Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Meditar para descobrir a natureza humana: nada é o que parece

O caminho em direcção à libertação é um caminho paradoxal - podemos mesmo interrogar-nos se a palavra  "caminho" é adequado: os mestres ensinam que a Luz já existe em nós, basta deixar que ela se manifesta.

Abraham Hicks refere : "all you have to do is to decide what you desire to experience and then allow it in order to achieve it. It is not something you have to struggle or try for." (Tudo o que precisas fazer, é decidir o que desejas experimentar, e para conseguir alcançar este objectivo basta permitir que te acontece. Não é algo que requer luta ou tentativas". 

Simples?

Parece que sim, mas quando procuramos paz interior e uma mente calma, nem sempre acontece desta maneira simples. A mente humana é mestre em complicar, e quando nos sentamos para meditar são estas complicações que se mostram e teimam em surgir.

A meditação é indicado como o caminho para libertar, e "mindfulness" é hoje em dia usada como uma palavra mágica. Reduzir o stress, curar doenças, melhorar a concentração - parece que meditação é a resposta a tudo. No entanto a meditação em si, não é uma solução fácil:

"Na meditação, descobrimos a nossa inquietação inata. Às vezes levantamos e vamos embora. Às vezes estamos sentados mas os nossos corpos mexem e queixam-se e as nossas mentes dispersam-se. Isso pode ser tão desconfortável que sentimos ser impossível ficar. No entanto, esse sentimento pode nos ensinar não apenas sobre nós mesmos, mas sobre o que é ser humano ... realmente não queremos ficar com a nudez de nossa experiência atual. Ficar no presente parece ser contra-natureza. Estes são os momentos em que apenas a gentileza e o sentido de humor podem dar -nos a força necessária para repousar ... por isso, sempre que nos afastamos, incentivamo-nos suavemente a "ficar" e acalmar." (Pema Chödron)

Se olharmos para a meditação como remédio para os nossos males - como se fosse uma pilula que podemos tomar - vamos ter dificuldades em conseguir resultados. Claro, podemos identificar os aspectos do nosso ser que não gostamos, seja ao nível emocional (a nossa irritabilidade, insegurança, ansiedade, stress....) ou ao nível físico (dores, tonturas, tinitus..) ou mental (falta de concentração, pensamentos repetitivos...)
Mas ao identificar onde estamos mal, corremos os risco de cair numa armadilha, montado pelo ego!

Segundo Eckhart Tolle, na maioria dos casos, quando pensamos "quem sou eu", o que referimos não é  "eu" mas sim o "ego".
Falamos de uma imagem que temos de nós, composto por emoções, pensamentos, uma história de acontecimentos e as emoções e sensações que daí resultaram; falamos dos papeis que habitualmente desempenhamos nas varias funções exercidas; falamos de conceitos colectivos com os quais nos identificamos, como a cor política, a religião, raça, classe social ou ideologia.
Há outras facetas mais individuais na identificação pessoal, tal como o aspecto do corpo, opiniões pessoais, emoções, comparações com os outros..

Cada pessoa tem assim uma identidade diferente - mas são diferenças superficiais.
A essência dos egos e igual em todos. E são iguais porque todos os egos identificam-se de maneira igual, através de conceitos construídos na base de pensamentos, memórias e emoções ou na comparação com o outro - o que também é um processo mental.
A base do Ego é assim instável, visto que pensamentos e emoções são por natureza efémeros. O ego acaba por ser instável também - uma instância precária numa luta constante pela sobrevivência. O 'Eu" baseado em conceitos mentais precisa de se alimentar, de se proteger e de crescer para sobreviver - e precisa da oposição ao "outro" para o conseguir.

Meditação corta com essa ilusão. Ao contemplar o Eu (através de uma prática introspectiva), gradualmente começamos a ver como a própria natureza do Eu é ilusório.
Esta afirmação pode levar a supor que meditação é um processo de desilusão, enquanto despimos a nossa identidade dos seus valores. Mas há uma verdadeira liberdade a conquistar no coração da practica: a meditação liberta-nos da necessidade de preencher cada momento com coisas, acções ou análises. 
Descobrimos que não somos os nossos pensamentos.
Descobrimos que não somos as nossas emoções.
Descobrimos como podemos repousar tranquilamente naquele vazio leve e luminoso da meditação, que acontece no espaço entre a agitação mental e o aborrecimento. 

Experimente por si mesmo. Agitação e aborrecimento são impossíveis de escapar quando iniciamos a prática de meditação sentada o puro tedio de "não fazer nada" ou a onda de ansiedade que acompanha a sensação de que há tanta coisa mais para fazer agora do que estar apenas sentado aqui.

"O truque é continuar explorando e não desertar, mesmo quando descobrimos que algo não é o que pensávamos. Isso é o que vamos descobrir uma e outra e outra vez. Nada é o que pensamos. Posso dizer isso com muita confiança. O vazio não é o que pensávamos. Nem a atenção plena ou o medo. Compaixão - não é o que pensávamos. Amor. Natureza do Buda. Coragem. Essas são palavras de código para coisas que não conhecemos em nossas mentes, mas qualquer um de nós poderia experimentar. Estas são palavras que apontam para o que a vida realmente é quando deixamos as coisas desmoronar e deixamos que somos pregados no momento presente ".

(Pema Chödrön em: When Things Fall Apart)



Para quem quer iniciar-se na meditação e explorar a pratica diária de Mindfulness é organizado um
Curso de Iniciação à Meditação de Plena Atenção (Mindfulness)
O curso consiste em 6 sessões em que teoria e prática são conjugadas. Em cada sessão fazemos uma meditação guiada para pôr em prática os conceitos falados. Há "TPC's" - exercícios que podem ser praticados em casa, para quem procura estabelecer uma disciplina diária. 
Sessões às segundas feiras entre as 19h e 20.30h, a partir de 23 de Janeiro
Contribuição: 40€  (dificuldades financeiras não são impedimento para participar no curso. Fala comigo)
 
Mais informação e inscrições através do mail (cavalo.d.vento@gmail.com) ou por telefone, whatsapp ou sms: 934 211 445
Nº máxima de participantes - 10.  (Se houver mais inscrições há possibilidade de abrir um segundo grupo)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Lua Cheia 12 de Janeiro : Passar pela noite escura para recomeçar sem medo

Será a primeira Lua Cheia depois do Solstício do Inverno, o momento no ciclo anual em que celebramos a vitória da Luz sobre a Sombra.
O Sol está em Capricórnio e a Lua Cheia nascerá em Caranguejo. Caranguejo é um signo de Água, e está ligado à Lua.

 A conjuntura em que a Lua aparece é uma Grande Cruz Cardinal: o Sol em Capricornio, a Lua em Caranguejo,  em quadratura com Jupiter em Balança e Urano em Aries. A Cruz Cardinal é como um moinho de energias emocionais que pode levar a divisão, comportamentos de risco, e reacções pueris. As emoções podem ser mais fortes do que nós e podem levar a comportamentos por impulso!

A Humanidade está a passar por um período particularmente intenso. A consciência aumenta, mas a divisão entre quem é compassivo por um lado e quem vive de forma egocêntrica, aumenta. É uma fase de renovação de um mundo virado para o ego para um mundo que experimenta uma forma mais elevada de consciência e iluminação.

A Lua Cheia em Caranguejo refere ao lar, à família, aos antepassados e ao passado. Todos temos de alguma forma feridas, dores ou cicatrizes que resultaram de experiências na infância ou juventude. É importante ver que memórias guardamos e que dores ainda não libertamos, e tratar disso - mas é igualmente importante reflectir sobre o lugar que ocupamos agora na sociedade.

Precisamos de liberdade, precisamos de sentir que a nossa vida faz sentido e tem um rumo. Precisamos de amor-próprio e de uma sensação de segurança interior. Precisamos de sentir-nos a salvo, acarinhados, sem amarras, expectativas ou obrigações. A Lua oferece a energia de suporte para reflexão e um olhar sincero no espelho da alma.

É altura de voltar à Luz, a fim de renascer inteiro e curado. É altura de perdão, mesmo para aqueles no passado ou na família que causaram tristeza ou mágoa.
A Lua Cheia em Caranguejo vai iluminar emoções reprimidas e dolorosas ligadas à família, passado e reacções condicionadas, e pedir para limpar, chorar o que ainda há para chorar e libertar o passado.
A Lua Velha, como é chamado esta Lua, representa um momento de limpeza profunda. A escuridão das noites do inverno serve para nos retiramos e ligar-nos novamente à Fonte.

Em breve a Natureza vai chamar-nos para surgir na Luz. Quando o calor e o sol da Primavera começam a guiar as sementes no seu crescimento, também nós vamos ser chamados para crescer e fazer o próximo passo na nossa evolução. Tal como as sementes, também nós precisamos de passar por um período de retiro, passado no escuro, para ganhar força para a proxima fase. Tal como as sementes que repousam, vamos ser chamados de assumir o nosso lugar na Terra e florescer.

É agora o momento indicado de olhar para os demónios que viajaram connosco do passado até ao dia de hoje. Olha-os na Luz da Lua , com compaixão e ternura. É altura de deixa-los ir, para que o dia de amanhã possa ser vivida em liberdade.

Nesta altura do ano é recomendável fazer uma limpeza ao fígado e ao sangue, para apoiar o corpo no processo emocional. Ama-te e cuida-te. Mereces.

Meditação da Lua Cheia
12 de Janeiro, 17.30h, Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora


Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.

Estão todos bem-vindos!
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