Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Amor, compaixão, alegria e equanimidade são a própria natureza Buda

Quando procuramos um caminho para a Paz, num dado momento vamos encontrar o conceito de Amor Incondicional. O termo é conhecido, talvez mesmo compreensivel com o intelecto. No entanto, viver o amor incondicional é mais complicado. Transcrevo aqui alguns textos, que espero poderem ser uma inspiração para reflectir e meditar sobre o conceito e sobre o lugar do amor incondicional nas nossas vidas.

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O Buda deu este ensinamento ao seu filho Rahula:
"Rahula, pratica amor e bondade, para superar a raiva. A bondade tem a capacidade de trazer felicidade para os outros, sem exigir nada em troca. 
Pratica a compaixão, para superar a crueldade. A compaixão tem a capacidade de remover o sofrimento dos outros, sem esperar nada em troca.
  
Pratica a alegria altruísta, para vencer o ódio. Alegria altruísta surge quando se é alegra pela felicidade dos outros e se deseja aos  bem-estar e sucesso.
Prática o não-apego, para superar o preconceito. Desapego é a forma de olhar para todas as coisas abertamente e de forma igual. Isto é porque isto é. O eu e os outros não estão separados. Não rejeita uma coisa para perseguir o outro.

Chamo estes os quatro imensuráveis​​. Pratica-as e se tornará uma fonte refrescante de vitalidade e felicidade para os outros."
(Mahā Rāhulovada Suttanta)

Transcrevo as palavras de Thich Nhat Hanh acerca dos aspectos do verdadeiro amor:

"Amor, compaixão, alegria e equanimidade são a própria natureza Buda. São os quatro aspectos do verdadeiro amor dentro de nós, dentro das outras pessoas, e na verdade dentro de todas as coisas.

O primeiro aspecto do verdadeiro amor é Maitri, a intenção e capacidade de proporcionar alegria e felicidade. Para desenvolver essa capacidade, temos que praticar o enxergar e o ouvir em profundidade, para saber o que devemos fazer e não fazer para poder proporcionar felicidade aos outros.

Sem compreensão, o amor não é amor verdadeiro. É preciso observar em profundidade para poder enxergar e compreender as necessidades e aspirações, bem como o sofrimento daqueles que amamos. Nós todos precisamos de amor. Amor nos proporciona alegria e bem-estar. É natural como o ar que respiramos. Somos amados pelo ar, por isso precisamos de ar para ser felizes e nos sentir bem. Também somos amados pelas árvores, por isso necessitamos das árvores para nos manter saudáveis. Entretanto, para ser amados temos que amar, o que significa que precisamos compreender. Para que nosso amor possa se desenvolver, temos que escolher a acção ou a não-acção adequadas, de forma a proteger o ar, as árvores e aqueles que amamos.

"Amor" é uma linda palavra; seu verdadeiro sentido deveria ser restaurado. A palavra maitri tem o mesmo radical que a palavra mitra, que significa Amigo. No budismo, o sentido fundamental do amor é a Amizade. Todos nós temos dentro de nós as sementes do amor. Podemos desenvolver essa fonte maravilhosa de energia, nutrindo o amor incondicional, aquele que não espera nada em troca.

O segundo aspecto do verdadeiro amor é karuna, a intenção e a capacidade de soltar e transformar o sofrimento, aliviando a tristeza. Karuna é geralmente traduzida como "compaixão", mas isso não é totalmente correto. "Compaixão" é uma palavra composta de com ("junto com") e paixão ("sofrimento"). Mas nós não precisamos sofrer para remover o sofrimento de uma outra pessoa. Os médicos, por exemplo, são capazes de aliviar o sofrimento de seus pacientes sem passarem eles mesmos pela doença. Se sofrermos demasiado seremos esmagados, tornando-nos incapazes de ajudar seja quem for. Mesmo assim, até encontrar uma palavra melhor, usaremos "compaixão" como tradução para karuna.

Precisamos ter consciência do sofrimento que existe no mundo, mas sem perder nossa clareza, nossa calma e nossa força, para que possamos ajudar a transformar as situações. Um oceano de lágrimas não nos afogará desde que haja karuna. É por isso que o sorriso do Buda é possível.

O terceiro elemento que é parte do amor é mudita, a alegria. O verdadeiro amor sempre proporciona alegria, para nós e para as pessoas que amamos. Se nosso amor não trouxer alegria, não será um verdadeiro amor.

Drishta dharma sukha viharin significa "estar feliz no momento presente". Não nos lançamos ao futuro, porque sabemos que tudo o que importa está aqui, agora.

O quarto elemento do verdadeiro amor é upeksha, que significa equanimidade, desapego, não-discriminação, serenidade mental, ou a capacidade para deixar as coisas seguirem. Upa quer dizer "acima" e iksh significa "olhar". Você sobe uma montanha para poder olhar de cima, para a situação como um todo, sem se limitar a um lado ou a outro. Se o amor contiver apego, discriminação, preconceito ou desejo, não será um amor verdadeiro. As pessoas que não conhecem o budismo pensam que upeksha significa indiferença, mas a verdadeira equanimidade não é fria nem indiferente. Upeksha não significa que você ama, mas que ama de tal maneira que todos recebem amor, sem discriminação.

Upeksha traz a marca chamada samatajnana, "a sabedoria da igualdade", a capacidade de ver todos como iguais, de não discriminar entre o "eu" e os outros. Abandonamos toda a discriminação e o preconceito, removendo as barreiras entre nós e os outros. Enquanto enxergarmos a nós mesmos como aquele que ama, e o outro como aquele que é amado, enquanto dermos mais valor a nós mesmos do que aos outros, e nos considerarmos diferentes dos outros, não teremos atingido a verdadeira equanimidade. Temos que aprender a nos colocar no lugar da outra pessoa, tornando-nos unos com essa pessoa, se quisermos realmente compreender e amar o outro. Quando isso acontece, deixam de existir o "eu" e o "outro".

Sem upeksha, o amor se torna possessivo. Uma brisa de verão talvez seja refrescante, mas se tentarmos enlatar a brisa para tê-la ao nosso dispor, a brisa morrerá. Com as pessoas que amamos acontece a mesma coisa. A pessoa amada é como uma nuvem, uma brisa ou uma flor. Se você aprisioná-la em uma lata ela morrerá. Entretanto, muitas pessoas fazem exatamente isto. Tiram a liberdade de seus seres amados até o ponto onde a outra pessoa não consegue mais ser ela mesma. Vivem para satisfazer seus próprios desejos, usando o ser amado para ajudá-los a fazer isso. Isso não é amar, é destruir. Você diz que ama a pessoa, mas se não tentar entender seus anseios, necessidades e dificuldades, a pessoa viverá em uma prisão chamada de amor. O verdadeiro amor preserva a liberdade, e é isso que é upeksha.

Para que o amor seja verdadeiro, precisa conter compaixão, alegria e equanimidade. Para que a compaixão seja verdadeira, deve conter alegria, amor e equanimidade. Da mesma forma, a verdadeira equanimidade precisa conter amor, compaixão e alegria. Essa é a natureza interdependente dos Quatro Pensamentos Imensuráveis.

Mas é preciso que tenhamos a disciplina de contemplar tudo isso e praticar por nós mesmos os quatro aspectos do amor, trazendo o ensinamento para nossas próprias vidas e para as vidas daqueles que amamos."

terça-feira, 24 de julho de 2018

Eclipse Lunar em Aquário, Sol em Leão: novamente a questão do amor incondicional...

Na noite de 27 de Julho vamos poder ver a Lua nascer em pleno eclipse lunar. Será uma Lua aparentemente pequena, por estar no ponto mais distante do seu trajectorio. De cor alaranjada-vermelha, será assim uma "Micra Lua de Sangue".  Por sua vez, a duração do eclipse é particularmente longo, e já foi entitulado como o eclipse mais longo do século! 
Quando a Lua nascer, às 20.39h, o eclipse já estará em curso. Chegará ao seu máximo às 21.21h, ficando a Lua eclipsada até às 22.13h. Somente depois da meia noite a Lua estará de volta ao seu brilho habitual.

É uma Lua que surge num período de abundância. Os frutos da Terra estão a amadurecer e é hora de agradecer os dons e as riquezas que a Natureza partilha connosco. É um momento de reflectir sobre a colheita que fazemos na vida pessoal: os esforços deram fruto? Onde é preciso adaptação, que comportamentos resultam e quais não? É de libertar padrões de desarmonia e de estabelecer intenções para mudanças ou compromissos novos.

A Lua estará em Aquário, e o Sol em Leão, trazendo o tema do Amor Universal vs. o Ego. Amor Universal é um amor por todos e por tudo - sem excepção. O Amor egocêntrico é diferente. Podemos  viver amores em que levamos tudo pessoalmente, recorrendo a estratégias de defesa e de ataque. No outro lado do espectro podemos ter compaixão e mesmo sentimentos de amor pelos outros, mesmo quando provocam situações desagradáveis. É fácil amar alguém que é carinhoso e descomplicado, porque o nosso ego acaba por ser lisonjeado e aumentado. Uma questão completamente diferente é amar pessoas antipáticos, os nossos oponentes, ou mesmo inimigos, pela simples razão que fazem parte do Universo e do Tudo-que-É. (ver post anterior).

Vamos poder assistir a um eclipse lunar total. Faz parte de uma série de eclipses em Leão-Aquário, que se vai estender até 21 de Janeiro de 2019, quando haverá um eclipse lunar total em 0 graus de Leão. Será a conclusão de um ciclo de dois anos e meio.
O tema deste ciclo é mesmo o equilíbrio entre o amor incondicional e universal e o ego.
Aquário é o humanitário do zodíaco, pois representa grupos sociais, equipes e tribos. Aquário sabe que o propósito da vida é descobrir como servir o Conjunto. Com a Lua em Aquário, as reações tendem a ser mais lógicas do que emocionais.

Por outro lado o Sol em Leão despertará a criatividade individual e a vontade de nos expressar como indivíduos. Mas do que serve a expressão individual e o sublinhar do nosso ego? Sabemos que o caminho da Alma é um trilhar de volta para a consciencia universal, que é o saber que nos somos o Universo. Assim podemos perguntar em que medida a nossa expressão e a consciencia individual estão ao serviço da situação. Pode ser que a situação nos afecta pessoalmente - e se isso acontece, quando a situação mexe com os mecanismos emocionais pessoais, o serviço torna-se sacrifício.
Ou seja, quando sobrevalorizarmos o Ego, estamos a virar-nos para uma experiência de dualidade, em que sentimos a situação como "eu contra os outros" ou "o mundo contra mim". Esse drama pode nos fragilizar imenso, tornando-nos vitimas da situação enquanto também poderíamos ser participantes numa solução.



Fica aqui o convite para juntar-se à
meditação da Lua Cheia, 
sexta feira 27 de Julho, à partir das 20.30h
no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.

O local do Cromeleque é desde há milénios um local para o Ser Humano poder contactar em paz com a Natureza. É um local onde os antigos procuravam entender e viver os mistérios do Universo.
Podemos pensar que nós nos tempos modernos, já não precisamos disso porque desvendamos os segredos do Universo através da ciência. Pode ser que seja assim. Mas o local continua um monumento à humildade do Ser Humano perante o Universo. Peço a todos que tenham em mente que sempre foi considerado um lugar mágico, que merece o nosso respeito. Mesmo nos dias de hoje, continua a ser um sítio onde podemos sentir a Natureza, o Tempo, a Terra, a Vida. Onde podemos ficar maravilhados com a perfeição do Cosmos.

Espero que seja desnecessário dizer que não é um sítio para deixar lixo para trás, de fazer fogueiras no chão ou de fazer campismo selvagem. Podem sim, seguir o exemplo dos antigos, e trazer uma oferenda para a Terra e exprimir gratidão pelas riquezas que Ela partilha connosco. Um pouco de água, uma flor, uma pedrinha, um pauzinho de incenso. Ou talvez apenas uma oração silenciosa.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Tara, a Salvadora, Mãe de todos nós


Here there is no man, there is no woman,
No self, no person, and no consciousness.
The labels ‘male’ or ‘female’ have no essence,
But deceive the evil-minded world
A deusa budista Tara era em vida uma princesa chamada Jnanachandra. Quanda ela se estava a aproximar da sua Iluminação, um monge sugeriu que ela devia primeiro procurar uma incarnação num corpo masculino, para conseguir o seu Despertar. A princesa respondeu: "Não faz sentido! Não existe homem, não existe mulher, não há um Self, uma pessoa ou uma consciência. É sem sentido etiquetar "masculino" ou "feminino". Como os tontos mundanos enganam-se com estes conceitos, eu vou trabalhar para sempre para o bem dos seres sencientes, num corpo feminino!" ~Dzongsar Khenpo

Ao Despertar, ela tornou-se conhecida como Tara, a Libertadora (ou a Salvadora). Uma mulher eternamente jovem, associada à noite (a sua outra aparencia é a Tara Branca, associada ao dia). A sua cor verde sugere acção - o simbolismo tibetano considere verde a cor que contém todas as outras cores, enquanto branco é a não-cor pura de onde originem todas as cores. Deusa, Filha da Noite, desceu para o fluxo da actividade (samsara) para salvar as suas criaturas.


Lembrei me desta história quando me chegou uma imagem da Tara Verde, pelas mãos de um amigo querido. A prática da Tara é uma porta para a entrega à nossa verdadeira natureza, uma porta para o Despertar.

Outra característica de Tara descobrimos no seu título "Mãe de Todos os Budas". Isso representa a sua sabedoria perfeita e também simboliza a qualidade feminista da sabedoria. (Na tradição budista a sabedoria é representada pela mulher enquanto a compaixão é do homem). E, como todos nós somos budas, Tara também é nossa mãe. Assim, devemos pensar em Tara com amor.
A última característica de Tara  é seu papel de salvadora. Ela conduz todos os seres através do rio do samsara até a margem da iluminação. Ela também é chamada de "A que guia para o outro lado". A própria Tara diz: "Eu, Senhor, conduzirei os seres através do grande dilúvio de seus diversos medos".
Então, Tara ajuda não apenas aqueles que buscam o Nirvana; na verdade, um papel importante que ela desempenha, e a razão de sua popularidade, é a protecção que ela oferece dos oito grandes medos. Estes são os medos de leões, elefantes, fogo, cobras, ladrões, aprisionamento, afogamento e demónios. É claro que nos tempos modernos raramente temos medo de cobras e elefantes. Esses medos externos são apenas um símbolo dos oito medos internos que afectam a todos nós. Os medos internos são: orgulho, ilusão, raiva, inveja, visões erradas, avareza, apego e dúvida. Tara ajudará todos aqueles que sofrem com essas emoções negativas internas. ~ Thubten Chodron's Pearl of Wisdom, Book II

Tara lembra-nos que viemos da Fonte, todos, e que todos somos feitos da mesma energia universal. Os corpos que habitamos e vemos nos outros, são apenas expressões deste Grande Conjunto - não têm um significado por si ou em si. Todos merecemos ultrapassar os medos; todos merecemos entender a nossa natureza de buda.
Quando procuramos "unir-nos" à Natureza, ou ao Universo, ou ao "oneness" (vou aqui adoptar o termo "Unidade"), entramos num paradoxo: não podemos tornar nos Um, porque já o somos. Da mesma maneira que não faz sentido unir-nos com a Natureza, porque nos próprios já somos a Natureza.

O que podemos fazer é aceitar essa nossa natureza mais profunda e verdadeira. Através da aceitação de quem já somos, podemos tornar-nos Uno com a criação inteira.

A aceitação é então a tarefa mais importante que nos espera como seres humanos. E é igualmente a tarefa mais complicada. Aceitar a Unidade é bonito quando sonhamos com um universo harmonioso, de boa onda, de felicidade e de segurança. Mas seremos capazes de aceitar a Unidade quando está incluído no mesmo conjunto alguém que pessoalmente não gostamos e que consideramos um imbecil? Quando a Unidade inclui o "mal", a mentira, a traição, a arrogância, o egoísmo?
A aceitação da Unidade só o é verdadeiramente, se for incondicional. Se houver julgamento, se achamos que alguém ou algo não devia entrar nesta Unidade, se calhar consideramos também que alguns têm mais direitos do que os outros. Que alguns merecem e outros não. Talvez até nós não merecemos, porque também nós trazemos os nossos venenos interiores...
A aceitação da nossa verdadeira natureza requer então que entendemos a igualdade entre os seres, a aceitação que todos partilham a mesma natureza.


Quero deixar claro que aceitação não significa resignação ou letargia, nem indiferença ou passividade. Falamos de aceitação como uma atitude positiva de nos abrir para a realidade e observar os factos com inteireza, para só depois agir, procurando melhorias. Resignar resulta numa atitude apática, omissa, que foge às dificuldades ou permite que elas se alastrem. Não era essa a postura de Buda.
 




terça-feira, 19 de junho de 2018

Solsticio de Verão - 21 de Junho

Na proxima quinta feira celebramos o Solsticio de Verão! O Sol chega ao seu ponto máximo no hemisfério norte, o dia é o mais comprido do ano e a noite a mais curta.

É o ponto alto do ciclo do Sol, o dia em que a semente da Luz será plantada na Terra - um dia de celebraçao do Poder da Luz Divina.

O Sol é o "pai da Vida", a Luz que permite que a vida nasce. É o Sol que nos orienta no nosso crescimento, físico bem como espiritual. Celebrar o Sol é celebrar a Criação.


Sabendo que a partir do Solsticio, a força do Sol começará a diminuir gradualmente, o Solstício também é um dia em que lembramos que o processo da criação de nova vida vai acompanhado de um outro processo, da morte. 

Não há verão sem inverno, ou yin sem yang. Não há dia sem noite. A Deusa da Terra e o Deus do Sol continuam a sua dança em ciclos sucessivos de nascimento, crescimento, decadencia e morte.

Celebramos que é no abraçar desta dualidade, que podemos tornar nos Unos.

Que o dia do Solsticio possa ser um dia feliz para todos!



Saudação ao nascer do Sol do Verão
dia 21 de Junho, às 05.45h
Cromeleque dos Almendres, em Guadalupe (Évora), 


domingo, 3 de junho de 2018

Acerca do espaço pessoal e de como guardar espaço

Que conceito é essa, de "segurar espaço" ou "guardar espaço" (holding space)?
Acontece também por vezes que alguém fica com a energia do outro, devido a uma intenção de querer ajudar. Se olharmos para os processos emocionais como sendo processos de transformação energética (algo que era desharmonioso ou prejudicial é transformado em entendimento, iluminação, harmonia) podemos perceber que não é suposto nós ficarmos com a energia do outro para poder ajudar. Estamos apenas a segurar o espaço, não é a nós de "consertar" a situação. Simplesmente permitimos que alguém abre caminho através dos seus assuntos. Seguramos o espaço para que possam passar por uma experiência. Se houver um momento em que alguém experimenta dor, esta dor está a ser uma lição importante.

Emoções, todas as emoções, tem um papel importante no karma. Karma, a lei da causa e da consequência, pode ser resolvido se aprendemos agir motivado pelo coração, em vez de reagir, movido pelas emoções. Assim podemos perceber que passar por uma emoção é fundamental para aprender lições karmicas. A passagem precisa de ser completa e o arco da emoção precisa de ser percorrido por inteiro, até a pessoa poder chegar à energia do coração e a harmonia voltar.
Ao tentar parar a dor ou absorver o sofrimento do outro, estamos a tirar energia que eles precisam para completar a lição. Esvaziamos e cansamos a nós, enquanto estamos a criar uma situação de co-dependencia. A situação se resolverá quando abrimos mão da energia que não nos pertence, e o outro possa sentir tudo até chegar ao ponto que está pronto para desapegar do seu sofrimento.


Guardar ou segurar espaço para alguém requer treino e paciencia.

Como todos os exercícios espirituais, também o guardar espaço requer paciencia e treino. Pode ser difícil por vezes, porque vamos encontrar em cada história que ouvimos, uma parte da nossa propria história. Em cada dor que testemunhamos, podemos reconhecer algo pelo que passamos também. Nada de humano nos é estranho, e cada pessoa que mostra a sua vulnerabilidade e os seus processos emocionais, é um espelho em que podemos olhar para aprender também sobre quem nós somos.

Ao falar com alguém em apuros emocionais, podemos ajudar esta pessoa em encontrar a sua paz interior, se formos capazes de parar, pôr os dramas do nosso ego de lado, segurar o espaço e confiar que a situação se desenvolve tal como

Dicas para quem quer "segurar o espaço" para alguém 

No centro do conceito “guardar espaço” está a disponibilidade de por de lado, por um momento, os nossos próprios pensamentos, preconceitos e julgamentos. Deixo aqui algumas dicas para a prática.

Praticar Loving Kindness – amor e bondade. Ou seja, procurar sentir compaixão.

Aplicar a escuta profunda - ouvir não apenas para reagir, mas para entender. Procurar ouvir com o coração.

Manter uma atitude de respeito e permitir que a situação existe. Não tenta mudar nada. Resiste à vontade de intervir. O outro precisa de espaço para poder exprimir-se, precisa de tempo para entender as suas emoções. Deixa-te estar com o outro para que este possa passar os seus momentos difíceis. Permite que o outro sente o que está sentindo.

Enraizar e respirar: lembra que a respiração é uma maneira eficaz de manter-te enraizado. Respirar conscientemente ajuda a manter a conexão interior, a conexão entre corpo e alma, e entre nós e o outro. É importante ficar enraizado. Logo que sente que estás a fugir, enraiza-te.

Estar presente, aqui e agora. É preciso disponibilidade de estar presente, uma vontade de te conhecer a ti por dentro. Se isso não existe no interior, será difícil ficar aberto e honestamente presente para o outro.

Não absorver a dor do outro. Estás apenas guardando o espaço para que o outro se encontra. Não rouba as dificuldades do outro, absorvendo-as. Respeitamos que o processo emocional é do outro. Ou seja: deixa o teu ego e os seus dramas de fora.

Não julgar, não tentar consertar, corrigir ou resolver. Naturalmente.




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