Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Porque existem tantas maneiras de meditar?

Para quem quer meditar, há uma variedade grande de métodos e técnicas que podem ser utilizados. Neste texto vou me limitar às formas de meditação desenvolvidas a partir da filosofia budista.
Meditação silenciosa, "mindfulness", meditação em movimento, Zen, meditação activa... e aqui estamos ainda só a olhar para formas de meditação que encontram a sua base no budismo.
Existe um número grande de formas de meditação, que são muito diferentes entre elas. Esta variedade já existia na altura em que o Buda Sakyamuni, (Sidarta Gautama) viveu. O Buda histórico ensinou formas de meditação que eram diferentes consoante a vida e o carácter do discípulo. 

À pessoa religiosa, como um monge ou uma monja, eram dados exercícios que visavam o desenvolvimento da atenção plena. Atenção para a respiração, atenção para cada um dos gestos, atenção para os sentimentos, atenção para os pensamentos, estímulos sensoriais, padrões...(em: Sattipatthana-suta, "as formas de atenção"). É a chamada Vipasyana, de onde é derivado o "mindfulness".

Os exercícios dados aos discípulos do Buda histórico que eram leigos, eram totalmente diferentes. A estes era pedido evitar comportamentos não correctos (tais como matar, roubar, mentir, abuso sexual) e procurar um comportamento correcto, tal como reconhecer maus amigos e bons amigos, a assistência correcta de pais, esposos, amigos, religiosos, entre outros (em: Sigalovada-sutta, "conselhos a Sigala").

Uma história famosa é a de Krisha Gotami, que só numa idade avançada conseguiu engravidar e que perdeu o seu filho após o parto. Estava inconsolável, mas teve a felicidade de ser levada junto ao Buda Gautama. Ela perguntou se ele a podia ajudar e devolver a vida ao filho. Buda deu a então o seguinte exercício meditativo: traz-me um semente de mostarda, da casa de uma família onde ninguém faleceu ainda.
Parecia fácil, encontrar sementes de mostarda, mas quando Krisha começou a ir de porta em porta, ela percebeu que em todas as casas, alguém tinha falecido. Ela partilhou a sua dor e tristeza com a dor e tristeza de outros e progressivamente ela ganhou entendimento acerca da impermanência da vida humana.(em: Sogyal Rinpoche, The Tibetan book of living and dying).

Buda não reconheceu nenhuma forma de meditação como "a verdadeira forma de meditação". Ele considerava Verdade, aquilo que funciona para uma pessoa na sua situação específica. Deste modo desenvolveram-se nos séculos que se seguiram, diferentes formas de meditação nas diferentes culturas onde o budismo enraizou, adaptadas a todas estes diferentes situações e carácteres. De uma maneira generalizada, podemos dizer que pessoas que gostam de ter directrizes precisas sobre como meditar, tendem para formas de mindfulness ou formas de atenção desenvolvidas dentro do Budismo Theravada. Pessoas com um interesse mais esotérico podem fazer recitação de mantras, visualização de mandalas ou meditações com mudras - formas desenvolvidas no Budismo Vajrayana. Pessoas que procuram desenvolver a sua devoção podem virar-se para meditações devocionais do Mahayana, como o invocar do nome de Buda. Outros procuram um via de liberdade e podem virar-se para o Zen.

Mas que tipo de meditação escolher? Qual a meditação mais aconselhável?
É uma pergunta que encontra uma resposta não tanto através do raciocínio, mas antes através da intuição. Algo em nós sabe, sem duvidar, qual a forma ideal para nós. É uma questão de experimentar várias formas, e a um dado momento sentimos o "clique": fazemos o exercício, e está certo. É como chegar a casa. Sabes que isso é o que te faz sentir bem, e que é isso que vais fazer.

Pode acontecer que não encontras logo a forma de meditação certa, mas primeiro o/a guia (instrutor de meditação). Também a escolha de um guia não acontece tanto por razões lógicas, mas antes pela intuição. Simplesmente saberás que é essa a pessoa que te vai levar até à próxima fase. Neste caso, o exercício meditativo é acerca da fé e confiança. Tens confiança que sabes o que é bom para ti? Tens a confiança que nisso não estas a fazer batota, mas que honestamente procuras fazer o que é construtivo?

Encontramos a forma de meditação certa e adequada, porque é esta a forma que nos faz despertar para o mundo e para quem somos. Encontramos o guia certo porque é essa a pessoa capaz de nos fazer olhar de uma maneira diferente para quem somos.

E quem sabe, se calhar todas as formas de meditação acabam por ser exercícios de fé e confiança. Confiança que dentro de nós já existe e sempre existiu, a sabedoria e a compaixão que procuramos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

As cartas do Caminho Sagrado

Hoje chegamos aos 300 "Likes" na nossa página do Facebook! Para celebrar, um pequeno jogo de cartas.... Tirei 7 cartas do baralho do Caminho Sagrado, de Jamie Sams, uma para cada direcção. Antes de clickar no gif, pensam numa pergunta. A animação vai parar numa imagem... As mensagens são baseadas nos textos de Jamie Sam.

35- Xaile. Voltar para casa
Se o xaile caiu sobre seus ombros, é convidado a voltar para casa. Se se esqueceu de si mesmo recentemente, chegou o momento de recordar sua essência e seu potencial.
Se penetrou num atalho tortuoso ao julgar perfidamente os outros, chegou a hora de retornar ao lar do coração e reconhecer o valor existente em todas as lições e em todas as estradas percorridas.
Talvez esteja já à caminho para casa, ou seja, para o encanto e a magia com que conviveu no passado, ou então para um novo estado de euforia e felicidade.
Em todo o caso, está a voltar a um modo de ser que já fez parte de seu passado, e que ficara esquecido por uns tempos.
Sente a necessidade de buscar a forma mais simples de viver.
Se se esqueceu daquelas verdades tão simples, e que já lhe trouxeram tanta alegria interior, esta na hora de voltar para casa.
Vestir o xaile é voltar para casa, para os braços da Mãe Terra, é voltar a ser amado.
Tome o seu xaile, e sinta a responsabilidade de amar os outros, de amar aqueles que se esqueceram de trilhar o caminho sagrado, que não encontram ainda o caminho de volta ao lar.

31 - A Taça de Cura
A Taça de Cura é uma ferramenta tradicional usado pelos que Vêem, os Sonhadores e Curandeiros dos nativos norte-americanos. É uma Taça que passa de geração em gerção, e podem ter centenas de anos. Carregam em si as forças e as fraquezas dos seus antigos Guardiões. É uma feramenta tão sagrada que não é trazida para fora das cerimónias da tribo. Há uma outra taça, a Taça Cerimonial, que toma o seu lugar nas cerimónias públicas. 
Se escolheu a carta da Taça de Cura hoje, a cura está no horizonte. Isso pode ser uma cura espiritual, mental, emocional ou física. Preste atenção aos acontecimentos na sua vida e reconhece com gratidão as curas que se manifestam. Os passos para a plenitude muitas vezes são marcados por pequenas curas que parecem parciais, e muitas vezes podem ser negligenciados. Toma conciência de mudanças na atitude ou uma nova sensação de bem-estar, e vai entender que a cura se manifesta. Desta forma  está ajudar o seu futuro a acontecer, além do Vazio, para curá-lo no presente.

Em todos os casos, a Taça de Cura fala da boa medicina. É uma oferenda. A sua tarefa actual é encontrá-la, para curar a si ou para ajudar o outro.

24 - Fogueira do Conselho
A Fogueira do Conselho é uma prática comum entre o povo nativo americano. Os encontros dos Conselhos acontecem quando há a necessidade de serem tomadas decisões que possam afetar a vida de todos da tribo. Jamie Sams fala que, para que alguém possa fazer parte de um conselho, esta pessoa deve dar exemplos de uma vida honesta e digna.
Nos tempos mais antigos, os Conselhos eram realizados ao longo da noite. Os membros se reuniam ao redor de uma fogueira, onde eram debatidos assuntos de interesse de toda a tribo. As decisões eram tomadas de forma democrática, sendo que todos os pontos de vista eram levados em consideração.

Se tem andado meio hesitante quanto às atitudes a tomar, a carta da Fogueira do Conselho lhe mostra que chegou o momento de tomar uma decisão. Não pode haver um movimento de avanço se não descobrir qual a trilha que leva para fora do pântano e para dentro da floresta. É preciso coragem para empreender mudanças na vida, e todas as mudanças começam por uma decisão. Decida-se, e não olhe mais para trás. A vida espera por si, de braços abertos, em toda a sua beleza.
Se por causa da decisão de outras pessoas se encontra numa situação difícil, passe a tomar as próprias decisões. Não é obrigado a tomar decisões baseadas em opiniões alheias. Pese bem todas as possibilidades e preveja o quanto a sua decisão pode afetar os outros. Depois, tome coragem, e aja! Descubra a sua própria verdade e seja fiel a ela!

17 A Tenda da Lua
Nos tempos mais antigos, em que o sangrar da mulher era visto como mistério, as mulheres eram afastadas das atividades durante o período menstrual. Esta fase do ciclo feminino era considerado um momento entre a vida e a morte. Recolhidas nas tendas da lua, as mulheres muitas vezes sincronizavam o ciclo menstrual umas com as outras, e nestas tendas ouviam a voz da intuição e buscavam o autoconhecimento. Os vínculos entre as mulheres eram fortalecidos e este fato atribuía poder a elas.
Nas Cartas do Caminho Sagrado, Jamie Sams aponta que, para os povos nativos americanos, os ciclos femininos eram considerados algo profundamente respeitável: “as mulheres honram seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente à sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos de seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos à séculos”.
“Para que velhas feridas cicatrizem de maneira eficaz e criativa, está na hora de as mulheres utilizarem a idéia da tenda da lua e se refugiarem da santidade da fraternidade. As mulheres precisam aprender a amar, a compreender e, desta forma, curas umas às outras. Recolher e assimilar os sentimentos que as experiências da vida criam é muito saudável”.
A carta da Tenda da Lua fala de retiro. Faça uma pequena pausa nas suas atividades. Não consegue usar a sua força neste momento porque precisa de restaurar as suas energias. Este é um período estéril em certo sentido porque precisa ficar só e dar toda a atenção a si mesmo, para variar.
O retiro não é um acto de fraqueza; é um acto de força. É no retiro que se consegue, no presente, preparar uma base sólida para o futuro. Observe que, ao descansar um pouco agora, está a preparar um novo ciclo de acções produtivas na sua vida. Estes momentos de solidão vão lhe permitir fazer coisas que lhe trazem alegria sem as interferências que costumam vir de fora. Lembre-se que verdadeiros milagres podem ocorrer na sua vida, se você se permitir um repouso, e souber se encaminhar em direção ao seu novo ponto de partida de forma suave e tranquila!

7 A Roda de Cura
Entre o Povo Nativo a Roda de Cura também costuma ser chamada de “Elo Sagrado”. Este símbolo, que engloba todos os ciclos da vida, inspirou ao Povo da América Nativa um propósito de evolução que persistiu através dos séculos. Cada ciclo de vida passou a ser honrado de forma sagrada. Esta atitude nos leva a valorizar cada passo de nosso Caminho e adquirir uma nova compreensão de nosso processo de crescimento.
Cada indivíduo e cada um de seus talentos são honrados como tesouros vivos da tribo e o mesmo ocorre com todas as lições de vida. Os membros de cada Tribo partilham sua Sabedoria, adquirida através da experiência, e toda a Nação se beneficia com as histórias que vão sendo repassadas entre os diversos bandos ou Clãs. Ao compreender a experiência única vivida por cada indivíduo, os outros membros da Tribo passa a interiorizá-la, como se fosse sua.
A Roda de Cura prevê um tempo de novos ciclos, ou então, de movimento. Será solicitado a perceber em que estágio do ciclo se encontra neste momento. Será o início, a fase da criação, o tempo de crescer, o desenvolvimento ou o fim de um ciclo? A percepção clara e objetiva do seu momento de vida actual lhe ajudará a esclarecer tudo aquilo que precisa fazer de agora em diante. Qualquer tipo de recuo, hesitação ou paralisação passa a pertencer ao passado.
Através desta carta está a ser levado a se dar conta de que a estagnação acabou, e de que novos inícios criaram raízes no presente. Não se deixe conduzir por seus velhos padrões. Observe qual é a direção da Roda de Cura que o auxiliará em seu avanço e aplique logo essa lição à sua vida. As suas escolhas agora são as seguintes: a iluminação e o esclarecimento (Leste), fé e humildade (Sul), introspecção e objetivos (Oeste) ou sabedoria e gratidão (Norte). É hora de decidir por si mesmo que tipo de movimento o ajudará a manter a sua Roda a girar. Qualquer que seja o caso, a carta da Roda de Cura serve para lhe assegurar que a vida continua. A qualidade deste novo ciclo depende de si, das suas próprias ações e das atitudes que passa a tomar de agora em diante, tendo em vista o seu crescimento pessoal.  
4 A Cerimónia do Peiote
A Cerimónia do Peiote é um ritual sagrado entre os povos nativos americanos. Durante o rito,  o chá feito a partir do mescalito (espécie de cacto encontrado principalmente no México) é ingerido com  o  propósito de que se possa “perceber nossas aptidões e talentos, confrontar nossos temores, e caminhar em direção a tudo aquilo em que estamos nos transformando”
O pássaro do Peiote é o guardião desta cerimónia. “Este pássaro de cura sagrada mira-se no lago e observa o próprio reflexo dentro dele. O dom do auto-exame permite que o indivíduo enxergue os aspectos do seu ser que jazem abaixo da superfície da realidade físic e descubra novos universos de consciência. As inseguranças e os medos, que não costumam vir à tona devido à repressão, começam então a afluir, para serem trabalhados através da oração e do canto. O aspecto principal do ritual do Peiote é a religação ao Grande Mistério dentro da Cerimônia Sagrada”.
Se o Pássaro do Peiote acabou de sobrevoar o seu caminho, trazendo-lhe a carta da Cerimônia do Peiote, você esta sendo convidado a tomar consciência do seu próprio espírito imortal.Encontre abertura do Universo, para adquirir novos talentos que possam ajudá-lo a crescer. Afaste qualquer sentimento negativo que o está a impedir o desenvolver das suas novas habilidades e passe a utilizar os seus próprios talentos da maneira mais abrangente possível. A carta da Cerimônia do Peiote pode ajudá-lo a perceber que as oportunidades para expandir-se e alcançar o âmago do seu próprio Ser estão agora, mais do que nunca, a seu alcance.Novas oportunidades abrem-se à sua frente, e este é um bom momento para fazer aflorar todo o seu potencial criativo. Ao vencer a limitação criada pela sua própria mente, você passará a descobrir novas habilidades e perceberá que todos os objetivos poder ser alcançados. Lembre-se sempre: a decisão de atacar corajosamente os próprios medos representa o primeiro passo em direção ao caminho sagrado.
3 Busca de Visão
As Buscas da Visão constituem um instrumento utilizado por aqueles que procuram novas direções na vida. Sempre que alguém busca o silêncio de um coração equilibirado, o processo da intuição pode permitir que a verdade superior se manifeste. A verdade constitui o destino final do camino de qualquer peregrino. Quando a verdade é descoberta dentro do próprio Ser, já não há necessidade de procurar mais. Já que nós, os seres Duas-Pernas, estamos aqui para crescer e experimentar a Boa Estrada Vermelha, descobrimos que o caminho muda muitas vezes e pode incluir muitas mudanças de percepção. A visão criada a partir da verade representa o desejo do coração de Caminhar em Beleza. Se uma visão for criada pelo sentido da ambição, estará baseada em mentirar sobre a ordem natural da Criação. Uma visão do Caminho Sagrado é sempre clara e cristalina.
Todos os aspectos da vida e todos os estados de consciência se tornam acessíveis àqueles que buscam a serenidade do Silêncio. Não é necessário empregar a Busca da Visão caso esse equilíbrio natural já tiver sido alcançado dentro do próprio Ser. O propósito original da Busca da Visão era ajudar o caminhante a encontrar um meio de contatar esse estado do conhecimento interior para que a verade estivesse presente em cada momento da vida dessa pessoa. Aprender a Parar o Mundo à vontade é um talento qeu vai manifestar-se através do trabalho sobre os próprios níveis superiores de consciência. è quanto mais uma pessoa se sentir ligada à Mãe Terra e ao Grande Mistério, mais fácil se torna encontrar esse equilíbrio interno.

A carta da Busca da Visão fala de um momento de novas direções ou fortalecimento do caminho atual baseado na verdade pessoal. Muitas vezes, para encontrar esta Verdade é necessário Entrar no Silêncio e eliminar a confusão pessoal. Em outros casos torna-se realmente necessário partir para uma Busca da Visão.
Esta carta lhe diz que o curso de sua vida precisa ser esclarecido através da Visão. Agora é a hora de pedir ajuda aos seus Guias, e também aos Ancestrais, para que as decisões tomadas sejam respaldadas pela sua sabedoria e assistência. A chave reside na busca de respostas pessoais. A melhor maniera de encontrar a verade consiste em confiar plenamente em seus sentimentos, e acompanhá-los pela ação. Para conseguir isto, você deve eliminar a confusão e a dúvida, e depois passar a agir, permitindo que a sua própria verdade aflore. Não se esqueça que, quando você busca, está pedindo respostas; esteja preparado para aceitar e reconhecer a verade assim que ela surgir. O reconhecimento e a aceitação sempre preparam o caminho para o autoconhecimento.
 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016, ano da generosidade

Começo com uma alteração. Estava anunciada para o dia 3 de Janeiro uma cerimónia de fogo no Cromeleque. Por várias razões (às quais acrescenta a previsão de chuva para o fim de semana) a data é alterada para sábado, dia 23, quando celebramos a Lua Cheia.

O ano de 2016 começa com Mercúrio retrógrado, do dia 5 até ao dia 25. A experiência do Mercúrio retrógrado normalmente inclui um período de sombra e um período de tempestade. A primeira sombra podemos ter já sentido, uma sensação de estar desconectado, com dificuldades de contacto e comunicação. Podemos estar a questionar muita coisa, por exemplo a maneira em que estamos a funcionar nas organizações, nos grupos em que trabalhamos. Dúvidas sobre o que será o futuro, o que estará à nossa espera, sensações que as coisas não correm como desejadas. Turbulências em relações de amizade, meios de comunicação que se recusam trabalhar correctamente, uma sensação de revolta que ameaça explodir. E quando isso acontece no signo de Aquário, ainda mais revoltados podemos ficar, por Aquário ser o signo do serviço ao conjunto e à comunidade...
Mas antes disso ainda temos a Lua Nova, no dia 9 de Janeiro. Altura de estabelecer intenções e objectivos para o novo ano!

A Lua Nova estará em Capricórnio, signo dos objectivos e aspirações, o que é uma ajuda boa para focar nos planos. A focagem estará na direcção a tomar, que caminho escolher: o que nos moverá?
E talvez ainda mais importante do que isso: Capricórnio ajuda-nos a ser realistas acerca das nossas capacidades.
Lua Nova é a altura de plantar as sementes - no início de Janeiro podemos querer plantar sementes para o ano todo. Mas com cuidado, Mercúrio está retrogrado, e do que ele gosta é de mal-entendimentos que levam a ter que começar de novo. Por isso, talvez seja uma boa ideia de dar-nos uma segunda oportunidade com um sonho ou objectivo que não resultou à primeira.

Na Lua Cheia, dia 23 de Janeiro, a Lua estará em Leão, oposto ao Sol em Aquário. Leão é o signo da criatividade, da alegria de viver. A criatividade estará num ponto alto, com as emoções aumentadas pela luz da Lua e a inspiração alimentada pelos sentimentos. Podemos criar algo maravilhosamente positivo por altura desta Lua!
Diz-se que as palavras-chave do ano de 2016 incluem a partilha, da generosidade, a entre-ajuda. A Lua em Leão ajuda para nos sentirmos melhor connosco - enquanto o Sol em Aquário estimula para usar esta boa onda para fazer os outros sentirem-se igualmente bem. Podemos ser todos generosos!

Nada mais natural do que celebrar esta Lua com a cerimónia de Fogo, em que podemos libertar e transformar padrões antigos, para dar espaço a novas intenções!

O fogo, símbolo da Luz que está sempre connosco, é também um símbolo da força de transformação.
Elementos da cerimónia são a "confissão", quando escrevemos num papel aquilo que consideramos as padrões negativas que queremos libertar. Também pode haver uma transferência mental para um material combustível, um papel, um pau... Depois haverá uma meditação em que é dado espaço para tomar consciência que somos nós que precisamos de tomar as rédeas da nossa vida, que somos nós os responsáveis para a nossa energia e harmonia. E a primeira acção é lançar os padrões do passado para o fogo, para que se transformem em Luz, calor e cinzas férteis. Das cinzas da aprendizagem nasce uma nova vida...
Finalmente, lançamos também para o Fogo, agradecimentos para a Mãe Terra e os nossos desejos para o futuro. Sabemos que vivemos em interdependência com a Mãe Terra, como vivemos em interdependência com todos os seres humanos. A roda à volta do Fogo simboliza esta União.

Quem quiser pode trazer o seu tambor. Quem não tiver tambor, traga a sua presença e Luz interior.

Meditação da Lua Cheia - Cerimónia de Fogo
Sábado, 23 de Janeiro às 16.30h

Cromeleque dos Almendres, Guadalupe - Évora

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

actividades de Dezembro

Aqui estão as actividades de Dezembro!

Estamos quase a chegar à Lua Nova de dezembro, no dia 11. Uma Lua Nova é sempre um momento de passar por uma barreira, deixar o antigo para trás e iniciar algo de novo. É a altura ideal para fazer um "reboot" espiritual... e a Lua Nova (e Sol) em Sagitário anuncia que é a altura certa de abrir a mente e olhar para o futuro.
O signo de Sagitário tem como símbolo o arqueiro-cavalo, que aponta a seta para o céu. Simboliza a procura de uma integração perfeita de acções mundanas e aspirações nobres e elevadas. O Centauro que tem o seu olho numa aspiração mais alta, mais transcendentes, e é este alvo para onde está apontada a sua seta. Sagitário quer restabelecer a ligação entre o Eu Superior e o Explorador que há em nós, e as intenções que semeamos agora podem tornar-se numa viagem até a verdade do Coração. Sagitário é o signo da procura da Verdade mais profunda; ao mesmo tempo, é o signo do optimismo, do olhar para o futuro. Sob este signo podemos aceder às visões que nos podem orientar quando procuramos esperança para o futuro.
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Nesta Lua Nova vamos fazer um workshop virado para o futuro, que tem o intuito de plantar a semente da consciência e da plena atenção nos mais novos.

Workshop Meditação para Pais e Filhos
12 de Dezembro, das 10h às 11h30
Local: Largo Dr. Mário Chicó, 7 - Évora
Um workshop para descobrir como é fácil fazer meditação com crianças! Exercícios simples de meditação de atenção plena; um exercício de "limpeza energética" para libertar emoções e tensões, e uma visualização para estimular a criatividade e o auto-estima.
Na meditação as crianças encontram, dentro de si, um lugar seguro onde se podem retirar, onde podem encontrar a calma necessária para olhar de novo para situações difíceis. O workshop destina-se a pais que querem introduzir a meditação no dia-a-dia dos seus filhos e procuram inspiração. Os exercícios que vamos fazer podem ser facilmente reproduzidos em casa.
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A energia de Sagitário vai nos acompanhar até ao Solstício do Inverno, no dia 22 de Dezembro. Este período traz uma ênfase na
expansão e no crescimento, porque Sagitário procura a verdade universal e o sentido da vida. Nessa procura, precisa de liberdade e espaço para expansão da consciência. O período até ao Solstício e a Lua Cheia logo a seguir (25 de Dez) será um período não só de descobrir a verdade, será também de exprimir as verdades. E como isso faz sentir bem!
Caminhando para o dia mais curto e a noite mais longa do ano, há uma viragem natural para dentro, uma procura da verdade interior. Será como um "Vision quest" (busca da visão) para descobrir aquilo que faz realmente sentido.
Nesta altura,não só é importante de encontrar a verdade, como também é a expressão desta mesma verdade. Seguimos os conselhos de D. Miguel Ruiz, que diz "... encontra a coragem de fazer perguntas, e de exprimir o que realmente quer dizer. Comunique com outros de maneira mais clara possível, a fim de evitar mal-entendimentos, tristezas e dramas..." Altura de trabalhar o 5o chakra, para poder comunicar a nossa verdade de maneira mais harmoniosa possível.

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Saudação ao Nascer do Sol do Solstício de Inverno
Terça-feira, 22 de Dezembro, às 07h30h
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Fica aqui o convite para celebrar a roda do tempo e o início das noites escuras do inverno. Saudamos o Sol, convidamos para que nos ilumina o coração enquanto fazemos a introspecção...

A Lua Cheia em Caranguejo vai iluminar o tesouro escondido no centro do Coração de todos nós - a hora certa da Lua Cheia é 11h11m no dia 25 de Dezembro. Não podia se mais simbólico para o nascer de uma nova Luz neste mundo! É a Lua da família, das emoções, da vida privada... e este ano também é Lua de Natal ;)

Meditação e Cerimónia da Lua Cheia
Sexta feira, 25 de Dezembro, 17h30
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!

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Ao entrar no ano novo, é importante lembrar não só o que queremos alcançar, mas honrar igualmente tudo que já alcançamos. Uma altura ideal para fazer o inventário, ver o que já passou, o que já foi alcançado. Um momento ideal para olhar para trás e ver o que foi 2015. Sentir-nos bem, vendo o que somos capaz de fazer, pode ser aquele empurrãozinho que precisamos para avançar para 2016.
No primeiro fim de semana de 2016 vamos fazer uma cerimónia de fogo. O fogo, simbolo da Luz que está sempre connosco, é também um símbolo da força de transformação e transmutação.
Elementos da cerimónia são a "confissão", quando escrevemos num papel aquilo que consideramos as padrões negativas que queremos libertar. Também pode haver uma transferência mental para um material combustível, um papel, um pau... Depois haverá uma meditação em que é dado espaço para tomar consciência que somos nós que precisamos de tomar as rédeas da nossa vida, que somos nós os responsáveis para a nossa energia e harmonia. E a primeira acção é lançar os padrões do passado para o fogo, para que se transformem em Luz, calor e cinzas férteis. Das cinzas da aprendizagem nasce uma nova vida...
Finalmente, lançamos também para o Fogo, agradecimentos para a Mãe Terra e os nossos desejos para o futuro. Sabemos que vivemos em interdependência com a Mãe Terra, como vivemos em interdependência com todos os seres humanos. A roda à volta do Fogo simboliza esta União.

Quem quiser pode trazer o seu tambor. Quem não tiver tambor, traga a sua presença e Luz interior.

Cerimónia de Fogo
Domingo 3 de Janeiro às 16.30h
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe - Évora

sábado, 24 de outubro de 2015

Aceitar o momento, ou a viagem além do Ego

Os grandes mestres ensinam: "O momento de Agora é o único momento que existe."

Dão a entender que o passado e o futuro são feitos de pensamentos e conceitos, construidos pela mente... o que em si é razão suficiente para dizer que futuro ou passado não são "reais". Passado e futuro estão entre as orelhas. Se os mandar fora, o que resta? Algo a que chamamos Agora.

Uma ideia muito reconfortante, esta de não existir nada além do que aquilo que experimentamos no momento. O que há é a sensação do corpo, a situação em que este se encontra, e mais do que aquilo não existe realmente. Em constante mudança, todos os momentos do Agora são perfeitamente únicos e imprevisíveis.

Aceitar a ideia que não existe nada além do Agora, é um método eficaz para ir além do Ego - que é aquela parte da mente que se preocupa com o futuro e com o passado; que sofre de emoções e que trabalha com (pre-)conceitos.

Ao treinar a mente observar o momento e sentir o Agora, estamos a desenvolver uma ferramenta muito forte que nos pode ajudar lidar com o Ego. Quando começamos a limitar a experiência ao Agora, deixa de haver a necessidade de sentir culpa ou dúvidas acerca do passado. Também deixa de haver necessidade de alimentar ansiedades acerca do futuro.

O que é o Agora?

Encontro bastante pessoas que parecem ter dificuldade de se entregar ao Momento. Nas meditações, têm dificuldade em se relaxar, quando notam que a mente continua activa, distraíndo do Aqui-e-Agora, para puxar para acontecimentos do dia-a-dia. Por isso, parece ser útil reflectir um pouco acerca do "Agora". O que é o Agora e como nos relacionamos com este momento?

Em cada momento da existência, a mente vai criando (através do sistema nervosa e o cérebro) uma imagem daquilo que encontra no corpo e aquilo que lhe chega do ambiente através dos órgão sensoriais.

A sucessão das imagens criadas é tão rápida que parece existir um fluxo contínuo, sem que se toma consciência que afinal é uma sequência de imagens individuais. Comparamos com o cinema em que a ilusão de uma imagem contínua é criada pela passagem de 24 imagens por segundo. E também na nossa mente é disso que se trata: a ilusão de uma realidade contínua, que se desenrola separadamente do "eu" que observe.

Só que há aqui um pormenor importante: quem julga estar no filme/ilusão da realidade, é o Ego...não o "eu".

"Ego" acaba por ser uma ideia de um "eu" que existe separadamente daquilo que é observado no exterior. É o actor no filme. É o pensador - o corpo - o actor na ilusão de uma realidade continua.

É uma "entidade" com características únicas, tais como uma personalidade, um passado, competências e preferências, uma aparência e características físicas. É algo apegado à ilusão, às suas crenças e convicções e acredite que é realidade o que sente e pensa. Ego apega-se, procura estabilidade, acredita que há um status-quo que pode e deve ser mantido. Assim, também não tem espaço para experiências fora do enquadramento das suas crenças, da sua educação e cultura, acabando por ser preconceituoso, rejeitando o que é diferente do seu ideal.

O sofrimento do Ego

O Ego sofre, e acredita que é necessário impor condições para que não haja mais sofrimento. Acredita que a maneira mais certa de viver sem sofrimento, é seguir normas e aceitar verdades vindo da sociedade em que vive. Basicamente, quer seguir regras de vida para que a vida seja vivida como deve ser. Se olharmos à nossa volta, vemos que isso acontece em muitas formas: pessoas que pensam que não são suficientemente bons; pessoas que pensam que precisam de crescer e aprender para poder ser feliz; pessoas que tem um baixo auto-estima e amor-próprio, e procuram aprovação vindo do exterior

Mas paradoxalmente, a procura para viver de maneira certa, é uma negação de si próprio, porque o "eu" é muito mais do que o ego alguma vez imaginou que podia ser.

O momento de viragem acontece quando perdemos o norte, quando sentimos que não temos rumo. Quando há um pressentimento que não estamos a viver a Verdade.

Mas que Verdade? A única instância em nós que tem experiência de uma realidade, ou verdade, é o Ego. Também é a única instância em nós que tem noção de uma não-verdade.... é o Ego. Porque o Ego aprendeu não só ter em consideração o que pode acontecer no futuro, como também se habituou considerar verdade ou realidade o que aconteceu no passado.

São crenças que impedem ver as possibilidades infinitas do Agora. Podemos até afirmar que para o Ego é impossível ver no Agora outras coisas do que aquilo que aprendeu. E mais ainda: o Ego procura manter a sua posição, agarra-se às suas crenças...

É bastante curioso como tudo isso funciona. Sabemos que o conjunto das nossas crenças, características pessoais e personalidade é único e irrepetível. Sería absurdo considerar as experiências de alguém como verdade - não podemos saber o que é a experiência desta pessoa. Mas achamos que sim, que entendemos a experiência de alguém, e se esta não está em conformidade com as nossas próprias crenças, somos capazes de as rejeitar. Somos capazes de "negar" as experiências de outros, de não acreditar numa verdade diferente da nossa. O que resulta numa espécie de desumanização do outro, por assim dizer.

Por muito "iluminados" que somos, este é uma armadilha que está sempre à espera que caímos. Em que verdades acredita? Que imagem, que conceito tem de si, dos seus valores, das suas normas, das suas verdades?

O Ego está sempre a tentar manter as suas crenças vivas - até haver uma consciencialização que todas as percepções não são mais do que isso mesmo: são imagens percepcionadas. O único constante, a única verdade nesta equação é o observador: a Consciência.

O Caminho para o Eu, além do Ego 

No nosso caminho para a Verdade Interior, o processo de desapego ajuda libertar-nos da ilusão, e ajuda-nos a entender que objectivamente não há uma verdade ou não verdade. Vamos observando os nossos pensamentos, reacções, comportamentos e apercebendo que não há verdade ou não verdade neles, até poder aceitar a situação e sentir tranquilidade com cada uma destas percepções. Fazendo isso, gradualmente vamos recebendo a resposta à questão: Quem sou Eu?

 Estamos a falar sobre o processo de aceitação da nossa vida, a aceitação de quem somos. Importa não confundir aceitação com resignação - a aceitação liberta a carga emocional de uma memória ou situação, enquanto a resignação significa aceitar ter que carregar com a carga emocional.
Uma vez chegado à aceitação, podemos sentir gratidão: aquilo que aceitamos, faz parte de quem somos. E ser quem Somos é o que queremos. Só por isso já vale sentir gratidão por tudo que nos aconteceu.

Quando estamos no caminho da descoberta quem Somos, o Ego aprende observar e perceber que não há "verdade" na percepção. Não vale a pena julgar o que encontramos - nem sequer quando observamos algo desagradável. Tudo é tão "verdade" como é "não-verdade"... Podemos treinar a mente de pensar, cada vez que observe algo desagradável (como frustração, indignação, ira ou fúria, tristeza, solidão....) que não há "verdade" naquilo que observe. Mais ainda, podemos treinar a mente de sentir gratidão - porque no fundo, tudo que acontece é algo que te ajuda ser quem És.
É claro que no início pode parecer uma gratidão falsa - por ser criada de propósito. Mas gradualmente vai poder notar que assim o poder das emoções negativas, desaparece. Vai poder viver a sua vida, em vez de se sentir sujeito às más ondas.
O Caminho da Alma não é só um caminho de entender com a cabeça, é um caminho de aprender através da experiência. Basta começar a aplicar! Dizer "ah mas é tudo tão difícil" ou "estou ainda no início" são julgamentos a partir de uma ideia préfabricada que há uma norma ideal. Pensar "vou tentando, ainda não consigo" também é um pensamento vindo do Ego, que anseia fazer aquilo que é certo. Mas não, não há uma verdade única ou situação ideal que é preciso atingir. Existe somente o Momento em que estamos Agora.


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