Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A natureza do fogo

Hoje é noite de Lua Cheia.... uma noite especial, porque a Lua vai nascer eclipsada... uma boa altura para escrever sobre a força do Fogo.
Nasci sob o signo do Leão, num ano que a tradição chinesa identifica como sendo de Dragão. Signos de fogo - para complementar o quadro tenho ainda o ascendente num signo de fogo, e também a Lua. Muito fogo que sempre me fez interrogar-me porquê. Qual o significado - qual o desafio que isso me coloca?
Por isso, tenho contemplado bastante sobre a natureza do fogo...
O Fogo pode oferecer calor, luz, conforto. Símbolo da paixão que arde no peito, é também símbolo de fúria, ímpeto e arrebatamento.
Tranformation (mandala by Rietske van Raay
O Fogo é um elemento cheio de movimento, alegria, expansão, actividade, paixão êxtase e felicidade. Entusiasmo, desejo, amor e sorrisos estão todos associados ao elemento Fogo que encontra o seu centro no nosso coração.
O Fogo pode ser também destruidor - se arder descontroladamente, como se fosso para se propagar a si própria, consumindo o que está ao seu redor. Queimando a quem se aproxima, destrói e reduz a cinzas practicamente tudo.

Mas a transformação que o fogo proporciona pode ser bem mais suave. Pode ser benigna e misericordiosa. Podemos oferecer ao fogo as nossas emoções, padrões e pensamentos do passado que perderam a sua vitalidade e que resultaram em peso e sofrimento. As chamas de compaixão na fogueira do nosso coração podem transformar este peso em Luz e calor humano que irradia para todos os lados....enquanto toda a energia que não se pode ou quer transformar, cai como cinza para a Terra... onde será transformada em fertilizante para que nova vida nasce e cresce.

O fogo não é tão absoluto que às vezes parece... somos continuamente desafiados para estabelecer um equilíbrio entre os extremos - e no mandala que aqui se reproduz, encontramos esta junção / união, a procura do Oneness.
A imagem surgiu numa meditação e simboliza a transformação contínua da Vida, em que o fogo pode também ter forma de água ou a água forma de chama. Fogo que flui e que eleve; água que transforme e faz erguer... a junção entre o leão do fogo na forma masculina e o dragão do fogo em forma feminina...Uma transformação continua em que toda a energia que É pode existir - equilibrando os opostos, juntando num só, não existe destruição, nem necessidade de protecção- só existe transformação e transmutação.
Parece que o desafio do Fogo é abrir mão do seu absolutismo, descer do trono, e oferecer as suas qualidades para servir o Grande Conjunto. E isso, para um Leão, também pode parecer uma contradicção. ;)

domingo, 12 de junho de 2011

Aprender de deixar ir

Esta semana surgiu, numa sessão de coaching, a questão dos pensamentos que nos perseguem e que ocupam a mente, causando angústia e stress emocional - e sofrimento. Falámos sobre as origens, mas também sobre métodos e exercícios que podemos fazer para treinar a mente de modo que esta ganha a capacidade de deixar ir, de se libertar, de abrir mão do apego aos pensamentos que causam sofrimento.
Pensei que podia ser útil para muitos reflectir sobre a questão do "deixar para trás" - deixo para já os exercícios de fora, uma vez que as soluções não são universais, e a adaptação à situação específica de cada um que quer treinar a sua mente, é meio caminho andado.
(fonte da imagem)

Porque será que fazemos isso? Por alma de quem deixamos que a nossa mente nos domina?
Penso que em parte,  isso tem a ver com um dos aspectos mais difíceis que vêm com o privilégio de dispor de uma mente consciente: ela tem a tendência de se impor até ao ponto de nos confundirmos com ela. Mas não somos a nossa mente. A mente é um dos atributos do ser humano - a forma que acolheu a nossa consciência, a nossa alma. Não somos obrigados a sujeitar-nos aos caprichos da mente! No momento em que há um entendimento profundo que a nossa mente, ela própria, é causa de muito do nosso sofrimento, podemos fazer o passo decisivo e começar a libertar-nos dos pesados padrões de pensamento.

(As quatro aproximações que são mencionadas, encontram-se no Dhammapada, um dos textos que formam a base do budismo Theravada.)

1 Deitar fora o que te pesa. Abre a mão!
É impressionante o cargo emocional que somos dispostos a carregar connosco. Preocupações sobre os outros, sobre a nossa interacção com outros; preocupações sobre o futuro; cenários sobre como podemos falhar, ser incapaz, infeliz, pobre... Tudo em conjunto transforme-se num peso que parece pender do nosso pescoço ou nos ombros. E porquê? O que isso te traz em termos de felicidade? Na verdade, o que traz é sofrimento por antecipação, ou sofrimento através das emoções não digeridas e associadas à memória. Mas o peso só existe enquanto o carregues. Porque não deitar fora o peso?
A tua mente não está agarrada aos pensamentos de sofrimento por ter essa natureza: foi um processo de socialização, aculturação e habituação que levou a tua mente a ter manobras para se segurar, ter uma noção de controlo sobre os acontecimentos. Mas podes também habituar a mente a não se agarrar ao futuro ou ao passado, e virar-te para o que realmente importe: estar no momento, e sentir o momento. É no Aqui e Agora que possas actuar e tomar as decisões conscientes que vão construir o teu futuro.Mas para isso tens que estar presente!

2 Viver no momento: faça só uma coisa cada vez.
Temos todos muita coisa que nos preocupa. Família, casa, trabalho, amigos, falta de tempo, colegas que chateiam, invejas e ciúmes que nos são lançados, o dinheiro que falta ao fim do mês, as tarefas que se acumulam... A um dado momento no dia podem passar milhares de pensamentos, muitos deles não tendo nada a ver com a actividade que estamos a desempenhar ou a conversa que estamos a ter. Mas porquê tentar dividir a capacidade mental sobre tantos assuntos? Corre-se o risco de não fazer satisfatoriamente o que decidimos fazer; mais: Viver no aqui e agora, consciente do que estamos a fazer, disponibilizando toda a nossa capacidade mental e atenção... para fazer uma coisa de cada vez. Dando a nossa energia toda, sempre podemos ter a certeza que fizemos tudo para que as coisas correm bem. Não haverá lugar para dúvidas: dás o que tens de melhor: a tua atenção completa.
Talvez seja preciso estabelecer prioridades - assim seja. Não é preciso sentir-te em falta ou culpado por não dar a tua atenção às coisas que esperam a sua vez - quando chegar a vez delas, podem contar também com a tua atenção completa.

3 Perceber que estamos sempre no momento certo no lugar certo.
A lei do karma implica que tudo o que nos acontece, é resultado das nossas acções - e qualquer acontecimento serve para aprendermos com as consequências das nossas acções e, em simultâneo, é uma oportunidade de tomar as acções que vão constituir a base do nosso futuro. Ou seja: estás sempre no lugar certo e no momento certo - mesmo quando isso parece colidir com a convicção da tua mente e do teu ego... Ao aprendermos a inevitabilidade da vida, podemos começar a perceber que não é no exterior que se encontram as condições para sermos feliz, neste momento e na circunstância que te encontras. Se apontamos com o dedo para fora, implicando que são os outros que nos impedem, fechamos os olhos para o que podemos fazer por nós.
Depois de aceitar que estamos sempre no lugar certo e no momento certo, podemos começar a ver que isso sempre é para o nosso próprio bem: serve a nossa aprendizagem. Infelizmente, as lições do karma só podem ser compreendidas na sua plenitude, após da aprendizagem.
No entanto, podemos ficar reconfortados com a perspectiva que se abre. Podemos começar a querer estar onde estamos - porque o nosso desejo final é evolução.
No momento em que começas a querer estar onde estás... o lugar onde estás deixa de ser uma prisão! E podemos descobrir algo maravilhosa: só estavam à vista as paredes da clausura da situação, enquanto na nossa percepção era uma prisão. Mas depois de começar a ver que estamos no lugar onde precisamos e queremos estar, vemos onde estão as janelas, as portas, se estão abertas, o que há além das paredes!

4 Cultivar a mente-anti-aderente.
O último truque para libertar-nos de peso emocional, é de facto um truque de prevenção: ter uma mente-anti-aderente. Não deixas que os eventos, acontecimentos, encontros, conversas, te colam nas paredes cerebrais. Cultivar uma atitude de observar o que acontece, tirar as conclusões que precisam ser tiradas, e deixar que as coisas passam, faz com que nada cola....
É como ter uma frigideira anti-aderente... precisa de ser passada por água para livrar-se dos restos dos omeletes, sob pena do próximo ter o sabor do último.

Há muitos exercícios possíveis para treinar a mente de descarregar peso, ser mono-funcional, aceitar o lugar do momento, e ser anti-aderente. Nas meditações ensaiamos todas as semanas alguns; mas o segredo de ser bem-sucedido está na disciplina diária. Não basta saber o que precisas fazer: é preciso fazé-lo!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lua Cheia de Junho

Na próxima quarta-feira, 15 de Junho, celebramos a Lua Cheia (com eclipse lunar total!). A hora exacta da Lua Cheia é às 21.14h - ela nascerá aqui em Portugal já eclipsada, e se o tempo o permitir, vamos poder ver a Lua surgir da sombra da Terra.
O Sol encontra-se em Gémeos, e a Lua estará no signo de Sagitário.
Após a festa da Ressurreição (Páscoa, Lua em Carneiro), a festa da Iluminação (Wesak, Lua em Touro) temos agora a festa do Cristo na Terra com a Lua em Gémeos. A festa celebra a consciência de Cristo na Terra.  As celebrações católicas da Santíssima Trindade e Corpo de Deus acontecem no mesmo período, festas estas que sublinham igualmente a presença terrestre e física de Deus.

O signo de Gémeos faz sentir a sua influência em três áreas relativas às relações humanas:
Gémeos reina a educação; tem a ver com conhecimento e ciências, e constroi os fundamentos para a Sabedoria.
É nomeadamente nas áreas mentais que Gémeos aumenta a sua característica principal; a dualidade.
Isto é notável em três níveis:
O pensamento concreto - p.ex. a consciência da separação entre o eu e o outro, a consciência da própria personalidade;
O pensamento iluminado - p.ex. a transmissão de mensagens entre a Alma e o cérebro;
O pensamento abstracto, que liga a Alma com a Mente pura, e que revela o aspecto-vital

Ligando as dualidades e levá-las a uma síntese causa tensão, acções e reacções. Mas eventualmente é este o processo que leva a Humanidade a Despertar. O objectivo de todos os conflictos é a Harmonia!

Embora conhecida por nomes diferentes, a Festa em Gémeos constitui na sua essência a festa do Cristo - que representa a Humanidade na presença de Deus (Ele é chamado O Filho na Santíssima Trindade). É a celebração da Humanidade que procura a sua Unidade e compreensão da sua Divindade.
Por isso, é nesta altura que procuramos igualmente libertar o nosso medo do Poder da Luz, o nosso medo da Unidade - o nosso receio do Fogo. No fundo, do que temos mais medo, não é da nossa insuficiência ou de sermos pequenos.... o nosso medo é assumirmos a nossa Grandeza (citando Nelson Mandela).

No Solstício, 21 de Junho, haverá uma celebração ao nascer do Sol, para trabalharmos mais ainda esta última faceta.
Ser Divino significa assumir o poder da Luz. Mas Poder não é unicamente uma coisa boa e construtiva... lidar com o Poder traz consigo enfrentar as energias de controlo, de manipulação, de dominação - forças que entram em campo quando o Eu se sente separado do Todo e ambiciona o Poder a partir desta dualidade.

O nosso coração aberto, e o Amor que sentimos fluir nele, faz com que podemos olhar para as energias de manipulação e controlo, para os padrões largos e mais súbteis destas energias que percorrem a nossa vida e o nosso próprio comportamento. Sim, somos manipulados e manipulamos; tal como procuramos controlo e dominância enquanto em outras áreas somos controlados e dominados. Faz parte do nosso Caminho de volta para o Todo olhar sem preconceitos, sem julgamentos para o nosso comportamento - perdoar e libertar... e manifestar a nossa disponibilidade de Ser novamente. Aceitar a consciência de Cristo. Em todo o nosso esplendor Divino, manifestações de Deus na Terra...

Celebração da Lua Cheia:
15de Junho, 20.45h, Cromeleque dos Almendres, Guadalupe - Évora

Celebração do Solstício:
21 de Junho, 6.15h, Cromeleque dos Almendres, Guadalupe - Évora.

Estaremos reunidos num local sagrado. Solicita-se a quem quer participar, de trazer uma oferenda para o sítio: um pau de incenso, uma pedrinha, uma flor, água.... o que parece adequado para exprimir agradecimento.
A participação na cerimónia é por donativo.


   
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