, virados por vezes para a luz, por vezes para a sombra...podemos partilhar a Luz que nos ilumina, sabendo que há e haverá para todos. E assim, a Lua em nós, oferece ao Sol em nos, oportunidade mostrar o seu brilho!
Porque dentro de todos nós também há um Sol, esse parte que gosta de mostrar o que somos, de irradiar a força das ideias, de inspirar quem esteja por um momento na sombra. A parte que faz de nós, o centro do nosso próprio mundo... é a força através da qual toda a intuição da Lua é manifestada.
Convido-te de esticar as tuas mãos para a Lua Cheia, hoje à noite, e sentir como a força da Lua e do Sol se conjugam em ti!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ego e Desapego - parte 1

Pediram-me de escrever sobre o Ego e o Desapego.
Até parece um duo tragicómico com estes nomes. A verdade é que os dois muitas vezes se metem à frente um do outro no nosso caminho espiritual!
Há aqui muitos factores a considerar para se ter alguma noção sobre a questão. Hoje seguem algumas ideias para começar.

O Desapego muitas vezes aparece na nossa vida quando iniciamos um caminho espiritual. Quando começamos a sentir que há mais além deste corpo físico, que há um Eu maior do que este que está confinado ao nosso cérebro e personalidade, normalmente inicia-se um processo em que as posses materiais começam a ser relativizadas. Começa a haver noção de que Ser é mais importante do que Aparecer ou Ter. O desapego material é normalmente uma fase que é bem compreendida e encarado com tranquilidade, uma vez que as necessidades materiais, embora não desaparecendo, resultam menos urgentes ou prementes. A corrida para mais, mais, mais, e a competição com “o vizinho” deixam de ter significado.
Contudo, mesmo o desapego material não é tão óbvio como parece – é preciso segurança interior, um saber profundo que integramos o Grande Conjunto, para poder ter confiança suficiente.... Muita gente continua a precisar de um sentimento de segurança material, o que dificulta progressos no seu caminho espiritual: “Se vou fazer o que o meu coração diz que sou capaz, como vou sobreviver? Será que tudo vai correr bem?”

O exemplo do desapego material, já é uma indicação que o apego tem a ver com as circunstâncias desta vida específica em que estamos agora, limitada pela idade a que o corpo físico, e a personalidade associada, possam chegar. Mas no nosso caminho vamos progressivamente descobrindo que há mais do que isso, que temos vidas anteriores e havemos de ter vidas depois desta. Que há um Eu que vai além da personalidade…. Infelizmente somos constantemente seduzidos a confundir o Eu com a personalidade!
E aqui chegamos ao Ego – que mais parece uma ferramenta psicológica para garantir ao sistema físico que haja sempre energia emocional suficiente para funcionar! Por outro lado, por muito má fama que tem o Ego, penso que também devíamos honrar a sua origem: sem Ego, a nossa sobrevivência como espécie seria muito mais difícil.

Mas de facto, o Ego prova-se problemático em muitas situações. Todos conseguimos identificar quando temos à nossa frente uma pessoa com um Ego demasiado grande – sentimos por exemplo a dificuldade em encontrar soluções de compromisso com pessoas indevidamente orgulhosas; sentimos dificuldade em comunicar com pessoas que sempre querem ter razão… o “Ego” (no uso comum do termo) denuncia em geral uma identidade desproporcionalmente demarcada, que procura uma manipulação emocional do outro para se confirmar como personalidade.

Mas o Ego manifesta-se de maneiras muito mais subtis em todos nós – quando as nossas acções são motivadas por necessidades emocionais. O Ego forma-se baseado em noções temporais: condicionado pelas experiências do passado e pelas expectativas acerca do futuro.
O Eu superior, pelo seu lado, não é temporal, nem local – vive no Aqui e Agora, em União com Tudo que É. Se tencionamos unir-nos com o nosso Eu superior, e viver em conformidade com quem SOMOS no fundo do coração, temos que confrontar-nos com o nosso Ego.
Confrontar-nos com as nossas necessidades emocionais, de não querer ficar magoada, traída, abandonada. Confrontar-nos com os nossos medos: de não ser capaz, de ficar sozinha, de não sentir realização pessoal.
A partir daí perceber como aconteceu este condicionamento: sendo necessidades emocionais, dizem respeito a acontecimentos que ocorreram nesta vida em específico. Num plano maior, nunca estamos sós, há amor em abundância para todos, estamos todos juntos nisso. Percebendo isso, podemos abrir mão deste condicionamento – e do comportamento do Ego associado.

Agora a questão fulcral: como saber se as nossas motivações são puras e provenientes do nosso Eu superior?
Para mim, vou aplicando (dentro das minhas capacidades) os ensinamentos dos grandes Mestres, nomeadamente estes que dizem respeito ao amar o outro como nos amamos a nos próprios ; de tratar os outros como gostaríamos de ser tratados; e de avaliar se algo é para o bem de uma pessoa e de todos.
Também vejo em que medida as minhas motivações são incondicionais: preciso algo em troco para o que dou? O que está em jogo para mim? Há alguma necessidade de satisfação emocional disfarçada?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Khiimori


No shamanismo asiático o cavalo de vento é uma alegoria para a alma humana. Khiimori representa a força interior de um ser humano, ou seja, a sua alma. A força de Khiimori ajuda a encontrar a harmonia entre Father Sky e Mother Earth, entre o masculino e o feminino dentro de nós próprios....
Quando encontramos a harmonia nesta dualidade, o fruto do casamento interior é a criança dentro de nós que quer crescer, aprender, brincar, sendo nutrida pela mãe em nós e protegida pelo pai...para realizar-se como ser humano que é.
O caminho para um casamento interior harmonioso não é linear e não tem receita igual para todos. O que é preciso é libertar as imagens padronizadas do que é uma mulher, do que é um homem, libertar os comportamentos que adquirimos pela cultura em que crescemos e pela experiência da vida - a fim de podermos olhar para estas forças interiores de uma forma pura. Admitir que temos direito à nossa própria maneira de ser, é um primeiro passo. Ouvir a nossa voz interior é outro.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

o som da chuva


A música da chuva a tocar na janela do quarto é uma banda sonora agradável e eficaz para uma meditação...
Gota após gota a chuva vai incentivando o meu corpo a fluir, a deixar cair tudo o que me preocupa, tudo o que a mente inventou ... Gradualmente, a tranquilidade regressa, e começo a ouvir as subtilidades das gotas diferentes, todos tocando em separado no vidro, com a sua própria tonalidade. Ao mesmo tempo vou chegando à apreciação do conjunto da água que cai,  purificadora, base da vida que há-de desbrotar na Primavera.
Gravo na memória a sensação dessa beleza.... para poder recorrer a ela quando me esquecer do guarda-chuva.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Início

Hoje dou início ao meu blog. Resolvi dar-lhe o nome Cavalo de Vento - por lembrar as bandeiras de preces budistas. Multicolores, pendurados num fio, as bandeiras de prece são soprados pelo vento... o ar leva as bençãos e orações impressas no pano, para que o vento fique abençoado. Os cavalos de vento vibram na brisa que leva as suas orações e mantras, com a intenção de beneficiar todos os seres sencientes..

O blog será dedicado à sabedoria que reside em cada um de nós. À sabedoria universal, que brilha nas profundezas do coração humana, junto à compaixão - mas que tantas vezes se encontra tapada por obstruções mentais de toda a espécie.

O Cavalo de Vento traz consigo o convite para abrirmos o coração para apreciar este brilho, para começar a ver e entender que todos estamos juntos neste mundo maravilhoso.

Todos juntos somos um só, somos o milagre da Criação!

Obrigada a todos que me encorajaram para meter mãos à obra e aventurar-me na blogosfera. Peço à partida compreensão para a escrita que nem sempre será imaculada ao nível da ortografia e / ou gramática... faço o que posso.



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