Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Lua Cheia de Março

Na próxima segunda-feira, dia 29 de Março, a Lua Cheia convida-nos novamente à celebração da nossa ligação com o Universo.
Será uma Lua Cheia no signo da Balança. A meditação da Lua Cheia em Balança, será um apoio em perceber, aceitar (e possivelmente abraçar) as diferentes formas de Amor e relacionamento, sem julgamento - será um apoio para ligar-nos, explorando as nossas relações pessoais para percebermos melhor o que nelas procuramos - entendendo o que é que procuramos equilibrar através dos nossos relacionamentos.

Assim, em vez de fazermos a meditação na casa atrás da Sé, convido-vos de juntarem-se, ao ar livre, numa

Meditação e Ceremónia de Lua Cheia
no
Cromeleque dos Almendres em Guadalupe, Évora
na noite de
Segunda-feira, dia 29 de Março , às 19.30 horas.


Estão todos bem-vindos!

É costume trazer uma oferenda ao sítio (um pau de incenso, uma flor, uma pedrinha, um pouco de água, ou o que sentires como adequado).
A contribuição para a cerimónia em si, fica à consideração de cada participante.

Se conhecer pessoas que possam estar interessadas em participar, por favor, encaminha a mensagem.
Se souberes de pessoas que costumam vir à meditação nas segundas-feiras, por favor, avisa-as da mudança de lugar.

Até Segunda,

Paz e Saúde

Arco Iris

Hoje de manhã acordei com a luz do sol a brilhar entre as nuvens. Pálida, ainda ténua, o Sol levantou-se entre núvens carregadas de chuva. Todavia, havia uma abertura suficientemente grande para que o Sol se deixasse ver. Suspiro. Quando virá finalmente a Primavera? O meu estado de espírito parecia o tempo lá fora - chuva sem fim. Já há semanas anseiando por um pouco de sol, um pouco de ilumação, pensei em todo que me aconteceu ultimamente. E senti a minha frustração comigo própria, por não ter tido resposta ou entendimento suficiente para o meu gosto.

Então fui abrir as cortinadas do outro lado da casa e vi uma paisagem espectacular - o montado, molhado, cheio, sobre um prado verde, por baixo de um céu cinzento-violeta, e o arco-iris a surgir como se tivesse nascido de entre as árvores.

Guadalupe, 24/03/2010 - 6.45h

A luz do Sol, transparente, imparcial na sua iluminação de tudo que é, tocou nas gotas de água suspensas no céu, e desfez-se nas cores mais delicadas, um arco mais carregado de cores, outro arco como se de uma sombra se tratasse, subtilmente desenhado mais além.

Espectacular. Admirável. Fiquei aí, surpreendida pelo cenário espectacular deixando que as cores me chegassem -
- e de repente, o pensamento surgiu que é isso mesmo que acontece com o ser humano....
A beleza e riqueza do ser humano torna-se visível no momento em que a sua complexidade se revela: tal como acontece quando a Luz pura do Sol passa pela barreira da água, revelando o conjunto de cores que compoêm a brancura, o nosso Ser revela-se quando confrontamos com o outro. No encontro temos oportunidade de mostrar todas as nossas cores (emocionais) - suaves ou menos suaves, carregadas ou leves, mais claras ou mais escuras. É nos dias chuvosas em que o Sol e a Água se encontram para nos mostrar que é também nas tormentas que nasce a perfeição. É nos encontros com o outro que podemos ver o leque emocional que condiciona as nossas reacções -  a tristeza, a insegurança, inveja, dor; a alegria, compaixão e todo o amor que o nosso Ser contém, é refractado e reflectido nas nossas reacções às emoções do outro. Podemos conhecer-nos em profundidade, olhando-nos como se fosse o arco-iris que admiramos, sem fechar os olhos para as cores que não gostamos de ver. Porque o arco-iris também só o é por conter todas as cores

Reconfortante, essa imagem do arco-iris. Senti gratidão por poder testemunhar essa beleza tão intensa quanto efémera e mutante, e percebi mais uma vez que é verdade: Tal como em cima é abaixo, tal como abaixo é em cima.

quarta-feira, 24 de março de 2010

To be or not to be

A nossa vida parece desenrolar-se sempre entre dois pólos... uma dualidade constante, que divida o mundo tal e qual como o percebemos
Luz e sombra
dia e noite
o eu e o outro
o que faço e o que me é feito
vencedores e vencidos
quem sofre e quem faça sofrer
o masculino e o feminino
a vida e a morte

e por baixo desta experiência de opostos, uma espécie de saudade para uma realidade que una, que sobressai dos opostos, um estado feliz, sem necessidade de escolha, uma harmonia em que tudo possa SER, em que não é preciso tomar partido...
Quer me parecer que esta saudade é provocada por uma memória longícua de um estado primordial, em que tudo o que é, formava um só....
Um estado de plenitude, em que as almas partilharam a mesma energia, antes de começar a dispersar.
As nossas almas parecem lembrar-se - mas encontrámo-nos neste corpo físico, aparentemente separados do resto da Criação por razões materiais.
E nesta separação nasce o sofrimento, que pode tomar todas as formas e mais alguma... um sofrimento porque sentimos a falta de plenitude.
Aí começamos a correr o risco de fugir ainda mais na dualidade, refugiando-nos numa posição extremada - a concorrência e a comparação, a inveja e o apego, a vontade de prender o outro, o controlo, a manipulação, a dependência - tudo isso mantêm-nos na separação. Chegamos por vezes ao ponto de proclamar-nos vítima de circunstâncias; exigir aos outros que emendam os seus problemas (e os nossos, já agora); instrumentalizar a nossa vulnerabilidade, fugindo no silêncio; ou mesmo tentar mostrar, nem que seja a nós próprios, a nossa força e superioridade, atacando o outro.

Mas o caminho para a plenitude - esse estado em que sentimos a energia da vida toda a correr-nos pelas veias, esse estado em que sentimos amados e capazes de amar, realizados como seres humanos - não parece encontrar-se na nossa manifestação como individualidade.

Todos os grandes correntes filosóficos, religiosos, esotéricos, elaboram a ideia que podemos encontrar a plenitude dentro de nós próprios - no nosso SER.
A cerne da questão parece estar em simplesmente SER - neste momento, aqui e agora, sem mais nem menos. Sentindo a vida manifestar-se através de nós próprios, aceitando plenamente que tudo faz parte da vida. Nesta experiência do AQUI e AGORA, o nosso ser, chega a englobar o tudo o que É.
A partir daí podemos aceder à Sabedoria: percebendo que já não é preciso que o mundo fora de nós satisfaça os nossos desejos, que já não é preciso caminhar para chegar a um estado iluminado, que temos acesso a toda a energia vital que precisamos, sem ter que recorrer a outros por isso. Na experiência do SER, podemos sentir que estamos todos juntos nisso, podemos superar a dualidade.

Cada um é quem é - com todas as imperfeições e qualidades, fazes parte do Grande Conjunto. Não precisas de te tornar algo, porque tudo que possas ser, já ÉS. Basta perceber que é o suficiente.
Ser ou não ser - a questão da nossa vida.

quarta-feira, 17 de março de 2010

20 e 21 de Março - meditação de Luz

No Equinócio da Primavera celebramos o equilíbrio entre dia e noite, e que a partir desta data os dias serão mais compridos: os botões das flores começam a abrir, o Sol já aquece, podemos saír da nossa hibernação.
Mas este ano há mais para celebrar: no Equinócio haverá um fluxo extraordinário de energia cósmica a vir para a Terra, que nos vai trazer força para a construção da Nova Terra.
 O Sol a nascer no Cromeleque dos Almendres,  21 de Março 2009

Há anos que os trabalhadores de Luz (Lightworkers) em todos os cantos do mundo estão a empenhar-se para reconstruir a grelha de Luz à volta do planeta. É a chamada Grelha da Conciência de Cristo - linhas energéticas em forma de rede que vibram na frequência da Luz do Amor Puro. São as linhas pelas quais podemos fazer as viagens astrais, são vias de ligação para outros locais no planeta.
Nos locais de força na Terra existem portais, onde a energia cósmica de frequência alta, que é transportada por esta rede, pode entrar na Terra, e expandir-se a partir destes locais, para toda a Terra, inclusivo para a Humanidade que nela vive. Quando os locais de força têm uma vibração similar à rede de Luz, a energia cósmica encontra um sítio para se agarrar, e estabelecer uma ligação firme.
As redes energéticas estão ligadas às redes de linhas Ley, e com os sistemas de água e de cristais dentro da Terra. No decorrer da evolução da Terra, e sob o efeito de acções com efeitos destruidoras, como guerras ou violência, as redes energéticas ficaram poluídas, perturbadas ou interrompidas, às vezes desviadas. Muitos trabalhadores de Luz, em todo o mundo, dedicam-se a limpar as linhas e preparar a rede para receber a Luz e ancorar novamente nos locais de força.
A Energia da Luz Universal, vindo da Fonte, engloba em si as duas polaridades, formando UM só. É a Energia da Harmonia entre Tudo o Que É. Nesta harmonia, não há valorização de uma parte acima de outra parte. E é nesta Harmonia que a força do feminino divino, a energia da Deusa Mãe, volta a procurar a sua valorização neste mundo, ao lado de e como igual ao Deus masculino.

E cada vez mais pessoas sentem que o trabalho interior que estão a fazer, não é só para eles, não tem só efeito individual. Ao procurar a nossa harmonia interior, reconhecemos o nosso direito de SER tal e qual como somos, sem julgamentos, sem preconceitos. Abrançando o nosso proprio SER, abrimos caminho para poder aceitar o outro também tal e qual como É. Abrimos caminho para a igualdade e a liberdade entre todos. É como um convite para que a Energia Universal volta a chegar em pleno à Terra. Cada coração que se abre para a harmonia interior, para o Amor Todo-inclusivo, está a sincronizar-se com a Luz Universal.

No Equinócio, a altura á propício para procurar equilibrar a nossa mente, o nosso corpo e a nossa alma. Agora, neste próximo Equinócio, numa meditação destinada a apoiar a Mãe Terra, mostramos ainda a nossa disponibilidade para que a Energia Universal, vindo do cosmos com uma frequência elevada, chega a Terra também através dos nossos próprios campos energéticos, para que se expande e possa chegar a todos e a Tudo o Que É.

É natural que nos dias antes da abertura de um "portal", recebes mais do que energia construtiva. Através da abertura provocada pelo fluxo de energia cósmica, vem a boleia igualmente energias mais destrutivas, mais ligados à manipulação e controlo, mais destinado a manter as pessoas diminuidas e limitadas. Irritabilidade, melancolia, dores de cabeça podem ocorrer, bem como outros desequilibrios emocionais, até pensamentos negativos ou fatalistas. Às vezes estes sintomas começam já semanas antes do acontecimento cósmico, e destina se a desencorajar, a baralhar a mente.
O que podemos fazer? Basicamente, é uma oportunidade para ficar consciente que a escolha é sempre nossa. Nem tudo que vem do Céu está ligado à Harmonia.  Todos temos o direito de decidir em que harmonia queremos viver. O teu campo energético é o teu espaço sagrado, não podes ser obrigada a ter comportamentos que não queres ter. És igual a todos os outros, tens a mesma força que qualquer um. Sentes-te livre a dispor desta força, para o teu bem - e para o bem de Tudo o que É.

Após a cerimónia no Equinócia da Primavera de 2009, no Cromeleque dos Almendres
Espero poder encontrar-vos no Cromeleque, no domingo de manhã. Se quiseres juntar-te mas não podes vir,  podes fazer a tua meditação de Luz e ligando-te não só a nós, mas a todos que a volta da Terra abrem os corações para que a Paz possa vir ao Mundo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Equinócio da Primavera

No próximo fim-de-semana começa a Primavera, no 21 de Março. Festejamos o Equinócio, altura em que o dia tem a mesma duração que a noite - daí o nome "Equinox" ( noite igual).
O Sol estará em equilíbrio entre o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul, e o Sol nascerá exactamente em Este, fazendo uma linha direita para se pôr exactamente no Oeste. Por isso, é no dia 21 de Março que te podes "orientar"  tão preciso quanto possível: saberás onde fica o Oriente. 
Tecnicamente será no sábado 20 de Março que o Sol passará a linha do Equador.
Será na manhã do dia 21, a hora do nascer do Sol, que haverá no  
Cromeleque dos Almendres em Guadalupe
uma meditação / celebração do Sol e da Terra, da Luz e da Vida.

Vamos reunir às 6.30h de manhã para ver o nascer do Sol - se o vento colaborar e soprar as nuvens para longe.
Para quem quiser vir: é hábito os participantes trazerem uma oferenda para o sítio, por exemplo uma pedrinha, uma flor, um pouco de água ou um pauzinho de incenso.
Quem quiser, pode trazer chá ou fruta para partilhar após a cerimónia.

Uma contribuição para a meditação em si agradeça-se, fica à consideração dos participantes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

o Deus e a Deusa

Todas as culturas que conhecemos, têm adoradas formas femininas da Divindade, mesmo as culturas que se identificam fortemente com um Deus superior masculino.
Atena, Deusa da Sabedoria; Kuan-Yin, Buddha feminina da Compaixão; Tara, Deusa Mãe "ela que salva"; Isis, Durga, Kali, Venus.....; a Deusa está presente em todas as religiões e culturas e assume muitas caras e muitas formas.
A maioria das imagens humanas encontradas pelos arqueologos, datadas entre 30.000 e 5.000 antes da era comum, são femininas. Mulheres eram reconhecidas  como as que dão e sustentam a vida, e eram respeitadas como sacerdotas.

Existe, na verdade, só UM Ser Divino, que podemos chamar a Fonte, o Altíssimo, o Absoluto.... Este encontra-se além de nome e género, além da dualidade. Deus/Deusa, Luz/Sombra, Bem/Mal, qualquer caracteristica humana ou sobre-humana, qualquer nome que gostariamos de dar ao Ser Divino Unico, é sempre uma tentativa de entender algo que se encontra, nesta altura, fora das dimensões humanas, fora do alcance do nosso intelecto.
Percebemos no entanto muito bem que não pode haver Deus sem Deusa, como não existe Yin sem Yang, ou Sombra sem Luz.
É no equilíbrio, na dança conjunta, que os dois se juntam para formar so UM. Nova vida, criada pela fusão das duas partes. A Criação tem lugar no encontro entre masculino e feminino - no equilibrio entre os dois.

Este acontecimento não é algo fora de nós - não é uma luta, nem é algo que só pode acontecer entre dois representantes de sexo oposto. Na verdade, a Criação acontece dentro de cada um, a cada momento.

E podemos sentir isso no nosso corpo: a força da Terra, a Mãe, exercida sobre o nosso corpo para nos segurar, é a mesma força que nos faz erguer, em direcção ao Céu, o Pai,  para que nos possamos realizar como seres humanos que somos.

O masculino e o feminino são complementares. Neste Dia da Mulher, somos todos convidados a sentir que somos pessoas, nascidos na dualidade, mas capazes de evoluir além.

domingo, 7 de março de 2010

Dia da Mulher - para recuperar o equilíbrio

 
Artwork by Artemis-Artist.com

Amanhã, dia 8 de Março, assinala-se o Dia Mundial da Mulher, pensado para chamar a nossa atenção para a desigualdade entre o homem e a mulher, que na realidade ainda existe.
Em muitas culturas, ela trabalha, educa os filhos, gera a casa, e não recebe reconhecimento em termos de remuneração monetária, nem é considerada membro de direito próprio da comunidade, nem tem direito de decisão sobre o seu corpo e a sua vida.
Entre nós, ocidentais, gostamos de pensar que temos noção da igualdade das mulheres. No entanto, ainda se verificam diferenças salariais, por exemplo, ou diferenças em termos representativas nos lugares chamados de poder.
É tentador dizer que é uma questão de mentalidade, que a educação corrigirá progressivamente, deixando que o tempo passa e os costumes mudam.

Se é uma questão de educação, na verdade temos uma responsabilidade grande em dar o exemplo à geração que está a crescer e que está no meio da formação da sua identidade como homem ou mulher.

Depende de nós, e do nosso entendimento da nossa própria identidade, se somos um exemplo de liberdade e igualdade - não só igualdade de géneros, mas igualdade entre pessoas.
Para isso é necessário sentir-mos a nós - não em comparação com os outros, não em concorrência, mas cada um pelo seu valor intrínsico.
Estamos todos juntos nisso - cada um é uma parte de um corpo maior: a humanidade. De mãos dadas, cada um é importante para que todos se sentem bem. Não interesse se é homem ou mulher - o importante é o reconhecimento de cada um para os seus próprios aspectos masculinos e femininos. Importante é o respeito e o equilíbrio entre o masculino e feminino que cada um consegue dentro de si próprio. Só assim podemos olhar para o outro e a outra, como igual - com a mesma atenção, o mesmo respeito que gostaríamos de receber.

A meditação de segunda-feira, dia 8 de Março, será dedicado à igualdade entre os nossos aspectos interiores masculinos e femininos - e como podemos unir no nosso corpo, na nossa mente e alma, esses extremos.

Estão todos bem-vindos, o início é às 19.30h na Associação Oficina da Comunicação, Largo Dr. Mário Chicó, 7, Évora.

terça-feira, 2 de março de 2010

A Criação

O nosso caminho é um processo de criação contínuo.
E como cada processo de criação, é no proprio processo que está a arte: não é de antemão que podemos saber qual será o resultado. É confiando nas nossas capacidades, observando o processo, ajustando no momento em que sentimos que desviamos da harmonia, que criamos a obra da vida.

Tudo bem, mas como sei se vou tomar a decisão certa???

Se entendemos a vida como um processo de aperfeiçoamento contínuo, um caminho para um estado de tranquilidade e paz interior duradouro, estamos a entender a vida como um "work-in-progress" ou seja, uma obra inacabada, cujo valor momentâneo,  vem da avaliação do próprio processo.
No dia-a-dia é isso que fazemos: sentindo o momento, recorremos à nossa intuição para sentir se as nossas acções estão em Harmonia connosco.
Sabendo que somos um espelho do próprio Universo, fazemos o que nos parece ser em benefício de todos, nós incluídos.


E o homem foi feito à imagem de Deus. (Gênesis 1:26-27)...nós somos o Criador. Não hesitas, nem pensas que precisas de saber como vai ser o resultado antes de tomar decisões. Também Deus criou o Mundo, e no sexto dia  Ele viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom. (Gênesis 1:31)
Ou seja - também Ele só no final viu que estava bem o que tinha feito.
Havemos de ter fé em nós e as nossas decisões. Se vamos criando a nossa vida com o mesmo amor e a mesma dedicação com que o Mundo foi criado, estamos  no caminho certo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A felicidade é o caminho

As palavras podem ser como moedas: reluzente, podem trazer uma riqueza aparente, e bem interpretadas, podem render e resultar em sabedoria.
Mas também podem ser interpretadas com a visão restrita do ego, usadas para justificação, desviar os olhares de uma riqueza mais profunda, tal e qual o que faz o dinheiro fácil ou o briho do ouro com o avarento.
Isto vem a propósito do post da semana passada: não há caminho para a felicidade.
Podemos interpretar a frase de uma maneira que remete à nossa responsabilidade sermos felizes, e fazermos a cada momento o que está ao nosso alcance para ser feliz.  Uma posição de força interior pessoal, de igualdade, emancipada.
Também podemos interpretar como: não há caminho, a felicidade tem que surgir por si só. Esta ultima atitude pode resultar num fatalismo que não traz felicidade, antes pelo contrário, sustenta e prolonga o sofrimento. Uma posição centrado no "ego", que se perfila como incapaz e inseguro, à espera de socorro.
Somos seres sociais, gostamos de viver em conjunto com outros, no intercâmbio de sentimentos, partilhando as nossas ideias, as nossas esperanças, o nosso amor. A nossa felicidade sempre está ligada à dos outros - se nós somos felizes os que estão à nossa volta, recebem ondas boas. Os que nos amam, sofrem quando vêm que somos infelizes. E vice-versa. Neste intercâmbio podemos experimentar a nossa igualdade, a nossa liberdade, o nosso valor ao lado do outro, sem manipulação, dependências ou controlo.
Aí começa a nossa responsabilidade - e a opção de deixar passar a vida à espera que muda no nosso favor, com o fatalismo de "não há caminho", deixa de fazer sentido.
É a nós escolhermos a cada momento para ser feliz. Temos a liberdade de não querer ser feliz, de nos sentir sujeito às circunstâncias, às vontades dos outros.
Mas a nossa liberdade acaba onde a do outro começa. Não podemos limitar a liberdade de escolha do outro - isso acaba por ser manipulação.
O anseio de liberdade, de felicidade, remete para o reverso da moeda: não há acesso à liberdade sem assumir as responsabilidades conexas. Como não há acesso à força sem reconhecer vulnerabilidades.
A Mãe Natureza mostra-nos que para ela, isso é Lei - basta olhar para a borboleta, muitas vezes tido como símbolo da liberdade.
Não há borboleta que voa antes de ter deixado secar ao sol as suas asas: tem que abrir as asas, ainda húmidas depois da saída do casulo, e só pode voar se se expor primeiro, com toda a sua beleza e vulnerabilidade.
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