Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Lua Cheia em Virgem, Sol em Peixes: A viagem chega ao seu destino

Uma outra designação do Zodíaco é "a Roda da Vida". Podemos olhar para os signos e perceber o significado de cada um. Indo para um nível mais profundo podemos ainda perceber a relação entre os signos e com os acontecimentos e experiências da nossa vida. Descobrindo estas relações podemos descobrir o como e porquê do caminho da nossa Alma.

É a Alma que se conecte com a matéria, que "encarna". É a Alma que habita o corpo físico para poder ganhar experiência na dimensão da dualidade. É a Alma, que através dos processos do corpo emocional, aprende o caminho de volta para a União com a dimensão espiritual, com o Grande Espírito.
Quando a Alma se una a um corpo humano, no processo do nascimento da criança, começa um aprisionamento temporário. A Alma vai ser acorrentada à matéria do corpo. No decorrer do tempo da vida da forma física vai se desenrolar um processo de desapego. Gradualmente, a Luz da Alma vai entrando nos sistemas e iluminando a vida. A matéria perde a sua força de atracção e o Ser Humano vira-se para assuntos mais espirituais. Eventualmente, o processo de libertação leva a uma transformação profunda: a personalidade "morre". A Alma deixa de precisar experiências emocionais e pode voltar para o Uno, de onde veio e de onde partirá para outra aventura.


A Roda da Vida, representada no céu pelos 12 signos, simboliza o Caminho da Alma na Terra. Este caminho leva-nos à revelação da dimensão divina do Ser Humano. A energia celeste, simbolizada pelos signos, vai empurrando a personalidade e o ego do Ser Humano, enriquecendo-o com experiências, entendimento, amor e bondade, sabedoria e compaixão,  até este chegar ao seu destino: a União da Alma com o corpo - ou se quiser, a espiritualização da forma.
O nosso destino é a libertação, que acontece quando a Essência Vital (a nossa consciência) deixa de sentir a forma (o corpo físico e o corpo emocional) como sendo uma limitação.

Peixes é o último signo desta Roda da Vida, e a sua energia promove a libertação. Todos os anos somos lembrados pelo signo de Peixes que precisamos de nos libertar. Todos os anos somos convidados a desapegar de desejos, coisas, pensamentos, hábitos, relações, para que possamos transformar mais uma faceta da nossa personalidade e do nosso ego.

(fonte)
O símbolo de Peixes é formado por dois peixes que estão unidos por uma fita. Um dos peixes representa a Alma, o outro represente a personalidade ou forma. A fita entre eles é a ligação que os una enquanto o ciclo de incarnações dura. A forma/personalidade e a alma aprisionam-se mutuamente, mas também se libertam mutuamente.


Assim podemos perceber que a energia de Peixes, acaba por tornar mais súbtil  e menos densa, a energia da matéria. A sensibilidade inata do ser humano é estimulado, e torna-o mais aberto para impressões vindo de outras consciências e outras presenças. Estimula a mediunidade, como estimula igualmente o calor humano e a compaixão necessário para a libertação do eu e do outro.

Esta Lua Cheia é a última no "ano espiritual". É o fim de um ciclo que recomeçará quando entramos no signo de Carneiro.

Este mês vamos fazer a meditação da Lua Cheia no dia 5, na sala de meditação em Évora, e
sexta-feira, 6 de Março, às 19.30h
no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.

Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A dedicação e a disciplina fazem parte do caminho

A Lua Cheia é sempre bela e forte
Às vezes surge a pergunta: mas como sei que vai haver ou não meditação da Lua Cheia, se o tempo estiver mal? A resposta é fácil: a meditação da Lua Cheia realiza-se à hora que foi anunciada, faça chuva ou faça sol.
Já escrevi aqui acerca da importância dos rituais (click para ver post) e também sobre como os nossos rituais pessoais possam ser vistos na luz da tradição (click para ver post).
No caso das meditações de Lua Cheia no Cromeleque há ainda um outro elemento, que me leva a ir vez após vez ao Cromeleque - o compromisso que assumi de manter viva a tradição de marcar os ciclos da Natureza no sítio do Cromeleque, este monumento ao tempo e ao Universo. O círculo das pedras guarda a memória dos povos que sentiram a necessidade de marcar os ciclos anuais para poder orientar a sua existência. Assim, o Cromeleque é, ainda hoje, uma homenagem à procura do Ser Humano do seu lugar no Universo. Celebrar os ciclos, presencialmente, com intenções, palavras e gestos, mantém vivo e re-afirma que estamos conscientes que precisamos, agora como outrora, de nos conectar com o "grande conjunto". O Ser Humano não mudou tanto quanto a sociedade possa querer que acreditamos. Precisamos de marcas, faróis, guias para nos orientarmos.

Celebrando os ciclos nos lugares onde os nossos antepassados celebraram igualmente a sua ligação à Natureza, seguimos a tradição e juntamos à consciência colectiva. Juntamos a nossa à energia que foi criada por todas as mentes que já rezaram no mesmo sítio (ler mais) . Manter a energia viva, dedicando o nosso coração e meditando no espaço onde tantos outros já meditaram, é assim um serviço para o Bem Comum. Os rituais e cerimónias ligados à Natureza servem um propósito maior!
Para todos que participam nestas meditações, há naturalmente também algo pessoal - tudo o que se faz para o Bem Comum, acaba por ser construtivo e positivo para o individuo. Para além deste retorno natural e automático, há o aproveitamento imediato da energia harmoniosa do lugar... Mas talvez não seja este o "ganho" maior.
O simples facto de ir, de dedicarmos um pouco do nosso tempo e esforço, de comprometermos com algo, e consequentemente a disciplina que precisamos para mantermos ligados aos ciclos, torna-se um contributo muito importante para o caminho espiritual.
O próprio ritual acaba por ser uma preparação e um treino para a mente ter mais facilidade de se entregar. A mente é treinada para aceitar que pertence à União, ao Aqui e Agora, em vez de seguir a sua tendência natural de se centrar no ego e de se separar no tempo.

E isso é de facto uma libertação! A mente começa a se habituar que não existe para girar a volta de si própria, mas sim para perceber o seu lugar no conjunto. Assim pode entregar-se e aceitar a União que existe e perceber que só existe o Eterno Agora. Nesta entrega, a consciência pode realmente juntar-se à Consciência Universal, onde tudo tem um lugar próprio, onde tudo tem uma função, onde tudo é preciso para todo o resto poder funcionar. As limitações, restrições e apertos do dia-a-dia perdem as proporções inflacionadas pelo ego.
Na entrega ao Eterno Agora, a distinção entre o Bom e o Mal perde importância: há energia harmoniosa ou desharmoniosa, e fluímos constantemente entre os dois polos. Nada é estática, tudo muda, continuamente. Não existe algo como "dependência" mas sim "interdependência" - há igualdade, mesmo quando o nosso ego quer fazer-nos crer que as circunstâncias exteriores dominam a nossa vida. Na interdependência somos co-criadores da realidade, participantes activos. Somos a vida - todos juntos.
Os rituais treinam a mente, ajudam a criar condições para que o ego aceita fazer um passo para trás para a energia universal poder entrar. Para isso é preciso disciplina, dedicação, e algum esforço... caminhar é assim mesmo.

A celebração dos ciclos da natureza é um ritual antigo, mas o que funciona para uns, pode não funcionar para outros. Há quem faça peregrinações; há quem faça prosternações. Há quem vai à missa; há quem se disciplina com yoga ou tai-chi. Cada um vai criando os seus próprios rituais. Quem já encontro a sua maneira sabe, que o método não é o mais importante - o mais importante é o caminhar em si. Não caminhamos para a felicidade - a felicidade é o caminho.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Lua Cheia em Leão, Sol em Aquário: uma lua de celebração!

Todas as Luas Cheias são alturas em que a consciência está mais aberta, alturas em que os sonhos e emoções parecem tomar conta do mundo real. Esta noite, a Lua Cheia está em Leão, indicando que as emoções do coração estão no centro. Amor está no ar! Com o Sol em Aquario, o signo do serviço à comunidade, o tema desta Lua Cheia é o equilibrio entre o amor individual, da nossa vida pessoal, e o amor humanitario.

Passamos, ano após ano, vida após vida, vezes sem conta, pelo ciclo do Zodíaco . Os seus 12 signos representam aspectos do crescimento espiritual e as experiências da alma do Ser Humano. Temos - mesmos não tendo memorias vivas disso - experiência com as energias dos signos, e reconhecemos a sua influência na nossa vida. São como sinais no nosso caminho, levaram-nos até onde estamos agora.
Mas os tempos que vivemos agora, são diferentes do passado, e as forças e energias de Aquário e Leão estão em transformação profunda - como podemos ver nas transformações tanto na consciência individual e como na consciência colectiva.

Tudo o que não é livre, todos que não vivem a partir do seu verdadeiro Eu, que não vivem a sua unicidade, todos que esqueceram de basear a sua acção na integridade e justiça, vivem tempos de sofrimento e grande pressão. É uma arena, de onde sai vitorioso o ser humano da Era do Aquário. Simbolizado pelo "homem que carregue uma bilha de água", é um ser humano consciente de si, que traz a "água da vida" que flui naturalmente, para si proprio e servindo a comunidade em que está inserido.

Na práctica, isto pode significar que finalmente permitimos viver a verdade que somos a essência da nossa vida - o nosso desenvolvimento interior, a relação que temos com o Ser que somos. Assim podemos irradiar, naturalmente, sem querer controlar seja o que for, sem querer ser diferente, sem desejo de poder e sem medo. Tal e qual Aquário, símbolo por excelência da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.


A Lua Cheia em Leão é fenomenal, cheia de energia positiva. Uma Lua de celebração, um prémio energético para o trabalho interior árduo e intenso que passamos nos últimos mêses. A Lua Cheia é acerca de colher o que semeamos, por isso, vale a pena lembrar onde estivemos na última Lua Nova, por volta do dia 20 de Janeiro e connectar os pontos para ter uma linha.

Meditação da Lua Cheia
3a feira, 3 de Fevereiro, a partir das 17.45h no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Trabalhar os chakras para alcançar o desapego

Encontrei este texto entre os rascunhos... como sempre, as coisas aparecem no momento certo. Deve ter sido altura para olhar novamente para estes pensamentos e ver se trazem um novo olhar, um novo "insight". O tema do desapego tem sido recorrente; neste texto um olhar sobre o processo de desapego visto em ligação ao funcionamento dos chakras.

Nas sessões de meditação de grupo, fazemos com alguma regularidade uma limpeza dos chakras. Por vezes recorrendo à visualização de cores, por vezes activamos os chakras com sons ou afirmações.
Os diferentes métodos purificam e alinham em diferentes níveis energéticos, emocionais e de consciência. Uma maneira talvez menos utilizada mas muito profunda, é a que recorre a uma tomada de consciência daquilo que obscurece o nosso corpo emocional. Neste exercício, em vez de utilizar visualizações e vocalizações para promover o bom funcionamento dos diversos chakras, investigamos situações específicas que dificultam o fluir dos chakras.

Os chakras são como portais energéticos, que quando funcionam bem, permitem a entrada de frequências específicas para o nosso desenvolvimento harmonioso. Aspectos como a capacidade de sobrevivência; a capacidade de sentir prazer; a força de vontade; a capacidade de dar e receber amor ou de falar e ouvir a verdade; a capacidade de ver além das aparências  e de manter uma ligação com o Universo, encontram-se associados aos vários chakras.
Mas sabemos como funciona a Vida: há sempre o outro lado da medalha. Cada chakra tem também associadas emoções que contrariam o fluxo energético do chakra.

Ao longo da vida, armazenamos e guardamos no corpo memórias específicas dos acontecimentos pelo que passamos e das consequências dos mesmos. O corpo acaba por ter/ser um registo da aprendizagem-ao-longo-da-vida. Quando deparamos com situações semelhantes a algo que aconteceu no passado, a mente reage para poder dar resposta, e vai à procura do registo. Na verdade, o que acontece é a activação de um mecanismo físico e quimico: a mente vai recriando as emoções que na altura foram sentidos e que deixaram marca.
Quando estamos conscientes destas memórias, isto é, quando estamos despertos para observar de maneira neutra o que se passa na mente e no corpo, podemos fazer um trabalho de libertação e transformação.
Com as memorias celulares acaba por ser mais difícil, porque fazem parte do subconsciente. Muitas vezes não sabemos a origem ou a razão de ser dos nossos medos, ansiedades, sentimentos de culpa. Muitas vezes também não nos apercebemos que são estas emoções, guardadas no subconsciente, que formam o pano de fundo e a motivação das nossas acções e palavras...

© Carol Cavalaris
Uma possível via de acesso às memorias celulares passa pela meditação. Numa atitude de observação sem julgamento, meditamos sobre a emoção associada ao chakra, até sentirmos o modo em que a mesma emoção existe no nosso corpo. Em seguida, reconhecemos a sua existência e procuramos aceitar, sem julgamento, que temos um passado.

Esta aceitação é fundamental, é a base do amor-próprio. Se conseguimos aceitar o nosso passado e toda a sua influência no nosso desenvolvimento, podemos superar a tendência de julgar-nos. O que nos aconteceu, não é bom ou mau em si. Aconteceu. E agora podemos escolher não carregar mais o peso da emoção bloqueada. Podemos desapegar-nos dos traumas emocionais associados ao nosso passado. Uma respiração direccionada apoia em seguida a libertação da energia obstrutiva.
Passando pelo corpo, deixando que a nossa atenção plena paira sobre os chakras, um a um, podemos fazer um inventário das emoções contidas no corpo emocional: vislumbramos o medo, a culpa, a vergonha, o luto, as mentiras, as ilusões. Trabalhando de baixo para cima, começamos na raíz e culminamos na coroa.

O chakra da coroa é o portal principal para a energia do Universo entrar nos nossos sistemas. Quando funcione bem, dá acesso ao entendimento acerca da verdadeira natureza do Ser. Dá acesso à consciência cósmica, e à toda a sabedoria acumulada no universo.
Pela sua natureza de acesso à União com o Todo-que-É, o funcionamento do chakra da coroa é contrariado pela existência do apego.

O apego é uma tendência comum, que ao tudo indica, ocorre naturalmente no ser humano.
Ao nível espiritual a palavra representa a sensação que não podemos viver sem aquela pessoa ou aquela coisa a que estamos apegados.  Atrás desta sensação está o medo: medo de ser rejeitado, medo de perder o controlo, medo da morte, medo da insegurança. Aquilo que conhecemos oferece segurança, mesmo quando estamos cientes que é uma segurança imaginada. Podemos ter apego às coisas, à uma pessoa, um relacionamento, ao passado - mas também aos conceitos, ideias, crenças e à nossa auto-imagem. E podemos ter apego às nossas emoções.

O que acontece à nossa energia quando temos apego, quando nos agarramos a algo para assegurar a nossa felicidade? Como o apego é causado por uma sensação de vazio interior, pensamos poder resolver isso agarrando-nos. Como consequência absorvemos a energia do objecto do nosso apego. Tornamos menos "nós mesmos", dando espaço a energia alheia.  E o objectivo, a felicidade, fica mais longe: o vazio interior fica ainda mais enfatizado.

A segunda das quatro "Nobre Verdades", formulado pelo Buda, diz: A fonte de sofrimento é o desejo. O desejo de ser alguém, de ter algo, de sentir, de ter segurança. Tudo isso leva-nos para além da nossa verdadeira natureza do Ser, leva-nos para fora de nós. O desejo nasce da ilusão que é do exterior que vem a felicidade, dando origem ao apego....

Quando fazemos a limpeza dos chakras de modo acima descrita, vamos desapegando progressivamente das emoções e padrões comportamentais a que estamos apegados: em primeiro lugar o medo, que é a base de todo o apego... depois a culpa, a vergonha, a tristeza, as mentiras, as ilusões e crenças. Ao chegar ao portal do chakra da coroa podemos investigar o que nos resta dos apegos ao mundo terreno. Existe ainda apego a algo ou alguém? Enquanto houver ainda uma parte da mente que acredita que a felicidade só pode acontecer se as condições exteriores (ou a presença ou aprovação de alguém) estão asseguradas, o portal de acesso à União com o Tudo-que-É só se abrrirá parcialmente. Na medida que começamos a entender verdadeiramente o que é o desapego, a porta começa a abrir-se, para termos contacto pleno com a consciência alargada, a consciência cósmica.
E quando isso acontece, sabemos porque é que se diz que a verdadeira felicidade vem de dentro.


 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A paz começa quando tornamos amigos de nós proprios

“Quando começamos com a prática de meditação, ou iniciamos uma outra forma de prática espiritual, pode acontecer pensarmos que assim vamos ser pessoas melhores. Este pensamento é uma agressão subtil contra quem somos de verdade. É parecido com o pensamento: se fazer exercício físico, vou me tornar alguém melhor. Ou se tiver uma casa mais bonita, serei alguém melhor.
Mas o amor e bondade (Maitri, em sânscrito) em relação a nós próprios não significa que temos de nos libertar de algo. Maitri significa que ainda podemos ser doidos, ou zangados. Podemos continuar a ser tímidos, ou invejosos, ou estar cheios de sentimentos de inferioridade.
Meditação não visa libertar-nos de nós para nos tornar uma pessoa melhor. Visa criar uma amizade com quem já somos.” (Pema Chodron, em: Comfortable with Uncertainty).

Para a maioria das pessoas que lêem este texto, a citação até pode parecer um remate para uma baliza aberta: Sim, claro, em vez de tentarmos modificar-nos devemos tentar ser quem somos, igual a nós mesmos…
Mas “ser quem somos” é muito mais fácil dizer do que fazer. Se olharmos para a nossa prática de meditação, podemos verificar isso. Ao sentarmos para a meditação, quantas vezes não acontece trazermos uma expectativa? Sentamos, esperando que podemos acalmar a mente. Esperamos que desta vez os pensamentos vão deixar de tombar como cartas de um baralho que se desfaz sem haver maneira de os parar de cair. E quantas vezes opinamos sobre uma meditação, achando a “boa” ou “má”, conforme a medida em que respondeu às expectativas.

As mesmas expectativas, segundo as palavras de Pema Chodron, que em si são uma agressão subtil contra quem tu és.


Como toda a gente, também eu tenho experiência com a auto-agressão… acontece-me em particular quando começo a escrever. Sei o que gosto e não gosto, sei o que considero um bom texto e o que não. E quando começo a escrever, pode acontecer que “alguém” se põe atrás de mim, julgando e opinando sobre o que vou escrevendo – e volta e meio oiço: Estás a fazer isto mal, isto está errado. Se teria sido uma pessoa real a falar, teria respondido que não era da sua conta, que me deixasse fazer à minha maneira. Mas esta vozinha que surge do meu próprio ego, pode dizer o que quer.
Nestas alturas lembro-me das palavras de Pema Chodron, que devem ser tomadas literalmente, não só na meditação mas igualmente no dia-a-dia.

Quem tiver filhos, sabe que há um amor muito especial que temos com os nossos filhos. Um amor incondicional. Amamos sempre os nossos filhos, mesmo se eles fizeram algo estupido, ou quando têm medo de falhar, ou quando estão zangados, ou têm inveja ou ciúmes. Nem sequer os amamos menos por terem emoções complicadas. Curiosamente, trabalhamos com medidas diferentes quando é sobre nós. Amamos menos a nós mesmos quando temos medo de falhar ou quando temos ciúmes, porque achamos que não devíamos ser assim, e devíamos livrar-nos desta maneira de ser.
Infelizmente, a auto-critica é contraproducente: parece ter como resultado que rejeitamos aquela pessoa que somos, fazendo com que não conseguimos mudar.
Seria muito melhor sermos amigos de quem somos. Amar-nos incondicionalmente, o que significa poder ser tímidos, inseguros, parvos, ciumentos, seja o que for. Seria uma atitude mais construtiva, como podemos verificar nos nossos filhos: quando eles sentem que os aceitamos, começam olhar para os seus actos e sentimentos, começam a se entender, e compreender como mudar o seu olhar sobre a vida para terem uma vida mais feliz.

Amar incondicionalmente a quem somos seria uma solução para muito sofrimento. A gentileza para connosco podia significar inclusivo mais bondade entre as pessoas. Muitas vezes, as pessoas que criticam outras não estão contente consigo mesmo. Deste modo, se conseguíssemos praticar o amor e bondade interior, a necessidade de agredir o outro também pode desaparecer.

O que começa como uma auto-agressão subtil, pode tornar-se numa atitude agressiva perante o outro. Parece um lugar-comum, mas também parece ser inteiramente verdade. A paz começa com gentileza, bondade, amor e paciência para com quem tu és.
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