Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Lua Cheia de Agosto: os Sons e as Pedras

A Lua Cheia de Agosto é já na próxima quinta-feira, dia 2. A meditação no Cromeleque vai começar às 20.45h, a hora em que nasce a Lua.
Como referi no post anterior (veja aqui) estamos num momento em que o Universo nos apoia na mudança, nomeadamente esta que diz respeito à motivação para as nossas acções e a realização do nosso objectivo da vida: vamos poder fazer a transição de motivos de interesse pessoal (auto-consciência) para os de servir o bem comum. A transição vai tornar possível que cada um tenha consciência das razões de ter vindo à Terra, e que vive em pleno o seu potencial. Em vez de procurar diferenciar-nos dos outros, a identificação com o outro será importante.
A Era do Aquário rege-se pelos conceitos da Liberdade, Igualdade e Fraternidade - a realização plena do Ser Humano precisa destas três condições. A Liberdade procuramos (e.o) através da auto-consciência e do auto-conhecimento. A Igualdade confere-nos também Liberdade, porque significa que não estamos sujeitos à autoridade do outro, nem precisamos de exercer autoridade sobre o outro para sentirmos bem connosco. A Fraternidade implica um apoio mútuo entre os seres humanos, baseado na liberdade individual e na igualdade - se o outro é igual a nós, podemos entender o seu sofrimento e apoiá-lo, sem medo de perder a individualidade quando damos, sem medo de ficar dependente quando recebemos.

Sessão de sons, Cromeleque dos Almendres, Agosto 2008
O tema da meditação da Lua Cheia será isso mesmo: Quais são os meus motivos? Identifico-me com qual aspecto - a individualidade e auto-consciência ou o meu contributo para o bem comum? Sou movido por razões do Ego ou consigo entender o significado do Servir o Bem Comum?
As Pedras Talhas do Cromeleque dos Almendres convidam a uma reflexão sobre a nossa ligação à Terra. Sentir o tempo que já passou e que há de passar, sentir a Natureza que é paciente, que espera por nós... As pedras falam da necessidade de encontrar a Natureza dentro de nós, a nossa verdadeira natureza...lembram que é altura de entender e responder.

Na noite de 2 de Agosto, a meditação será na forma de uma sessão de sons, com taças tibetanas, didgeridoo, e outros instrumentos acústicos.
Sessão de Sons da Lua Cheia
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
2 de Agosto de 2012, às 20.45h

É costume trazer uma oferenda para agradecer ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma flor... ou o que achar adequado para exprimir a gratidão à Mãe Terra.
A contribuição para a cerimónia em si, é por donativo.

domingo, 29 de julho de 2012

A única saída é para dentro


No dia 2 de Agosto a Lua estará Cheia, aparecendo no signo de Aquário, enquanto o Sol se encontra em Leão. Um momento para reflectir onde estamos no nosso caminho - e para onde vamos. Os tempos são difíceis.. e os astros parecem indicar que a única saída é para dentro de nós.

Vivemos numa transição da Era de Peixes para a Era do Aquário – não só para a Terra, mas o inteiro sistema solar está a passar para uma nova posição no Zodíaco. O ciclo total tem uma duração de cerca de 26.000 anos. Sabemos que , ao decorrer um ano, a passagem cíclico pelos signos solares, oferece-nos a oportunidade de crescer como ser humano espiritual, dentro do mundo em que vivemos. Numa escala maior, isto é, para a humanidade como um todo, o mesmo acontece com o grande ciclo das Eras. Na Era do Aquário, o verdadeiro espírito do Aquário vai se revelar na humanidade. Mas antes haverá um ponto de viragem, um periódo de mudança.
Uma crise de consciência colectiva – que cada um de nós experimentará na sua própria vida, de acordo com o objectivo da sua vida, e de acordo com o nível da consciência do tempo que se vive.

E que nos encontramos num ponto de viragem, é mais do que óbvio. Basta ver as notícias diárias: as dificuldades na sociedade, devido à crise financeira, teimam em complicar-se cada vez mais. Cada vez que os governos europeus (e mundiais) asseguram ter encontrado uma solução, novas dificuldades surgem.
Podemos encontrar uma explicação nos planetas que se movem mais lentamente – a sua influência perdura mesmo após ter estado no ponto de maior efeito.
Nos tempos que vivemos, estamos num ciclo de quadraturas exactas entre Urano e Plutão, a primeira das quais ocorreu a 24 de Junho de 2012. No total serão 7 até 2015.

A tensão que esta quadratura provoca, parece ser uma que indica que grandes mudanças estão prestes a acontecer. Estamos a sentir um desejo de mudar e de seguir uma nova direcção (Urano) enquanto ao mesmo tempo encontramos os nossos bloqueios psicológicos (Plutão) que nos fazem sentir pequenos e incapazes.

Com estas influências, a Lua Cheia de 2 de Agosto diz nos que o escape indicado é a nossa intuição espiritual mais elevada. É nela que podemos confiar para navegar pelas mudanças, que serão inevitáveis, na direcção de uma solução com que podemos ser felizes. O Universo parece dizer, se queremos sair da situação de maneira satisfatória, temos que olhar para dentro, e encontrar as respostas que estão dentro do nosso Eu Superior Espiritual. O Universo ajuda-nos, apontando o caminho e favorecendo o entendimento, para que escolhemos o caminho certo para vermos a solução para os nossos problemas.

A simbologia dos corpos celestes é um apoio importante nisso. Para a posição de Aquario e Leão – os signos se se opõe na Lua Cheia de 2 de Agosto – Marc Edmund Jones descreve os seguintes símbolos (em “The Sabian Symbols in Astrology”) .

Aquario a 11º Homem a encarar a sua inspiração. É um símbolo de satisfação, devido às experiências transcendentais do Ser, e de uma realização nova que cada individuo vive numa intimidade consistente com as suas veracidades espirituais, de toda a espécie. Fica implícito que há uma necessidade de agir, continuamente, de traduzir todas as visões para aplicação práctica, na interesse do Eu. Ao aceitar a lei e ordem universal da vida, o Ser Humano sente que deve mostrar as suas próprias capacidades especiais e únicas, e re-encontrar a causa à qual dedicar as suas realizações. A palavra chave: Extase. Levado pelo positivo, esta posição de Aquário leve a um idealism entusiasta, e a um desejo sem descanso de servir o outro. No negativo, o momento leva a uma auto-obsessão completa.

Leão a 11º Crianças num baloiço num carvalho gigante. O símbolo indica satisfação obtida pela vivência normal do Ser. Também há indicação de uma nova realização da confiança que resulta da capacidade do Ser Humano de se sustentar ao nível físico e social. Implícito fica um refrescar do espírito, através do desenvolvimento contínuo das suas responsabilidades na maneira que se manifesta a si próprio. Ao aceitar a lei e ordem universal da vida, o Ser Humano consegue uma concepção cada vez melhor da sua realidade pessoal. A palavra-chave: Prazer. No positivo, é uma posição em que se encontra um deleito consistente em todas as fases possíveis da vida, bem como uma generosidade real a partir do eu. No negativo, surge a preguiça, aclamada como se fosse virtude.

Leão e Aquário são opostos nas suas características: Leão mostra individualidade e auto-consciência, enquanto Aquário exprime a consciência pura universal e de conjunto. Aquário põe os seus talentos e qualidades naturalmente ao serviço do bem comum.

Leão desenvolve, a partir da personalidade (o nosso ego) a força de poder estar nos seus próprios pés. Adquira autenticidade e capacidade de se gerir a si. Assim, consegue liderar, seja em grupos pequenos ou grandes, em empresas ou na política ou seja onde for.
Mas a ordem universal pede ao Ser Humano, ter consciência de quem É, para depois poder pôr a sua capacidade ao serviço do bem comum. De moldar a consciência individual para que se une com a consciência colectiva.

Integrar a força de Leão e a força do Aquário, é como unificar fogo e água. O fogo do Leão procura reinar, mas a água do Aquário, inevitavelmente, acaba por impor a necessidade de união com o grande conjunto...
Vendo os símbolos em conjunto, vemos que sublinham a necessidade de entender e reconhecer que estamos todos ligados, todos criados a partir da mesma força maior. Podemos confiar nesta força e recorrer à mesma para apoio e aconselhamento. Conhecimento é poder, mas o conhecimento ou sabedoria espiritual é ainda maior, porque permite que criamos o que desejamos, se seguirmos o seu aconselhamento e apoio.

Os símbolos guiam-nos de volta à nossa intuição superior, à nossa imaginação, e à comunicação interior com o nosso Eu Superior. A ênfase está na utilização destes dons oferecidos pelo Universo: devemos converte-los em realidade. Ao mergulhar no nosso interior, confiando o nosso eu Superior Espiritual, podemos chegar a um entendimento do nosso lugar no grande conjunto. A compreensão aprofunda-se enquanto soluções surgem e tornam-se mais claras.

Chegamos a um ponto em que se dá a criação de “momentum” – a força interior criada com entusiasmo, energia sem limites, e vontade de poder viver a vida tal como se deseja. Podemos lembrar disso, ao olhar para a Lua Cheia em Aquário. Ela dá a confiança que o caminho certo para encontrar as respostas, é para dentro.

sábado, 21 de julho de 2012

A qualidade dos nossos pensamentos

A felicidade da tua vida depende da qualidade dos teus pensamentos...
(Marco Aurélio)

Paulo Coelho escreveu:
Observe os teus pensamentos: eles transformem-se se em palavras.
Observe as tuas palavras: elas transformem-se em acção.
Observe as tuas acções: elas transformem-se em hábitos.
Observe os teus hábitos: eles transformem-se em carácter.
Cuidado com o teu carácter – ele controle o teu destino. (ver este post ou este aqui)
Louise Hay ensinou-nos a viver com as afirmações positivas, Rhonda Byrne contou-nos o seu Segredo.... Pensamento Positivo! Tens a vida que queres ter! 
A consciência que somos nós que damos forma a nossa vida, que somos nós próprios os responsáveis para a nossa felicidade, nunca foi tão difundida como hoje em dia.
No entanto, muitas vezes, a receita parece não funcionar. Pedimos, pedimos, mas porque não se concretiza?

Podemos dizer: "Eu quero felicidade." Ou: "Eu escolho ser feliz." Ou talvez: "É a minha intenção ser feliz." Cada uma destas afirmações é com certeza mais eficaz do que "Eu gostaria poder encontrar a felicidade," ou "Porquê não consigo ser feliz?". Afirmações positivas sempre trazem melhores resultados do que afirmações negativas ou as que deixam transparecer dúvida. Enquanto sabemos que tudo gira à volta da intenção, é na escolha das palavras que definimos com que energia manifestamos a intenção.
Vejamos como podemos construir afirmações fortes, definidas e definitivas, que transformem os desejos em realidade. Afirmações que contém: "Eu sou..." fazem isso. Falando em termos de "Eu sou...", assumimos como criadores. Nesta afirmação somos o criador, o realizador, o decisor na nossa vida. EU SOU diz: AGORA. EU SOU diz: ASSIM É.
EU SOU não deixa margem para dúvidas, ultrapassa a esperança, realiza os desejos.

É a diferença entre "Espero que as coisas possam ser assim" ou "As coisas são assim". "Espero" ou "Desejo" ainda inclui a possibilidade que as coisas não podem ou não vão ser assim.  "Eu sou" significa, simplesmente, que assim é.
Por detrás do "Eu sou" há uma segurança interior completamente diferente, uma firmeza de confiança e saber que apoia a intenção com energia de materializar e realizar.

Para exemplificar um pouco mais a diferença: sabemos que o sol nasce todos os dias no Leste, e que se põe todos os dias no Oeste. Contamos com isso, porque sabemos. Temos esta visualização do funcionamento dos dias. Se esticamos o nosso braço, segurando um livro, quando abrimos a mão, contamos já com a queda do livro no chão. É a gravidade, o livro é suposto cair. A tua mente já tem esta imagem. Saber que é assim faz parte da consciência que temos do mundo.

No momento em que podemos definir uma afirmação, baseada no "Eu sou...", apoiado pela sensação de verdadeira confiança que assim é suposto ser, somos os criadores do nosso próprio destino. Tal como o nosso Criador, que criou o ser humano à sua semelhança.

No entanto, o que devemos lembrar sempre, é que somos UM com toda a criação. Se desejamos algo para o nosso próprio bem-estar, que resultará em prejuízo para alguém ou algo, estamos a desligar-nos da Criação. O Universo foi criado para estar em harmonia; a tarefa espiritual do ser humano é de entender-se a si próprio (e às suas dificuldades e barreiras) e fazer, da sua própria vontade, o caminho de volta para esta harmonia. É bom, lembrar sempre que o Eu que experimentamos como separado do mundo à volta, é o Eu-Ego... que de facto não existe em separação do Tudo-que-É. O Eu destas afirmações é o Eu que é UM com a Criação.

Para uma formulação eficaz, é preciso focar no nosso desejo mais forte.  Escolhemos uma afirmação da qual qualquer um pode usufruir.

Se afirmamos "Eu amo e sou amado" é importante que desligamos a afirmação de pessoas específicas.
"Eu amo e sou amado", afirmamos, sentindo o fluxo abundante de um amor absoluto, incondicional, todo-abrangente, natural; um fluxo para e a partir do nosso coração. Um fluxo de calor humano; suave, forte, homogéneo. Um fluxo que se precipite, como uma queda-de-água, forte e contínuo. E de um modo completamente natural, parece óbvio que assim é. Assim, podemos perceber que já "Amamos e Somos Amados".
Uma afirmação potente e cheia de força de criação, não contém nenhum traço de antecipação ou de excitação... Sem dúvida, sem expectativas ou hipóteses... "Eu Amo e Sou Amado" - uma afirmação tão natural como o sol que nasce todos os dias.

Deixo o convite de experimentar, e sentir a naturalidade de desejar o melhor para todos - para nós inclusivo - ao formular o desejo na forma de "Eu SOU..."

Eu sou... amada e amo.
Eu sou... forte e saudável.
Eu sou... abundante e abundância.
Eu sou... prosperidade em vias de existir.
Eu sou... grata por todos que encontro na minha vida.
Eu sou... grata pelas experiências karmicas que me ensinam força.
Eu sou... Luz e Amor.
Eu sou... UM com tudo que É...

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Harmonia, Liberdade e Autoridade

(fonte da imagem)
Uma característica importante que precisamos de cultivar para ter uma vida feliz, é a capacidade de ficar na nossa própria energia, em equilíbrio. Para isso é preciso ser livre: a liberdade interior permite manter o nosso equilíbrio apesar da desarmonia com que o outro nos confronta.
A harmonia com o outro não é atingida adaptando-nos à energia com que estamos a ser confrontados.
Antes, será através da nossa autenticidade que podemos chegar à harmonia. Se tivermos a coragem de ser iguais à nós próprios, encontramos a verdade mais profunda que alguma vez podemos receber. É com esta verdade que podemos ultrapassar a distância entre nós e o outro.
Não é preciso concordar com a opinião do outro para o respeitar  e valorizar. Se aceitamos que somos únicos, podemos aceitar também que o outro é único, e podemos respeitar o seu ponto de vista. Encontrando a Verdade em nós, podemos reconhece-la quando se manifesta no outro.

Harmonia é construida na base de igualdade: cada um, um Ser único, com outras experiências, mas de igual valor. Sem necessidade ou vontade de manipular; sem dependências; sem necessidade de controlar. O conceito-chave: Liberdade. Havendo liberdade interior, podemos deixar que o outro é quem é, sem necessidade de julgá-lo, nem mudá-lo.

Se quisermos ser livres, temos que ter a coragem de ser iguais a nós próprios, mesmo que os outros nos julguem ou discordem. E temos que respeitar que os outros tenham igualmente o direito de serem iguais a si próprios - mesmo se isso significa que somos tocados nas nossas vulnerabilidades. Não podemos ser livres, se deixamos que o outro funciona como autoridade em relação a nós, nem se pretendemos ser uma autoridade em relação aos outros.
A verdadeira autoridade é inamovível, e valoriza-se a si própria. Alguém que tenha uma autoridade natural, não precisa de aprovação de outros - mas também não precisa de ter razão à custa de outros. Quem tenha autoridade natural, não se deixa arrastar pelos dramas do outro - nem está virado para dentro, para a satisfação das suas necessidades do ego.
A autoridade natural vem do coração, com toda a força que o plexo solar lhe confere. E é uma bênção, para a integridade do próprio e do outro. Alguém que tenha autoridade natural, não está focado nas falhas do outro ou do próprio, e consequentemente, não procura esconder, criticar, salvar, nem precisa que seja salvo.
Portanto, o nosso caminho para a harmonia e a liberdade passa também pela aceitação da nossa autoridade natural.

domingo, 15 de julho de 2012

o macaco louco

Em geral, temos três estratégias que utilizamos quando surgem emoções fortes. Podemos exprimir, reprimir ou dissipar as emoções. (*) 

Podemos exprimir emoções, e agir com base nelas - mas que muitas vezes isso resulta em problemas para nós mesmos ou aos outros.  
Podemos reprimir as emoções, negando ou enterrando o que sentimos. Infelizmente, mantendo emoções enterradas é desagradável e cansativo - e emoções escondidas podem se tornar monstruosas no escuro. Elas podem explodir em horários inconvenientes

Podemos dissipar emoções, ocupando-nos com actividades de distracção para as quais podemos canalizar a energia indesejada. Carreiras, hobbies, diversões, e "boas acções" são todas dissipações - embora, claro, todas com as suas funções. Dissipação é a menos nociva das três opções - mas desperdiça nossas vidas, desviando-nos das acções autênticas que levaríamos a cabo se estivéssemos dispostos a enfrentar as nossas emoções. E vamos ser sinceros, muitas vezes a actividade não-autêntica desperdiça também o tempo das outras pessoas.

Há uma quarta possibilidade: experimentar as nossas emoções completamente, sem agir sobre eles. Apesar de ser difícil no início, esta alternativa poupa a nós e aos outros as consequências de acções
desesperadas e prejudiciais, poupa o dano psicológico da repressão emocional, e poupa o desperdício da dissipação.

Na meditação, podemos simplesmente estar com as emoções - não expressando, reprimindo, ou dissipando-as. Desenvolvemos essa capacidade durante a meditação, quando não precisamos de agir e não somos constantemente provocado por acções dos outros. Com a experiência, podemos aplicar o método em situações difíceis da vida.


Quando meditamos com alguma disciplina e regularidade, notamos que a mente acalma e se torna mais clara, mais transparente. Nesta calma mental, podemos chamar e observar as emoções a que estamos sujeitos. Pensando numa situação que provocou alguma emoção, lembramo-nos de como nos sentimos na altura. Através de observação, podemos dividir as emoções em dois componentes: o pensamento por um lado, e a sensação corporal por outro lado. Assim, as emoções são simplificadas e clarificam-se. A sensação física ligada à emoção pode permanecer intenso, mas é mais clara. Se por exemplo estamos sujeitos à desilusão e frustração, podemos sentir na zona da vesícula um caldeirão quente de bílis. Deixamos repousar a atenção plena neste local, observando com dedicação e o local torna-se fresco; obviamente ainda com um fluxo intenso, mas já não tóxico. Com a prática, a energia que se liberta, até pode ser aproveitada de forma positiva!

As emoções se tornam problemáticas quando, através do pensamento, arranjamos complicações e deixamos que elas entram em conflicto uma com a outra.  Na tradição tibetana, diz-se que, quando estamos sujeitos a emoções em conflicto, somos como um cavalo montado por um macaco louco.  
O macaco exige que viramos à esquerda, castigando os nossos flancos com as suas esporas - ao mesmo tempo, força-nos à direita, empurrando o freio de metal na nossa boca, já a sangrar. Tornamo-nos os nossos próprios cavaleiros doidos quando julgamos as emoções: "Eu não deveria querer magoar a minha esposa que eu amo" ou "eu não deveria me sentir miserável porque tenho tudo o que preciso" ou "eu deveria querer vê-lo mais muitas vezes" ou "Eu sou uma pessoa espiritual, deste modo eu não deveria querer tantas coisas - não tanto".  
Meditando sem julgamentos, diminuímos o conflito interior. Libertamos tais pensamentos e regressamos simplesmente à consciência das coisas. Permitimos que o caos e a confusão surgem - mas nós não adicionamos nada - o que seria o caso se tentássemos consertar alguma coisa. 
Encarar as emoções é difícil, mas como tudo na meditação, torna-se mais fácil com a prática. O encarar das emoções  pede equilíbrio, determinação e gentileza para connosco. Se paramos logo que as coisas correm mal, fazemos progresso nenhum! Se vamos forçar-nos para seguir, quando o medo ou a dor parecem insuportáveis, ficamos revoltados e a próxima vez, não vamos querer meditar. Podemos encontrar o nosso próprio ponto de equilíbrio, mas apenas experimentando. 

Quando os sentimentos são muito fortes, demasiado para poder continuar com esse método - podemos respirar fundo e descansar um pouco, e recomeçar a meditação. Assim que sentimos a emoção, voltamos a  - libertá-la e voltamos com a atenção à respiração.  
Permita que sua mente acalma no espaço tranquilo do seu espaço interior. Se não puder manter o silêncio interior, tente algo diferente, em vez de começar a moer e criar aversão. Uma boa opção é o exercício físico  que, tal como a meditação, corta o pensamento obsessivo e liberta o excesso de energia de forma construtiva. Se não pode fazer nada, e percebe que continua a agir através de uma emoção destrutiva, tenta manter de alguma forma uma consciência meditativa. Como fazer? Procura deixar uma lacuna entre o momento em que é provocado e a sua próxima açcão. Nesse espaço vazio pode ver com clareza - e, portanto, terá a possibilidade de escolha....

(*) Do ponto de vista budista, estas são estratégias de avidez, desprezo e repulsa


Texto adaptado de "Roaring Silence" - Ngakpa Chögyam & Khandro Déchen

quarta-feira, 11 de julho de 2012

É preciso ler livros sobre meditação?

Recebo com alguma frequência a pergunta: Pode aconselhar livros para ler sobre meditação?
Uma resposta linear é difícil... livros sobre meditação há muitos, e é me difícil recomendar um ou outro, ou dar dicas e preferências... é tão pessoal!
Com tantas pessoas a precisar de paz espiritual, há uma imensa procura de métodos. Naturalmente, o mercado reagiu: as editoras põem nas lojas o que as pessoas procuram. Assim, há imensos livros sobre meditação, cada um com o seu próprio método, cada um com a sua filosofia. Muitos têm na capa uma promessa de paz interior, de abertura de espírito... Entre gurus-de-oportunidade, há ainda, como sempre, os mestres que verdadeiramente têm uma mensagem e a capacidade de abrir uma porta para encontrarmos o caminho para o nosso coração. Todos preenchem necessidades específicas - há gurus para os que querem ter alguém que os guia, para poder segui-lo; há mestres para os que querem assumir a sua responsabilidade sobre a vida e encontrar o seu guia interior. Todos têm o seu valor, depende de quem procura.

Talvez valhe a pena reflectir sobre a importância que têm os livros no nosso crescimento espiritual. De facto, o que procuramos, não se encontra ao nível intelectual. Alias, uma das motivações principais que leva pessoas a procurar um caminho interior, é precisamente porque têm a sensação que a mente está a perturbar a sua felicidade.
A essência da meditação é acalmar a mente, para que podemos observar o que surge na nossa mente, e como esta está intimamente ligada às emoções. Observando o que existe, a mente pode acalmar e desapegar da necessidade de formular julgamentos e opiniões, desapegar do hábito de chamar memorias do passado e tecer hipóteses sobre o futuro. Progressivamente, a mente aprende a apreciar o momento, o Aqui e Agora. Neste silêncio, podemos ter acesso à nossa verdadeira natureza, ou seja, podemos encontrar a nós, a quem nós Somos.

 É neste silêncio que encontramos a nossa sabedoria interior, a nossa Luz. Não existe nenhum livro que pode descrever como isto é - é uma experiência que só nós podemos permitir que acontece. É algo que vai além das palavras. É a sensação de ter chegado à casa, onde pertencemos, e a partir daqui podemos ganhar a confiança necessária para empreender a complicada tarefa de desfazer as emoções destrutivas e cultivar atitudes construtivas. Encontrando o Coração, podemos começar a cultivar e praticar o Amor e Bondade.

Dito isto, devo também dizer que reconheço que os livros podem ter efectivamente um papel decisivo. Um aspecto muito importante da meditação é a aceitação da situação em que nos encontramos, necessária para poder começar a trabalhar o que nos perturba. Para que a mente possa chegar à aceitação, é útil reflectir sobre os seus mecanismos, entender como funciona não só a meditação mas igualmente, perceber como funcionam as emoções destrutivas. É importante porque assim a mente pode aceitar que existem soluções para o seu sofrimento.


Na minha experiência, todos os livros têm algo para dizer, e podem tocar-nos à vários níveis. Palavras sábias para reflectir... técnicas para experimentar...  mas é preciso lembrar sempre que, no final, cada um acaba por ser o seu próprio mestre.

Uma das primeiras lições do Buda contém o seguinte ensinamento:
''Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.''


Este ensinamento estimula para conservar uma atitude críteriosa e atenta. O próprio Buda lembra que é preciso verificar continuamente, se faz sentido o que nos dizem.

Tendo tudo isso em conta, considero que há bastante livros que valem a pena. Para poder aprender realmente algo sobre meditação, um livro pode ser "consumido" com os nossos sentidos - isto é, permitindo que as palavras entram no sistema pelo intelecto, para depois passar para os sistemas mais súbtis. Sentir as palavras! A verdade transmitida, também é a tua? Que reacção é provocada dentro de ti? Os textos tocam em algo profundo por dentro, ligam para assuntos emocionais que gostaria de resolver? Isto dá matéria para reflectir?

Temos que lembrar também que não há caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho! Não é preciso mais nada do que SER, aqui, agora. Não há caminho ou método que nos pode levar à sitio onde podemos ser feliz. Porque já estamos no sítio e no momento certo para ser feliz. Basta aceitar que assim é.



domingo, 1 de julho de 2012

O conflicto emocional - Lua Cheia em Capricornio, Sol em Caranguejo


Quando o disco da Lua começa a ficar iluminado por inteiro, sabemos que é altura de reflectir sobre o papel na nossa evolução espiritual, do signo em que o Sol se encontra. O signo de Caranguejo representa a Intuição.
Para poder guiar-nos no caminho da nossa alma precisamos de encontrar um "modus operandi" para os componentes instinto, intelecto e intuição (aspectos respectivamente do corpo, da mente e do espírito). Por um lado, o instinto precisa de evoluir para intuição. Por outro lado, um uso justo e pleno do intelecto só é possível se há espaço para a intuição. A intuição ajuda a interpretar e alargar o intelecto, para que os objectivos possam ser atingidos. O instinto - e as emoções associados - é assim regelado para um segundo plano e deixa de ser dominante. 
O signo de Caranguejo é o quarto do Zodíaco, e é um signo de Água. Forma um par de oposição com Capricórnio, que em conjunto representam os opostos Matéria e Espírito - a Mãe de todas as formas e o Pai de Tudo que É.
Na oposição dos dois, encontramos uma chave para a Lei do Karma e a reincarnação (ver mais acerca desta interpretação no post Ser ou Não-Ser?)

A grande dificuldade de Caranguejo, e para as experiências que passamos enquanto neste signo, é a sensibilidade extraordinária. Tudo isso estará ao seu auge na Lua Cheia. A reacção às influencias externas, ou as oriundas de dentro, faz com que no signo de Caranguejo possam surgir facilmente conflictos com o ambiente em que vivemos. De certo modo, pode-se dizer que a alma reage às influências através de conflictos. A intenção é que o ser humano, através destas experiências, aprende a não se deixar conduzir pelos sentimentos, emoções e oscilações da personalidade (que se exprimem em iritação, tristeza, fúria). Em lugar disso, vem a superação e a transformação destas reacções emocionais em amor puro, que vem do espírito

Caranguejo representa a Mãe, Capricórnio representa o Pai. O momento é de conflicto, que mais parece um conflicto de poder.
Ainda por cima, esta Lua Cheia vem pouco tempo após a primeira quadratura entre Urano e Plutão (no dia 24 de Junho) - primeiro numa série de 7 até 2015. A tensão assim já estava alta, porque estamos a sentir um desejo de mudar e de seguir uma nova direcção (Urano) mas estamos a encontrar bloqueios psicológicos (Plutão) que nos fazem sentir pequenos e incapazes. A Lua Cheia puxará por estes sentimentos, e a focagem facilmente ficará nos bloqueios que impedem a mudança. Queremos a mudança, mas temos a impressão que estamos presos. Sentimos que estamos a ser limitados pelo exterior, pelas circunstâncias. Parte destes sentimentos podem até ser sentimentos de culpa, por saber que algumas limitações foram criados por nós.

(fonte da imagem)
A conjuntura é um convite para, em primeiro lugar, assumirmos a responsabilidade sobre a nossa vida e o nosso crescimento (Capricórnio!). Podemos ser pais para nós próprios, deixando que a luta e o conflicto se transformem em cooperação, permitindo que a nossa intuição surge para nutrir o nosso intelecto, e para que o nosso instinto se acalma. (Caranguejo).
Com o nosso intelecto podemos observar o que é que faz sentir-nos pequenos e incapaz de realizar a mudança.
Na escuridão da noite, à luz da Lua, podemos descobrir crenças antigas que nos roem por dentro: qual é a história que ainda contamos a nós próprios, e que nos mantém pequenos? Que padrão, que os nossos pais nos mostravam, copiamos, para sentir que estamos ainda limitados e presos? Até pode ser que já quebramos muitos padrões, usando o nosso ego para subirmos na vida, enquanto, muito lá por dentro, ainda acreditamos que precisamos de fazer tudo sozinho porque na realidade, ninguém está lá para nós. Sinais do tempo: mudança há de vir quando aceitamos que somos capaz, que o nosso caminho é de libertação.

A celebração /meditação da Lua Cheia terá lugar na
terça feira, 3 de Julho, às 20.30h no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.
Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!  



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