Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ho'oponopono

Hoʻoponopono (ho-o-pono-pono) é uma práctica ancestral Hawaiana, de limpeza energética de relações humanas - uma práctica para a reconciliação e perdão. Prácticas semelhantes são comuns nas ilhas do Pacífico Sul, tais como Samoa, Tahiti, Nova Zelândia. Tradicionalmente era aplicada por sacerdotes ou curandeiros, mas actualmente as orações do Hoʻoponopono são aplicadas por muitos que procuram clarificar as suas relações com outros ou limpar emoções negativas dentro de si próprio.
A base da oração Hoʻoponopono (ou mantra, se quiser) são 4 frases, pronunciadas após análise da discórdia e após ver as perspectivas das partes envolvidas.  Podem ser também aplicadas a nós próprias, quando notamos que tivemos pensamentos, atitudes ou gestos que prejudicam a nossa própria integridade...

 oração Ho'oponopono
A tradução: Eu lamento. Por favor, perdoa-me. Eu te amo. Agradeço-te. 

Tão simples, tão poderoso.

Desenvolver a capacidade de pedir perdão e perdoar, reflecta a nossa capacidade de sermos responsáveis para os nossos actos. Chamar a nós a responsabilidade para os nossos actos, é algo incrível, de tanto poder confere. É uma atitude enraizado no momento, no Aqui e Agora, acontece no nosso espírito, a partir do nosso potencial pleno.
Embora pode parecer que perdemos a nossa cara, admitindo os nossos erros e as nossas atitudes erróneas, não é preciso receio. O contrário é o caso: ganha-se credibilidade. Na minha experiência, é das coisas mais humildes, poderosas e criativas que alguma vez aprendi fazer. O que é preciso é aprender pedir perdão e perdoar, com toda a intenção! Não vale uma desculpa a partir de um sentimento de culpa ou como manobra de defesa pessoal...

Uma variante ao Ho'oponopono é esta mensagem de vídeo de um grupo chamado "Conscious Men". O que eles procuram, é o perdão, ao nível das relações entre homens e mulheres...Uma mensagem forte, que ajuda limpar mágoas antigas... originadas por haver desrespeito, falta de amor, abuso... e que muitas mulheres trazem dentro de si, de uma forma ou outra.
Mesmo se os homens não foram pessoalmente responsáveis pelos actos contra as mulheres, eles trazem  consigo parte deste karma colectivo. Parece que é altura de encarar este karma e re-estabelecer o equilibrio, valorizando o respeito mútuo e o amor todo-abrangente.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Perdoar para poder ser livre

O conceito de "karma" desde há muito entrou no nosso vocabulário. Karma é um conceito espiritual, normalmente aplicado no âmbito de tradições orientais, entendido como a Lei da Retribuição em Acção. Sendo uma Lei, não tem necessariamente uma conotação negativa; mais do que isso Karma representa a necessidade de equilíbrio. Karma permite que ficamos a conhecer e compreender diferentes pontos de vista, através da experiência de aspectos e perspectivas diferentes da vida.
Karma ensina-nos acerca de causa e consequência. Na área da física, existe uma lei equivalente:  "Para toda acção existe uma reacção de força equivalente em sentido contrário". Neste caso, para cada um dos nossos actos podemos esperar que haja uma reacção, uma consequência.

Ao aceitar a Lei do Karma,  temos que encarar a responsabilidade que temos em relação à nossa vida. Em última instância, somos responsáveis por todos os aspectos da nossa vida - todo que nos acontece é resultado de acções anteriores, como tudo que fazemos traz consequências mais tarde. (Nota-se que "acções" incluem também intenções, pensamentos e palavras expressas!) Experimentamos o Karma como bom ou positivo quando coincidências felizes ocorrem que nos deixam optimistas e contentes. Mas tendemos a achar que pesa sobre nós Karma negativo, quando sentimos abatidos, magoados pelos eventos ou vítima das circunstâncias.

Karma não só é resultado das acções ocorridas nesta vida, mas igualmente das de vidas passadas. Mas como a  nossa mente não tem acesso directo a uma memória dos eventos de vidas passadas, como podemos lidar com o Karma "negativo"? Como podemos usufruir da aprendizagem que nos é oferecida para o nosso crescimento? Ainda por mais, a regra geral é que um episódio kármico só se chega a entender claramente, depois de ter aprendido a lição.

Uma aproximação para inverter o cíclo do karma - principalmente quando falamos de karma criado em relação a outros, com quem temos relações kármicas - é aprender a perdoar e pedir perdão.

Only when we unchain ourselves we can fly
Perdoar é o acto de libertar-te dos pensamentos e sentimentos que te ligam a uma ofensa, imaginária ou real, que foi cometida contra ti.
Perdoar é um acto criativo, transformador. Transforma-nos de prisioneiros do passado em pessoas libertas, em paz com as nossas memórias.
O primeiro passo é reconhecer o valor do perdão e o impacto positivo que o perdão pode ter na nossa vida: largando o controlo e o poder que a pessoa que nos ofendeu tem sobre nós, podemos deixar de ser vítimas. Em vez de olhar para a nossa vida, e descreve-la através das mágoas que sofremos, podemos definir-nos pelo crescimento e evolução que fazemos.

O perdão tem duas partes: a parte mais pequena é perdoar e libertar os outros. A parte maior é perdoar-te a ti, por ter permitido que estiveste preso a emoções negativas. Perdão não é só algo que podemos oferecer aos outros - o perdão é uma dádiva que oferecemos a nos próprios.

Perdoar também é chamar a ti a responsabilidade sobre o teu próprio bem-estar, sobre os teus pensamentos, as tuas emoções. Ressentimento, ira, ciumes, desilusão, são emoções negativas que chamam pensamentos negativos perante o outro - o que, segundo a Lei do Karma provoca uma reacção em direcção contrária.

As emoções negativas pendem do nosso pescoço como um peso que nos trave. Se não as encaramos, elas limitam e são um constrangimento para as emoções que têm uma vibração mais alta, mais leve, mais quente e mais súbtil, como o Amor e a Compaixão.
É um convite para começar a perdoar: Solte as correntes! Não podemos voar se estivermos acorrentados...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Wild Boar Medicine - o poder do Javali

Para o meu amigo que teve um encontro inesperado com um javali, transcrevo esta história, tal como contada pelos Nativos Norte-Americanos:
Embora o guerreiro estava habituado ao calor abafado da sua terra junto à delta do rio, ele estava a tremer como sentisse um corrente de ar frio. O Concelho de Anciãos tinha-o apanhado a contar uma mentira. O castigo para esta ofensa era ser banido da tribo. A fim de restaurar a sua honra entre o Povo, ele tinha que encarar o Javali, sendo uma faca a sua única arma. Se falhasse, morria, dilacerado pelas presas devastadoras da besta com os olhos ardentes. Esta perspectiva encheu-o de pavor.
Então o espírito do Javali apareceu num sonho; estava enfurecido que o jovem tinha quebrado os seus votos de guerreiro, mentindo. E disse que tinha que encarar e conquistar primeiro a besta auto-importante e traiçoeiro em si próprio, se estava com esperanças de ganhar o combate. O jovem guerreiro fez o voto de honrar a verdade a partir daquele momento; encarou o Javali neste dia e matou o animal. O guerreiro levou a presa do seu adversário para se lembrar ao longo da vida, para sempre se confrontar as fraquezas dentro de si mesmo.

O poder do Javali ensina-nos de nos confrontar com as fraquezas humanas e transformá-las em força. O espírito humano é capacitado, através da vontade do Javali de encarar os medos, os desafios que se apresentam, e as circunstâncias desconfortáveis. Corajosamente de pé e de cabeça erguida, sem fugir das situações que a vida apresenta, Javali é um verdadeiro poder.

O aparecimento do Javali significa uma alerta: é pedido de confrontar algo ou alguém que tenhas estado a evitar. Abraça a tua natureza de guerreiro para encontrar a coragem de enfrentar os teus medos. Ou talvez estás a ser desafiado para confrontar-te com uma fraqueza pessoal, ou um desafio profissional? Confronte os teus sentimentos, e pare de evitar o inevitável. Javali insiste que estejas presente e com atenção plena em tudo o que acontece e porquê. Javali vem para te lembrar que dentro de ti já existe a coragem que necessitas, basta lembrar onde a guardaste... Metade do confronto é ganho pela vontade de reconhecer e aceitar a verdade inteiro, em todos os momentos. (Jamie Sams, medicine cards)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Wesak: Compaixão e Sabedoria

O útlimo post falava sobre o momento que vivemos (a Lua Cheia em Touro vs. Escorpião), que pode ser aproveitado sendo uma oportunidade de encarar a maneira como lidamos com a matéria. E referi a uma das histórias da mitologia grega, que pode funcionar como guia neste tempo de afluências de energias astrais: o mito de Hércules (Heracles) e as suas 12 tarefas.
Os Gregos antigos tinham uma maneira muito particular de relatar as suas experiências espirituais - através da metáfora literária, método que assegura que apenas iniciados tinham acesso ao conteúdo esotérico. Assim, relatavam a via de ascensão através de um relato que se podia ler, num nível superficial e directo, como uma aventura.
De facto, durante a história da humanidade, o acesso ao conhecimento esotérico tem sido conscientemente limitado. Conhecimento oculto ou conhecimento do oculto - de facto durante séculos não era assunto para ser discutido abertamente.
Uma das razões muitas vezes avançada, era que o conhecimento oculto dava poder a quem tinha acesso. Por isso, a aprendizagem tinha que ser supervisionada e acompanhada por uma aprendizagem ética. Vemos isso, por exemplo, no percurso proposto pelos Templários e Maçonaria, mas também no que é habitual no Budismo Tibetano.

Actualmente, há uma abertura diferente acerca dos assuntos. Os tempos mudaram. 2012 aproxima-se, e seja o que for que mudará, temos a certeza que precisamos de preparar-nos. Agora mais do que nunca, é necessário tomar consciência de quem Somos, ao nível da Alma. É preciso termos noção como funcionamos, tomar consciência das escolhas que temos.

Por isso, não é de admirar que cada vez mais há abertura, que permite não só que se fala sobre o lado oculto da vida (oculto, i.e. o lado não imediatamente visível com os olhos físicos), como também oferece mais oportunidades para que se recebe a mensagem.
(fonte da imagem)
Efectivamente, é algo completamente diferente... podemos ouvir as mesmas palavras vez após vez, e perceber com a nossa mente racional o que significam... mas isso não quer dizer que haja o entendimento profundo que leva ao crescimento e a mudanças na nossa vida e no nosso comportamento.
Apenas quando abrirmos o coração e começamos a sentir o significado, chega o entendimento. Apenas quando juntamos a cabeça ao coração, a nossa sabedoria à compaixão (= amor todo inclusivo), e sentimos as palavras ao mesmo tempo que as ouvimos, a Mensagem começa a passar.
A Sabedoria - força feminina - que se junta à compaixão - força masculina.  O budismo Vajrayana descreve a compaixão como o aspecto activo da mente desperta, enquanto a sabedoria ou entendimento é o aspecto passivo (na imagem vemos a sua representação simbólica, respectivamente pela Dorje e o Sino) A sua conjugação é preciso para um Despertar completo.

É uma tarefa que agora é mais urgente do que nunca: procurar o equilíbrio e a conjugação entre o que temos em nós de aspectos masculinos e de aspectos femininos. Permitir que sentimos no coração onde vai o nosso caminho e que actuamos a partir desta intuição. Perdoar-nos que às vezes esquecemos de tratar com respeito tanto a mulher que há em nós, como o homem que há em nós. Perdoar-nos e pedir perdão para os momentos em que abandonámos uma parte em favor da outra - para poder ser inteiro novamente

Sol em Touro e Lua em Escorpião fala-nos disso. Fala da necessidade de encararmos a dualidade e ultrapassá-la, deixando que o desejo físico ou material seja domado pela vontade divina - a alma.
Wesak, o momento de passagem de energia entre Shamballa (o centro planetário da cabeça), a Hierarquia Espiritual (centro planetário do coração) e a Humanidade (centro planetário da garganta), é o momento excepcional para podermos ter a experiência da ligação entre cabeça e coração.
Happy Wesak!

domingo, 15 de maio de 2011

A Lua Cheia de Maio

(Fonte da imagem)
Na próxima terça feira, dia 17 de Maio, celebramos a Lua Cheia - com o Sol em Touro, e a Lua em Escorpião.

Será celebrada a Festa de Wesak. Informalmente, a festa é às vezes referida como "o aniversário do Buda", mas de facto engloba tanto o nascimento como o momento da iluminação (Nirvana) e o do partir (Paranirvana) do Buda Gautama..

Todos os anos, no momento exacto da Lua Cheia, tem lugar uma cerimónia no Vale de Wesak, no sopé da Himalaya. É o momento de passagem de energia entre Shamballa (o centro planetário da cabeça), a Hierarquia Espiritual (centro planetário do coração) e a Humanidade (centro planetário da garganta).

O Buda trabalha (ao nível planetário) como o intermediário espiritual entre o centro planetário superior chamado Shamballa - "o sítio onde é conhecido a Vontade de Deus" - e a Hierarquia Espiritual, centro planetário do coração. Buda representa a Sabedoria Divina, é a personificação da Luz, tal como o Cristo é a personificação do Amor.

No momento da Lua Cheia de Touro, tem lugar uma afluência extraordinária de energias vitais. É um momento de estimulação espiritual que oferece à Humanidade uma oportunidade especial de crescimento, encorajando e estimulando a aspiração de todos. A força conjugada do Amor e Sabedoria - do Cristo e do Buda - oferece uma oportunidade para a afluência do Amor Divino e da Sabedoria Divina, em direcção do mundo necessitado que espera. É como o abrir de uma porta que está fechado em outros momentos, pelo que as pessoas possam entrar em contacto com as energias do entendimento (compaixão) divino e sabedoria divina, energias que normalmente não são tão fáceis de contactar.
A festa de Wesak é um ponto alto de bênção espiritual no mundo, e pode afigurar-se a todos como um ponto elevado de inspiração.
No nosso coração, no nosso pensamento e através de meditação, podemos usufruir e amplificar com as energias que nos são disponibilizadas. Podemos colaborar, aspirando relações humanas justas, fazendo escolhas claras e "iluminadas", e procurando os valores espirituais na nossa própria vida. (Alice A. Bailey)

(Fonte da imagem)
Vamos celebrar o dia de Wesak, com uma Cerimónia de Lua Cheia, no Cromeleque dos Almendres em Guadalupe, Évora - na próxima terça feira, dia 17 de Maio, às 21.00h.

No momento da Lua Cheia, o Sol estará em Touro e a Lua em Escorpião. É a segunda Lua do ano astrológico, o segundo momento de reflexão sobre o ciclo espiritual. O primeiro momento era a Lua Cheia enquanto o Sol estava em Aries -Carneiro, e referia ao plano mental, em concordância com a Lei Universal. O segundo momento tem a ver com o plano do desejo (astral) e a força do desejo.

Se olharmos para a mitologia grega, encontramos aí os 12 trabalhos de Hercules, referentes aos doze momentos do ciclo astrológico anual. O segundo trabalho do Hercules fala do Touro.

No mito, vemos o rei de Creta, Minos, que tinha um touro sagrado, o que ele mantinha na ilha de Creta. Euristeu chamou Hércules e disse-lhe que era necessário pegar no touro e levá-lo da ilha para o
continente. Para Hércules, não havia mais instruções, ele simplesmente sabia que o touro era sagrado, que nasceu do mar, e que seu destino era ser sacrificado a Minos. Portanto Hércules viajou para Creta e procurou por toda a ilha seguindo o touro por toda parte, até que finalmente ele tinha-o encurralado. Na testa do Touro surgiu e voltou a surgir uma estrela brilhante que apareceu no meio da testa como uma luz brilhante num ambiente escuro. Esta luz estava a mover-se quando o boi se movia e guiava-o de lugar em lugar. Então, Hercules montou o touro como um cavalo pela ilha. À sua volta estavam as Irmãs, em número de sete, que o encorajavam na sua viagem, e à luz brilhante do touro, ele andava sobre a água brilhante para a ilha de Creta, para a terra onde viveram os Ciclopes.
Estes ciclopes eram criaturas notáveis, de quem se dizia que tinham apenas um olho. Eles eram governados por três seres, seus nomes eram: Brontes, o que significava trovão; Estéropes, o que significavam relâmpago; e Arges, o que significava a actividade rodopiante. Quando Hércules chegou com o touro às portas da cidade,  três Cyclops vieram ao seu encontro. Eles eram chamados os filhos maiores de Deus, e Brontes disse: "Ele vem com poder" e Estéropes disse: "Ele dirige a luz, a luz interior será mais forte" e Arges disse: "Ele trata de velocidade, ele corre pelas ondas. "

Hércules aproximava-se agora o e instou o touro sagrado no caminho, e assim a luz foi lançada na trilha que levava de Creta para o Templo do Senhor, na cidade dos de um olho só. Os três homens receberam o touro sagrado dele e levaram-no sob o seu cuidado. E assim terminou a segunda tarefa.

O Professor viu-o e foi ao seu encontro. Sobre as águas vieram as vozes dos sete irmãs, cantando ao redor do touro, e de mais perto veio o canto dos de um olho só no Templo do Senhor, no alto do Santo Lugar. "Você veio de mãos vazias, O Hércules", disse o professor. "Tenho estas mãos vazias, porque cumpri a tarefa que me foi indicada", disse Hércules. "O touro sagrado foi recebido em segurança pelos três. Qual é a próxima tarefa? "
O Mestre respondeu:" Na luz você irá ver a sua luz, vai na luz e vê nela a sua luz. A sua luz deve brilhar mais forte. O touro está na Cidade Santa "
E: "Esta tarefa foi fácil. Aprenda a lição das relações. Força para a tarefa pesada; vontade de assumir a tarefa, e que não carregue sobre as forças - assim aprende duas lições. "
______
A chave para o trabalho de Touro está na compreensão correcta da Lei da Atracção. Esta é a lei que rege a força magnética e o princípio de coerência; que faz o edifício, em que Deus, ou a Alma, se manifesta.

A estabilidade no ciclo de existência pode ser encontrada na relação entre o que dá forma, e a forma em si;  entre os dois pólos, negativo e positivo; entre espírito e matéria; entre o eu e o não-eu, entre masculino e feminino, e assim , entre os opostos.

Touro (Taurus) está desde sempre associado à luz e, portanto, com o Cristo que se chama a Luz do Mundo. Luz, som e iluminação, são aqui vistos como uma expressão da força criadora,  e são estas as três ideias fundamentais associadas a este signo. Tudo o que actualmente impede a Alma aparecer em toda a sua glória, está na matéria ou seja, no aspecto formal. Se a forma, a matéria, fosse dedicada, purificada e espiritualizada, então realmente a glória e a luz podem aparecer.

As sete irmãs são as Plêiades. As Plêiades são o símbolo da alma, em torno da qual roda a vida. O Touro (Taurus), representa a forma e a atracção da matéria. As Plêiades representam a alma e o grande ciclo repetitivo da experiência, e entre as sete Plêiades (as Sete Irmãs, como no mito), está a Plêiade Perdida (só seis são visíveis). Ela é um símbolo da escuridão da espírito, enquanto a alma, levado pelo desejo, toma a forma num corpo. Aqui está a ideia da relação entre o Eu ao Não-Eu, que leva à a revelação do Espírito, como acontece com todos os ensinamentos  baseados em mitos. Se olharmos para as estrelas vemos Órion, representante do aspecto do Espírito. O nome significa literalmente "o romper da luz" com as três estrelas do cinturão de Órion, os Reis, que por sua vez simbolizam os três Aspectos da Vontade Divina, do Amor Divina e da Inteligência Divina.

Os três aspectos divinos, encontramos como os três Ciclopes Brontes, Arges e Estéropes. Brontes é o primeiro aspecto de Deus Pai, que falou e era a palavra da criação, ou trovão. Estéropes significa relâmpago, ou a luz, e é o segundo aspecto da divindade, a alma. Arges significa actividade rodopiante, o terceiro aspecto da divindade, que exprima a intensa actividade da vida  no plano físico.

A lição geral a ser aprendida em Touro (Taurus) é alcançar a compreensão correcta da lei da atracção e da  utilização correcta e controle sobre a matéria. A matéria é espiritualizada pela sua correcta utilização. Montando o touro como Hércules fez, tinha a ver com o controlo sobre e subordinação dos desejos, e tem a ver com assuntos em relações com a sexualidade. Estas foram vencidos pela Alma. Isso não tem nada a ver com repressão, mas com compreensão e bom senso.
___
O signo oposto ao Touro, com que se procura equilíbrio na altura da Lua Cheia, é Escorpião.
Característica do Touro: Desejo - Vontade - Direcionamento.
Caracerística do Escorpião: Conflito da dualidade. Desejo superado.

As palavras-chave de Touro:"Eu vejo e quando o Olho* está aberto, Tudo é Luz"

* O Olho do Touro é o terceiro olho no ser humano, que nos mostra internamente os objectivos do Plano Divino.

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos! 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bem hajam!

Quando comecei com o blogue, queria escrever sobre coisas que encontro no dia-a-dia: assuntos ligados ao desenvolvimento pessoal; pensamentos que surgem ao observar a Vida; temas ligados ao trabalho espiritual. E queria escrever porque há tanta coisa para dizer... sobre um tema central que diz respeito a todos:  a Luz que trazemos no nosso coração.
Tu és o Mestre Criador da tua realidade, a chave está na tua imaginação. Desbloqueia a tua arca de tesouro e abre o teu coração. Derrama todo o teu amor e vive. Todos os teus sonhos estão à espera de ti. Ama-te e continua...

Algures no passado, comecei a perceber que a nossa Alma nasceu no seio da Fonte Divina - e todo o caminho da nossa Alma é uma descoberta sobre como ultrapassar a sensação de separação, para poder voltar junto ao Tudo que É, fundindo-se novamente com a Criação. Comecei a ter a noção que todos nós já trazemos tudo dentro de nós: a sabedoria e o amor, a harmonia e a paz, a pureza e a grandeza, a Luz. Somos feitos de matéria Divina.
Mas também percebi que a sensação de separação que sofremos quando a Alma nasceu, originou uma serie de emoções, e aqui refiro somente a algumas, como a insegurança, o medo de perder alguém ou o medo de falhar, medo de dor física ou psicológica, sentimentos de inferioridade ou superioridade, solidão; e last-but-not-least, o apego como estratégia para ultrapassar estas emoções.
Queria escrever sobre as dificuldades que encontramos nesta viagem de descoberta, mas também sobre os estímulos que recebemos, o apoio que existe, os sinais que o Universo envia para orientar-nos.
Queria escrever, não só para me exprimir mas também para poder chegar a outros, dar um incentivo para pensar e descobrir, contribuir para uma tomada de consciência mais alargada. Para incentivar a ver, sentir, ser... descobrir quem Somos, aceitar quem Somos, aceitar que somos todos iguais... que somos todos UM.

Às vezes parece que os assuntos se repetem. Às vezes parece que estou a escrever somente para poder exprimir o que vai dentro de mim. Muitas vezes sinto ainda reservas em escrever sobre o outro Mundo, que é invisível com os nossos olhos físicos, e ao qual temos acesso através do nosso coração. Por vezes não respondo, por tempos mais prolongados, ao chamamento de ir ter com o teclado, duvidando.
Mas também há momentos em que encontro alguém que diz ler as mensagens e encontrar matéria para pensar; há quem volta vez após vez à pagina para ler... e quando oiço estas coisas, sinto o coração fazer um saltinho de alegria. Toca-me profundamente, no coração e na alma, que há quem encontra uma contribuição para o seu crescimento nas palavras escrita. Bem hajam, amigos, por transmitir o vosso alinhamento com a mensagem que humildemente procuro passar.
A razão de escrever não é o reconhecimento pessoal - o objectivo é a transmissão da mensagem que cada um traz dentro de si, o poder do entendimento, da compaixão, do Amor, do bem-estar, da bondade. A mensagem que a plenitude é possível - se a permitirmos e se não a travamos com a mágoa contida no nosso corpo emocional.
Por isso: bem hajam!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Limpar o nosso karma, limpando as nossas emoções

Acontece que há momentos em que temos dificuldade de lidar connosco próprios.
Momentos em que sentimos algo por dentro que parece não ter solução, uma sensação que parece perseguir-nos, que nos deixa andar à volta da batata quente sem fazer progresso, ou apenas um passo a frente para ter que fazer logo a seguir um passo para trás....
Há pessoas que se perguntam: porque não me sinto bem comigo? Outros não conseguem perceber porque não encontram o seu caminho; ou porque não conseguem tomar a decisão de sair de uma situação que obviamente os prejudica, em que não são felizes...
Acontece que há momentos em que parece que estamos presos numa prisão, construído a partir do nosso próprio pensamento, dos nossos próprios sentimentos e emoções e do nosso próprio comportamento.
Fonte da imagem

Quando encontramos momentos destes, é bom realizar que é mesmo assim: são os nossos pensamentos e os nossos comportamentos que prendem e bloqueiam. Construímos, pensamento a pensamento, acção a acção, a nossa própria parede - contra a qual  batemos... (um assunto sobre o qual já foi escrito aqui, por exemplo neste post ou neste, entre outros).
Esta realização para mim sempre foi reconfortante - porque significa que ganhamos de volta a responsabilidade sobre a nossa vida; é um reconhecimento da nossa própria força ;)
Se construímos pedra a pedra, a parede contra a qual teimamos bater, também podemos desconstruir a mesma parede - pedra por pedra. Limpando as cicatrizes deixados pelas nossas acções, mas também as feridas causadas pelas nossas reacções emocionais às situações que encontramos ao longo da vida. Limpando a carga emocional que trazemos às costas - limpando o nosso corpo emocional. De facto, estaremos a limpar o nosso "karma" porque é nesta limpeza que aceitamos encarar as consequências dos nossos actos, das nossas palavras, dos nossos pensamentos.

Quando comecei a ver isso, percebi também a importância de dar atenção à maneira em que lidava com as emoções. Qual era a razão que me levava a guardar para mim certas coisas?
Olhando para as reacções típicas a emoções fortes, vemos que há três reacções mais comuns: exprimimos, reprimimos ou dissipamos as nossas emoções.
Podemos exprimir emoções, actuando de acordo com elas, ainda preso no estado emocional - o que muitas vezes resulta em problemas para nos ou outros. Podemos dizer coisas que afinal não devíamos ter dito, fazer coisas que afinal não eram muito sensatas...
Podemos tentar enterrar as emoções, ou negar que as temos. Infelizmente, esconder ou enterrar emoções é cansativo e desagradável...ainda por cima, emoções escondidas podem se tornar monstruosas quando está escuro. Podem irromper num momento embaraçoso...
Podemos dissipar as emoções, fugindo em actividades que distraem e para as quais podemos canalizar a energia não-desejada. Uma carreira, entretenimento ou voluntariado podem servir de fuga ou estratégia de distracção - embora tenham naturalmente também outra função. Parece óbvia que a dissipação é a menos prejudicial das três estratégias - mas é um desperdício de tempo de vida, levando-nos para longe das acções autenticas que seriam possíveis se fossemos capazes e dispostos a encarar as nossas emoções. E muitas vezes, actividades que não são autenticas, em que não estamos por razões honestas, são igualmente um desperdício do tempo de terceiros.

Existe ainda uma quarta possibilidade: viver a experiência das nossas emoções sem actuar. Pode parecer difícil, e é mesmo difícil inicialmente, mas esta alternativa poupa-nos a nós e aos outros as consequências de acções desesperadas e prejudiciais; evitamos o prejuízo psicológico de repressão emocional, e o desperdício da dissipação.

É mesmo difícil, inicialmente, olhar para as nossas emoções enquanto surgem - estamos mesmo muito habituados a reagir de modo convencional, não dando muita atenção.
Mas podemos também olhar para as emoções com respeito e interesse. Não fechar a porta na sua cara, nem convidar para elas entrar e ficar connosco.  Podemos gostar ou não gostar das nossas emoções, mas deixar que existem, tal e qual como são.
Sem comentário.
Sem julgamento.
Sem intervenção ou opinião.
Permitindo que existem, podemos começar a entender claramente de que consistem: emoções são pensamentos, mais energia física. Ao treinarmos a mente de abrir mão dos pensamentos associados, dando em vez disso, atenção à sensação física, as sensações  começam - por si só - a assumir a sua forma natural.
Quando começamos a sentir as nossas emoções - podemos começar a sentir quem somos.

Emoções não são boas ou más em si. Sensações de irritação, de medo, de alegria, de paixão, de raiva ou de ciumes, e todas as outras, existem. Fazem parte da nossa estrutura.
Emoções começam a ser problemáticas quando o pensamento as empurra para ser complexo e entrar em conflito umas com as outras. Na tradição tibetana, é dito: ficar à mercê de emoções em conflito é como ser um cavalo montado por um macaco maluco. O macaco exige que viras para a esquerda e fere os flancos com os esporos - enquanto forçar-te igualmente para a direita, puxando o freio na tua boa sangrente.
Somos os nossos próprios cavaleiros malucos quando julgámos as nossas emoções: "Eu não devia querer magoar a minha esposa que amo" ou "não me devia sentir miserável porque de facto não me falta nada". Continuamos a nossa viagem insano se não resolvemos a situação, alimentando o caos e a confusão com pensamentos que afirmam a dor provocada pela emoção: "Estás a ver como corre mal, é sempre assim"....

Ao sentir as emoções, permitindo que percebemos quem somos, podemos abrir espaço entre pensamento e sensação física - para que a compaixão possa entrar no vazio criado.

Encarar as nossas emoções é difícil - é requerido determinação e gentiliza direccionada para nós próprios, perdoando à nós as nossas fraquezas. Se viramos a cara no momento em que as coisas se mostram duras, não haverá progresso...
Sem julgar, sem etiquetar, vendo se conseguimos prolongar o espaço entre ser provocado e a nossa acção seguinte.... abrimos espaço vazio em que podemos encontrar clareza e entendimento - e assim, a possibilidade de escolha.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Oneness - o Sagrado Masculino unido com o Sagrado Feminino

Hoje voltamos à Sé. E lá estava ela, como sempre, santa e bela. Raramente se vê a Virgem representada enquanto grávida. A imagem toca o nosso coração e a nossa alma - não pela alegria da sua cara, mas pela força que simboliza.
O vestido comprido verde, cor do Coração da Terra - mãe de nos todos, tal como ela própria é. Um vestido rico, bordado a ouro, com uma capa a proteger a cabeça e as costas. A cor da capa é azul real, adequada para uma rainha coroada. É um azul escuro, como o céu da noite, bordado com estrelas, própria para uma Mãe que traz no ventre o filho de Deus, criador do Universo.
A sua mão esquerda pousa sobre o ventre, num gesto de protecção e carinho. Na sua barriga traz a Luz, ainda por nascer, ainda em processo de criação. Ela e Ele são um corpo só, dois corações a bater em sintonia - o Sagrado Masculino que está por nascer do Sagrado Feminino.
É uma imagem da Criação da Luz do Amor, fruto da União entre Homem e Mulher. Amor Supremo, que junta os opostos num só: Ceu e Terra, Masculino e Feminino, Divino e Humano.
A sua mão direita está levantada, aberta para o mundo... é a mão direita, que representa a força masculina nela, a mão da acção, do Dar... e através da palma da mão Ela envia-nos a Luz que Ela É, pelo que É e pelo quem traz no ventre.
É um convite de abrirmos o Coração e entender. Também nós SOMOS, criação e criador, junção de opostos, fruto da União. E também nós podemos criar Luz através de uma União de Amor Puro...
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